quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Pense bem!

Todas as atividades lícitas, lucrativas ou não, que recebam recursos, são obrigadas a provar a origem legal do que arrecadam.

Igrejas não! Podem receber dinheiro do tráfico de drogas, sob forma de doações anônimas, e de empresários corruptos, que desviaram dinheiro público, haja vista que nenhuma paróquia ou igreja pentecostal jamais recusaram tais contribuições, nem arguiu aos doadores de onde vinham.

Será que o dinheiro entra sujo e sai "santificado"? Será esse o sentido que o "sangue de cristo" lava qualquer coisa? Será esse o milagre da fé?

Foi assim durante o tráfico negreiro, quando as igrejas encheram as burras! Foi assim nas conquistas ibéricas, quando os reis católicos adornaram e enriqueceram Roma com as riquezas que roubaram daqui, a custa do sangue indígena e da exploração da nossa terra.

Foi assim em Medelin, Cali, ou na Sicília.

É assim no Rio, SP, nos pampas, ou por aqui, em Campos dos Goytacazes.

2 comentários:

Anônimo disse...

Caro blogueiro,
não é bem assim.
A Receita Federal recebe dinheiro, mesmo de origem ilícita, é o princípio chamado "non olet" (não cheira.
Dê uma pesquisada no google.

Igrejas são excelentes meios para se lavar dinheiro.
Eu conheço um político daqui da região que vende um jornalzinho religioso. Jornalzinho que também goza da mesma benesse constitucional de isenção de impostos.

Vou dar uma dica: o político há quase um mês esteve no SESC Mineiro com um grupo grande de evangélicos da baixada fluminense e oraram fervorosamente para que a candidatura de Betinho Dauaire fosse abençoada.
Muitos encostaram a mão na cabeça de Betinho e oraram clamando por bençãos à candidatura dele.
Só queria saber de onde saiu o dinheiro para pagar àqueles ônibus e a hospedagem daquelas ovelhas inocentes, que buscavam apenas um passeio e divertimento gratuitos.
Será que foi dinheiro da Prefeitura de Campos ou dos materiais religiosos vendidos?

douglas da mata disse...

Caro comentarista,

O princípio aludido por você vige para as instituições temporais, e no caso da Receita, esse órgão age pelo Estado para consagrar essa possibilidade, que aliás, eu não concordo, e permite, dentre outras coisas, lavar dinheiro através do pagamento de tributos, e mais: elidir a ação penal quando se recolhe os tributos sonegados até o oferecimento de denúncia. Há ainda o impedimento de se denunciar sonegadores sem que os processos fiscais de execução estejam satisfeitos, ou seja: vale à pena sonegar nesse país, e isso é considerado crime menor.

Mas eu sou capaz de entender essa lógica em nossa sociedade.

No entanto, quando falam em abolir a corrupção, as igrejas e seus pastores(bispos, padres, etc), manifestam uma "verdade" baseada em uma moral única, sem relativismo, ou seja, alheia aos percalços das disputas democráticas ou intermediações políticas, daí a enorme incoerência. O valor moral para igrejas não admite variantes, ou adaptações. Igreja trata de dogmas e posições absolutas, e sua doutrina busca conservar tais tradições.

Diferente da política.

Em outras palavras: Que o Estado e a política apresentem contradições, ótimo, esse é o jogo.

Porém, essa moral dúbia em Igrejas (faça o que falam, mas não o que fazem)é desastrosa.

Se querem falar como portadores da "verdade", têm que agir como tal, sem falhas ou concessões.

Se querem falar de moral sexual, não podem acoitar pedófilos, como fizeram e fazem.

Se querem falar em moralidade pública, não podem desviar e fraudar o sistema financeiro, aliados à máfia, como fizeram e fazem.

E não é isso que assistimos.

Então o bispo, ou qualquer outro cretino hipócrita religioso devem escolher: quer discutir os temas da política como qualquer um, despido de sua "autoridade eclesiástica", ou quer se esconder no manto da "santidade" para cagar regras morais, enquanto suas igreja as pisoteia?

Esse é o questionamento.

Um abraço.