segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Quintana.

Em BH visitei os pontos óbvios e indispensáveis: A Pampulha, linda em sua forma, mas fedorenta de conteúdo, com o esgoto que lá se deposita (de acordo com o taxista Seu Carlos, atleticano, "vem de Contagem"), a Igreja de São Francisco de Assis, com tabela de Niemeyer e Portinari, a Praça da Liberdade, etc.

BH, ou belzonte, como dizem os nativos, é uma cidade aprazível que se encaixa no clichê dos olhos do turista: Grande e com jeitão de interior.

Mas para quem vem das terras baixas dos bárbaros da lapa, nada como visitar uma livraria. Pois é, esse lugar exótico e improvável por aqui, signo da ausência de civilidade dessas plagas, que revela um bocado do nosso caráter, ou a falta dele. Temos MacDonald's...Ohhh...!Temos shoppings...Ohhh...! Temos CEPOP...Ohhhh! Mas nem sequer uma livrariazinha digna desse nome. No máximo uma "banca de revistas aumentada", ali no Centro de Compras da Pelinca.

Então, de BH trouxe dois livros fáceis e pequenos, rápidos e "saborosos", indicados para parvos e bárbaros de pouca leitura, como eu.

A mulher que não queria acreditar é uma reunião de crônicas e contos de Fernanda Takai (Pato Fu), publicados no Estado de Minas. Só confirma o que penso sobre ela: Tudo de bom!

O outro, Espelho Mágico, de Mário Quintana, é um livro de epigramas (poemas de quatro versos, em geral). Para quem não está habituado a aridez de poemas densos, como eu, é uma ótima pedida. Gosto da poesia óbvia e reta.
Ironia, objetividade e argúcia do olhar sobre o cotidiano dão aos versos um ar de pilhéria, traço inconfundível dos poetas como Mário: nem bem, nem mal, apenas humorados. Divido um pouquinho da poesia de Quintana, que nunca é pouca:


Do mal e o bem.


Todos têm o seu encanto: os santos e os corruptos.
Não há coisa, na vida, inteiramente má.
Tu dizes que a verdade produz frutos...
Já viste as flores que a mentirá dá?




Das ilusões


Meu saco de ilusões, bem cheio tive-o
Com ele ia subindo a ladeira da vida.
E, no entanto, após cada ilusão perdida...
Que extraordinária sensação de alívio...



E para terminar, dois que se encaixam bem em nossa cena política:

Dos títulos do leão


Ele que é força pura, ele que é puro egoísmo,
No entanto é o Nobre, é o Justo...É Sua Alteza o Leão!
Pois que só um consolo resta a escravidão:
     Idealizar o despotismo...




Das alianças desiguais


Gato do Mato e Leão, conforme o combinado
Juntos caçavam corças pelo mato.
As corças escaparam...Resultado:
        Não escapou o gato.


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