sábado, 17 de setembro de 2011

Um poste sem luz própria.


incauto: 
adj. e s.m. Que ou quem não tem cautela; imprudente, desprevenido, crédulo, ingênuo.


Essa é a palavra que o ex-prefeito (92-96), eleito como "poste" (ao menos nas palavras de seus antigos aliados, à época), Sérgio Mendes, utilizou para denominar os que não querem se unir, ou ao menos, não desejam que os royalties continuem a jorrar como símbolo do desperdício, concordando com a proposta do governo federal em alterar a divisão do pré-sal, e aplicar esses recursos em fundos que promovam nossa educação,pesquisa e inovação tecnológica, dentre outras finalidades estratégicas.

O texto pode do ex-prefeito-poste pode ser lido aqui, no blog Estou procurando...

Só em nome de minha amizade com Jane Nunes e Rose Davi tentarei ser o menos ácido possível, uma vez que o ex-prefeito possibilitou toda a sorte de adjetivação, quando incorreu, em nosso modesto entender, no erro de desqualificar os que discordam dele, antes de combater seus argumentos.

Não, ex-excelência, não somos incautos.

A História não permite errar, se a olharmos com cuidado.

Veja o senhor que bilhões de royalties não prepararam nossa cidade para o futuro, e nos colocam em situação vexatória, ainda que tenhamos dinheiro para vivermos no paraíso. Essa é uma conclusão de todos nós que não somos governo, inclusive o senhor. E veja que nos chamam de nomes parecidos com incautos, os que nos governam. Será coincidência, então, que vossa senhoria utilize o mesmo método de debate?

Creio que não.

Pois vejamos argumentos que combatam o que disse, e deixemos as considerações sobre suas condições pessoais apenas como circunstância para ilustrar vossa incoerência:

Há um fenômeno sócio-econômico-político, observado em países e regiões com pouca maturidade institucional, como certas regiões desse país, e países da África e Oriente Médio, que adormeceram sobre os ricos dividendos da atividade extrativista mineral, aí incluída a prospecção e extração de petróleo.

Por outro lado, países como a Holanda, que dão nome a doença das commodities (doença holandesa) revelam o outro lado do extrativismo exacerbado e sem direcionar seus recursos para o desenvolvimento, ainda que no caso desse país europeu, haja condições de vida invejáveis.
O dinheiro que entrou com a venda de commodities holandesas irrigou a economia daquele país baixo, e destruiu qualquer iniciativa industrial por uma geração ou duas, dada a excessiva valorização da moeda local.
A Noruega escapou, e experimentou o investimento estratégico para aprimorar sua tecnologia, adaptando seu parque industrial as exigências competitivas das novas tecnologias. Não é à toa que embora a gigante de eletro-eletrônicos Philips fosse holandesa, foi a Nokia, norueguesa, que saltou no mercado dos telefones celulares.
Suécia também se diferenciou, e pode competir em campos tecnológicos de alto valor agregado, como a aeronáutica, inclusive a militar (caças Saab, que concorrem com os franceses Dassault, estadunidenses da série F Hornet, Macdonnell Douglas/Boeing Northrop, na compra pretendida pela nossa FAB).

Nos países pobres da África e Oriente Médio, e em nosso caso, e em outras cidades, a riqueza não significou prosperidade, e houve um fato ainda mais grave: As democracias foram solapadas os regimes autoritários, guerras civis fraticidas ou os processos eleitorais tornaram-se, irremediavelmente, corrompidos.

Na nossa cidade aconteceu a total submissão das escolhas políticas pelo poder econômico, justamente o que vossa senhoria diagnostica e critica em seus textos, mas não apresenta solução, a não ser a lenga-lenga moralista, e por quê?

Ora, porque vossa ex-excelência é legatário de um modelo de gestão que ratificou quando prefeito, e de um grupo político que se dividiu pela luta pelo poder, mas manteve intacta sua natureza predatória.

Se na sua gestão os recursos nem eram tantos, é verdade, houve ali também a repetição de práticas nefastas e que já apontavam na continuidade do modelo, e no aprofundamento de suas mazelas, basta lembrar que na sua gestão expiraram as concessões de linhas ônibus, que inexistem até hoje, e nada foi feito. Tanto é que o modelo perdurou, independente de quem sentou na cadeira que outrora vossa ex-excelência sentou.

Tão vergonhosa foi a privatização da gestão de abastecimento de água e sanitária municipal, que dá "frutos" até hoje.

Faltava-lhe dinheiro que sobra hoje, é fato, mas sobrava-lhe o ideário garotista, que desregulamenta instituições e as joga no campo da informalidade ou na sanha privatista, onde são manipuláveis aos interesses eleitorais, e distantes da fiscalização. vossa ex-excelência não significou uma ruptura, como gosta de se imaginar e fazer acreditar aos "incautos".

Mas sua participação nos eventos não se resumiu a uma gestão municipal(92-96)que elegeu o sucessor determinado pelo seu chefe, à época, que, inclusive, foi o único motivo para o rompimento que vossa senhoria denunciou, silenciando sobre os fatos nefastos que diz saber, talvez em instinto(inteligível)de auto-preservação.

Veja o senhor, que de novo no governo, deste vez na gestão da CODEMCA, nome pomposo para a empresa pública municipal denominada Companhia de Desenvolvimento de Campos, nada foi feito ou proposto para alavancar nosso desenvolvimento autônomo e sustentável, e não é leviano supor que suas boas intenções jazem no cemitério que foi a única coisa que lhe restou para gerir então.

Então, caro ex-poste (ops, ex-prefeito), muito cuidado (não seja um incauto) ao adjetivar seus oponentes no debate sobre esse rio de dinheiro que jorra para um mar de corrupção.

De nada adiantam royalties se eles não estiverem a nosso serviço. Do jeito que estão, os royalties SÃO SIM, UMA MALDIÇÃO.

E PIOR, NOS ENVERGONHAM PERANTE A NAÇÃO.

Eu posso até ser ingênuo(incauto) ao sentir vergonha, diante de tantos episódios que causam ainda mais vergonha. Mas essa é uma distinção entre nós. Esse sentimento (de vergonha) que nos impele a mudar de conduta, enquanto justificar nossos erros pelo dos outros só os eternizam.

Não vale, portanto, o argumento cretino de que outros royalties, de outras cidades, e outras atividades, ou recursos de outros órgãos ou entes federativos são alvo dos mesmos erros que cometemos aqui, simplesmente porque não justifico nossos equívocos pelo dos outros, nem me comparo com o que há de pior.

Portanto, se o preço para aprendermos é o sofrimento, pois escolhemos assim, que o paguemos. Mas sei que há desafios para essa nação que dependem da boa utilização dos recursos para enfrentarmos as responsabilidade de termos nos alçado a condição de protagonistas mundiais, e royalties não podem ser usados como alavanca de delírios eleitorais, do lucro privado de seus empreiteiros-financiadores e para domesticação da midia e outros esquemas.



PS: Foi por isso que imaginei que a Jane iria carregar um peso morto em seu blog ao lhe abrir espaço.
Parece que eu tinha razão. É por essas e outras que cada vez mais, vou abandonando a blogosfera local.

4 comentários:

Sergio Mendes disse...

Caro Douglas,
No campo das discussões de idéias, tenho algumas divergências com relação ao seu pensamento. Porém,no campo pessoal, respeito profundamente o que pensa a meu respeito. Só, que pode estar certo, que em nenhum momento quis te atingir ou quem quer que seja. Tenho respeito pelos amigos, pelos conhecidos, e também pelos adversários.
Quanto ao poste, cuidado para não estar incorrendo no mesmo erro que me atribui, usando os mesmos argumentos dos garotinhos.

douglas da mata disse...

Caro Sérgio,

Certamente fiz a (des)qualificação de forma propositada, não como ofensa pessoal, mas como exemplo(ruim)de como esse expediente empobrece o debate.

Mas aqui há uma sutil, porém importante diferença, que você, assim como meus poucos leitores devem ter percebido: Eu, ao contrário do que você fez, não joguei o "adjetivo" ao vento.

Quando chamou de incautos aqueles que discordam de você, sem mencionar a quem se referia, permitiu que cada um de nós que discorda se ofendesse.

Então, vai a dica de quem está um pouco mais de tempo na blogosfera, e já enfrentou milhões de problemas com esse tipo de ruído: Quando quiser imputar um predicativo ao seu interlocutor, faça-o de forma direcionada, pois as generalizações são perigosas.

Um cordial abraço, e grato por perder seu tempo em responder a nossa postagem nesse guetinho de opinião.

Anônimo disse...

Quanta gentileza! Essa "creatura" deveria deixar de pegar carona nos blogs dos outros e criar o seu. Um blog poste. Quem leria?

douglas da mata disse...

Caro comentarista,

O importante é o debate, e o Sérgio se rendeu a ele(o debate).

Pouco importa se em blog dele, ou dos outros, com um leitor ou um milhão deles(quantidade nem sempre é qualidade).

Na blogosfera impera (pelo menos para mim)essa noção de "carona, ou seja, compartilhar espaço.

Não imagino que estejamos em um "gincana de popularidade", ou estamos?

Quanto a suas considerações pessoais sobre o Sérgio, você tem direito a elas, uma pena que tenham vindo sem qualquer menção ao tema que debatemos.

Mesmo assim, grato pela participação.