segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Helio Luz comentando a violência no RJ. Notícias de uma guerra particular.




Em tempos de guerra, a primeira vítima é a verdade. Qualquer "foca" conhece essa frase. Essa concepção foi importada por nós, a pretexto da "cobertura" da guerra cotidiana do combate a criminalidade.
Como nos conflitos regulares, a mentira é instrumento ideológico de justificativa do conflito, e principalmente, como argumento motivador da caçada ao outro.

O outro aqui não é o invasor, mas o inimigo público nº 1, segregado nas favelas, considerado causa e efeito de uma indústria que ele apenas funciona como entreposto de varejo.

O tráfico continua no Alemão e no território das UPP? Claro, nós já dissemos isso há anos, desde que a ofensiva de propaganda começou.

Como dissemos ser importante a restauração da ordem em espaços territoriais onde criminosos desfilavam seu poder bélico.

Mas essa atitude não poderia ser vendida como panacéia de política de segurança pública.

O tráfico continua nos morros? Não só nos morros.
No entanto, a polícia só continua no morro, como se o tráfico só existisse por lá, enquanto o asfalto lucra e se diverte.
O tráfico continua no Borel, Alemão, Fallet, Cantagalo, etc?
Continua, mas ele continua mais forte nas contas bancárias sigilosas e que lavam os bilhões dos capo famiglia.
O tráfico continua nos Macacos, Providência, Juramento e Santa Marta? Por certo!
Continua também na indústria de armas, que alimenta todos os lados do conflito com seus artefatos. Vende para governos retirarem das ruas as armas que traficaram para os traficantes.
Continua na hipocrisia nacional, que se mata ao volante, embriagada de álcool e do sangue dessa guerra particular, que assiste com especial sadismo, nos datenas da TV.
Continua nas justificativas para os grupos de extermínio atuarem livremente, enquanto jornalistas repetem: "fulano morreu com vários tiros, de acordo com a polícia, trata-se de mais uma disputa de traficantes".


Embora seja de 1997/98 o trecho com a entrevista do então chefe de polícia Hélio Luz(*), ex-deputado estadual do PT, é uma dica atual, e explica, guardadas as diferentes conjunturas históricas, porque continuaremos SEMPRE, TODOS, no mesmo lugar: Estado, sociedade e criminalidade, fazendo as mesmas coisas SEMPRE, TODOS cometendo os mesmos erros e esperando resultados diferentes!



(*) Tive o prazer de votar em Hélio Luz, e posso dizer que, de certa forma, ele que me inspirou a abraçar a carreira que exerço hoje. Não me arrependo, do voto, nem da escolha profissional, embora enxergue os limites de cada uma. O depoimento de Hélio Luz foi gravado para o documentário Notícias de uma guerra particular.

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