segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Guerra de guerrilha.

O desafio que se impõe aos que pretendem se lançar como alternativa de poder nessa cidade não é fácil. Tanto pela natureza e biografia política dos principais próceres da "oposição", quanto pela força dos movimentos do governo, que pilota um considerável orçamento, e manipula as ofensivas.

Mas um dos pilares do pensamento estratégico(e eleições, antes de tudo, exigem esse pensamento)é transformar ameaças em oportunidades, projetar cenários e mais duas coisas: estar preparado, razoavelmente, para as emergências e sempre avaliar o resultado das ações.

Podemos dizer que alguns passos da oposição, a despeito das "análises propagandistas" dos servos do governos, foram dados na direção exata. Aos tropeços, é verdade, mas avançaram.

Hoje, é indiscutível que a oposição entendeu que para além das táticas eleitorais, existe a necessidade de interação e organicidade, e com os limites impostos pelo cerco promovido na mídia domesticada, e com o pequeno auxílio da blogosfera independente, a oposição conseguiu firmar a marca da frente democrática.

Além de tudo mais, a oposição conseguiu mostrar aos órgãos fiscalizadores que, embora estejam a disputar a hegemonia política, suas notícias sobre irregularidades detêm conteúdo e credibilidade.
Uma das atitudes do grupo da lapa que reforça essa constatação é a tentativa(frustrada)de desqualificar alguns setores da blogosfera, ou atraí-los para discussões menores. Os ataques pessoais aos integrantes da oposição também cumprem essa missão.

O alcance da marca FRENTE DEMOCRÁTICA e de sua mensagem dependerá de novas ações. No entanto, para seus pares, e setores chamados "formadores de opinião"(os consumidores mais perenes de informação), a frente democrática é uma realidade, e já é enxergada como simbolo da oposição. Isso não é pouco, como dissemos, dadas as circunstâncias.

Mas a guerra da comunicação não se encerra na rede, e nem a comunicação é, em si, o que determina a escolha do eleitor. Se assim fosse, os candidatos ungidos pela mídia não perderiam uma eleição, e poderíamos substituir o processo eleitoral por uma consulta aos tubarões da mídia. Não é bem assim.

Estrategicamente falando, há no horizonte alguns cenários, e eles se entrelaçam e não são excludentes. Vamos a eles:

01- Destituição da prefeita por força judicial/policial:
Esse temor, que a bem da verdade, nunca mais abandonou os mandatos aqui conferidos, passou a ser uma hipótese mais tangível, na medida que o chefe e um cardeal do governo passaram a divulgar uma tese defensiva, alertando para uma possível perseguição de seus adversários, como forma de desqualificar, preventivamente, supostas ações jurídico-policiais, e mais, manter coeso seu bando (nas palavras do secretário de governo, bando é quem tem orientação, chefe, portanto, nada melhor para identificá-los). Essa possibilidade desarrumaria todo o jogo, embora as premissas estivessem intactas, ou seja, a forma de fazer política continuaria a mesma, ainda que o presidente da Câmara assumisse. Mas isso traria o complicador de forçar o grupo da lapa a definir novo candidato, e a sabida animosidade entre irmãos abriria mais um flanco a ser atacado pela oposição.

02- Um ou vários candidatos a prefeito?
A oposição ainda não escolheu, e nem deve, a melhor estratégia para concorrer: Várias candidaturas, mas "batendo" na mesma direção(o governo), que se uniriam caso conseguissem forçar um segundo turno, ou uma candidatura unificada, que cumprisse a mesma tarefa. Agora, a oposição deve afastar a tentação de definir esse tema, a não cair na armadilha proposta por alguns veículos de mídia, que constroem suas pautas no acirramento dessas futricas, por não terem mais nada para oferecer aos seu leitores. É o momento de centrar fogo no governo, possibilitar através das filiações no prazo, que todos estejam aptos a concorrer, e esperar a hora, batendo no governo em uníssono. As críticas de que não têm um "chefe" são para desmerecer uma qualidade: A frente conseguiu construir um discurso(com todas as limitações), mas o fez sem aparecer de forma verticalizada ou apropriada por uma das lideranças, projetou assim, vários nomes e possibilidades. É por isso que o secretário de (des)governo procura atacar esse movimento. Na pequena trajetória de análise política que acumulamos na blogosfera, já aprendemos que o grupo da lapa só ataca o que considera um risco. Logo...

03- Comendo pelas beiradas:
Centrar as forças na eleição de uma bancada maior e melhor. Aqui um ponto complicado, pois as vaidades pessoais(umas legítimas, e outras nem tanto)impedem  bons quadros de enxergarem todo o cenário: Imaginem uma nominata com Roberto Moraes, Antonio Carlos Rangel, Adilson Sarmet, Sérgio Diniz, Odisseia, Sérgio Mendes, Fernando Leite(com todas as reservas que nutro por esses quatro últimos), etc, etc, etc.
Não tenho dúvidas que teríamos um resultado que colocaria a Câmara em condições de exercer o seu papel como deve, e não como tem feito. Esse é outro enorme temor do grupo da lapa. Sabem que podem até ganhar a prefeitura, mas têm certeza que a configuração da Câmara vai mudar, uma vez que o poder, embora conte com os recursos para bancar candidaturas, sofre o desgaste natural de ter que atender a todas as demandas, o que é impossível. O quadro de candidaturas vai consumir muito do esforço do governo, e muitíssimos recursos. Descontentes são "bombas-relógio" em potencial para futuras investigações. Há outro fator: Não será tão fácil construir consensos a base de recursos públicos como foi no passado recente.

04- Usando a força do adversário contra ele:
Como dissemos, a batalha na mídia não é tudo, mas para um governo que teve seus principais nomes ligados a comunicação (principalmente ao rádio), não é fácil deixar sem resposta os ataques diuturnos que recebem, e para o delírio dos (tu)barões da mídia local, as verbas vão jorrar com generosidade, como tem acontecido.
Então, como enfrentar essa bliztkrieg na mídia? A oposição(frente) precisa começar a eleger os temas que trabalhará nas eleições, e constranger a mídia a ter que tratá-los quando fizerem o contraponto junto ao governo, usando o esquema de mídia do governo contra eles mesmos, desprezando os debates sobre nomes, quem será candidato a quê, ou temas menores com atores inexpressivos, como subsecretários e outros integrantes de terceiros e quartos escalões designados a tarefa de funcionarem como ponta de lança. É hora de parar de "gastar vela com defuntos ruins", ou ser usado como recheio de linguiça de pautas inexpressivas.

A intensa atividade no campo da lapa revela que gigante foi ferido. Olhemos a História e aprendamos:

Em 1941, os EEUU foram atacados por uma país muito menor, sofreram com uma humilhação atroz, choraram a perda de vidas e quase toda sua esquadra ancorada em Pearl Harbor. Resultado: O sentimento de patriotismo impulsionou o até então adormecido e hesitante gigante a entrar e desequilibrar a II Guerra Mundial. Fez de Roosevelt o herói que amalgamou sua trajetória como estadista.

Em 2001, os mesmos EEUU foram surpreendidos, deste vez em seu coração, por novo ataque, milhares morreram, mas o patriotismo, deste vez, só foi manipulado e aviltado pela elite conservadora, representada no inexpressivo bush jr, e selou o início do fim do Império.


A oposição tem que escolher que guerra quer lutar, desde já sabendo que não há nada de Roosevelt no pequeno bush da lapa.

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