segunda-feira, 26 de setembro de 2011

VIVO, TIM E CLARO: As novas cybertraficantes!

A antropologia moderna e outras ciências sociais, assim como algumas disciplinas médicas já identificaram os sintomas da dependência em informação, e por conseqüência, a compulsão pela conectividade com os meios que a permitem.

Os clássicos sintomas como mudança de humor, transtornos ao convívio social, dificuldade de manutenção de uma rotina alheia ao objeto da dependência, e todos os complicadores associados a abstinência, já estão na literatura especializada recente.

Eu me dei ao luxo de pensar nesse tema ao observar como se portam os fornecedores das drogas que consumimos hoje, e sequer nos damos conta.

Se temos os "cacoetes" da adicção, não é leviano pensarmos que as operadoras de internet e telefonia agem como narcotraficantes, ou cybertraficantes, pois vejam:

01- Manipulam a "dose": variando a velocidade de sua conexão de acordo com interesses comerciais. No início, a velocidade é um prazer, a conexão rápida um orgasmo, para depois alternar em doses inconstantes. Um dia, uma conexão "malhada", outro dia, uma "conexão mais pura", "da boa".

02- Os preços variam de acordo com a clientela, logo, freguês mais rico usa droga melhor, enquanto o contrário também acontece:quando mais barata, pior a conexão, transformando acesso em artigo hierarquizado por poder econômico, e não como direito da sociedade, que delega aos gestores do Estado a concessão de um patrimônio que é seu: A comunicação social e o acesso a todas as formas de acesso a esse direito.


03- Como no mercado ilegal de drogas, ninguém sabe ao certo os "ingredientes", ou como é "misturada a parada". Nos "paióis" das teles e provedoras os governos(poder concedente) só entra se "arrombar as portas". Os critérios e padrões de sinal são manipulados de forma clandestina e obscura, assim como as tarifas a eles relacionados.

04- Tem "arrego", claro!(olha o trocadilho). As multas irrisórias que pagam às agências "reguladoras", e "favores" que as teles fazem em campanhas eleitorais, impedem qualquer controle sério da atividade. Mais ou menos como os patróns fazem com as autoridades na vida bandida.

05- Há um exército de vapores, aviões, soldados, gerentes, etc. É só olhar os vendedores nas lojas, os atendentes de telemarketing, que fazem o aliciamento, e depois, se você quiser reclamar, não tem ninguém que te atenda, ou pior: mandam você se danar, nos moldes dos "fantasmas do morro".


E por aí vão as analogias possíveis.

É claro que não desejo que o setor seja jogado na ilegalidade, mas o fato é que as operadoras se portam como tais, cartéis de tráfico de informação e acesso, e insistem em atuar na marginalidade, sem qualquer respeito pelo seu público consumidor.

Nesse ponto, até nas favelas há algum controle de qualidade, pois os donos da boca já entenderam que um cliente satisfeito é cliente cativo.

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