terça-feira, 6 de setembro de 2011

Desfile cív(n)ico.

Ninguém é a favor da gordura trans, nem da soja transgênica, somos todos a favor da preservação da Amazônia, ok? Sacolinhas de plástico, nem pensar. Gostamos de ler que tal empresa pratica responsabilidade social, ou contribuiu para a cadeia produtiva de desenvolvimento sustentável.
Mas você acredita que toda aquela godura trans, que contaminava 100% de todos os biscoitos deliciosos de recheio de chocolate e uma infinidade de guloseimas, simplesmente foi varrida do planeta por rótulos de liberdade (livre de gordura trans)?

Ou que é possível uma matriz energética limpa (sem ou com redução da queima de carbono), sem macular florestas que serão alagadas por reservatórios de hidroelétricas? E o boi "verde"? Este animal que só se alimenta de pasto, como faremos sem entupirmos essas reses no confinamento com componentes químicos, anabolizantes e manipulação genética? Como deixar de expandir os pastos sobre as florestas?

E a soja transgênica? Um horror, eu sei. Mas a alternativa orgânica não oferece condições economicamente viáveis de alimentar o mundo. Os animais que adoramos cozinhar e a forma tradicional enchem a terra de nitratos e outros elementos que constituem adubos, herbicidas e pior: as suas fezes. Como fazer?

Sacolinhas plásticas? Ok, são um horror, mas alguém já pensou que o plástico é reciclável e reaproveitável, e o problema está na coleta do lixo, e não no material, afinal o plástico é barato, funcional e não necessita de celulose (que vem da derrubada árvores nativas ou da monocultura desertificadora do eucalipto)?

E o biocombustível "limpo", o etanol? Irão ao desfile os usineiros e  os nossos coronéis do eito, que produzem álcool com escravidão e queimadas? Falarão contra a corrupção também?

Eu não defendo aqui um vale-tudo, um oba-oba, mas antes de sairmos por aí, defendendo slogans como mantras de salvação do mundo, é necessário algum debate, mais um pouco de conhecimento e outro tanto de comedimento. Sustentabilidade, desenvolvimento rensposável, economia solidária e socialmente engajada, produtos inteligentes, ok, eu concordo com tudo isso, desde que fique claro quem vai pagar a conta, quem vai lucrar mais e quais os efeitos colaterais.

Pois bem , e a corrupção? Mas do século ou mal da humanidade, eu concordo.

Mas quem deterá o bastião ético e moral para julgar, queimar e propor o Codex da Honestidade? Contra quem se dirige o grito contra a corrupção? Ah, contra os políticos, mas, afinal, quem os elege? Quem, depois de elegê-los, os abandona sem fiscalização ou acompanhamento? Quem dos manifestantes de amanhã já foi a alguma sessão da Câmara, esteve na sua associação de moradores ou ao menos em uma reunião de condomínio? Quem se lembra de quem votou nas últimas eleições parlamentares estaduais, federal ou municipais?

E os moradores do 5º distrito de SJB, foram convidados para narrar seu drama maior, quando a corrupção obedece a todos os trâmites legais, e impõe a força do capital sobre o destino das pessoas, na mais cruel e pior forma de violência institucional, legitimada e chamada pelos honestíssimos de "ordem e progresso"?

Poucos, eu imagino.

Quem dos manfestantes irá com seu carro emplacado no ES, para o qual declarou um endereço falso? Ou terá no bolso aquele recibo de dentista forjado, para abater e sonegar o IRPF? Na falta de vagas, quem aproveitará o descuido dos agentes de trânsito, e estacionará seu bólido nas calçadas ou em outro local proibido, e se for flagrado, berrará contra a indústria das multas e reboques?

Quem de nós, amanhã, vestido de preto deixará as crianças com a babá, ou empregada, que não recebeu extra pelo feriado, e sequer tem o seu registro de contrato na carteira de trabalho?
E, durante nossa passeata contra os corruptos, caso nosso filho se inicie sexualmente pela senzala moderna, o quartinho da empregada, sem o cuidado de evitar gravidez indesejada, a prova incomôda da miscigenação compulsória e violenta, a mamãe cristã defenderá a vida ou o aborto?

A mídia, através de seus patroes, repórteres e fotógrafos ostentarão as cópias dos contratos suspeitos com o Erário, que sugam verbas públicas, como estandartes da mais pura sinceridade no combate a corrupção da comunicação social?

E no fim de tudo, por causa do calor excruciante, uma cervejinha, duas, três, ou quatro, e depois ao volante, falando mal, é claro, de todas as drogas ilícitas e como elas prejudicam a boa sociedade.

Como vemos, não iremos desfilar nosso civismo, mas apenas, o nosso bom e velho CINISMO.



Um comentário:

Anônimo disse...

A RESPOSTA PARA:
ESTÁ MELHOR OU PIOR?

A dias perguntaram por aí:
- ESTE É PIOR OU MELHOR ?
Resposta: Profissionalizou-se.

Se naquele era tudo muito a vontade, neste não é bem assim.

Naquele a roubalheira era de amador, todos apanhavam tudo o tempo todo.
Neste não, só alguns poucos e com muito cuidado e quando autorizado pelo Chefe.

Naquele, o dinheiro era entregue "na mão".
Neste tudo é terceirizado, via Banco. Por vezes usa-se um Sindicato como lavanderia.

Naquele, por falta de planejamento na hora da pilhagem, tinham que alugar diversos apartamentos, muitos fora da cidade só para guardar o dinheiro arrecadado, coisa de amador.
Neste o esquema é por vias transversas, via Banco onde posteriormente é "lavado", remetido para outras empresas isentas até mesmo de declaração.

Naquele, falavam tudo, tudinho mesmo pelo celular. E deu no que deu.
Neste já esta tudo combinado bem antes da licitação, da terceirização, do superfaturamento. No celular é proibido tocar em "certo assuntos", sob pena de perder o esquema. É falta grave. São profissionais.

Naquele tratavam tudo abertamente.- É tanto por tanto e entregue a fulano!
Neste quando vão tratar do esquema , o pessoal é revistado, não pode portar nada, nada mesmo, eletrônico, afinal são profissionais, não irão dar uma mole dessas.

Então, se melhorou ou piorou, isso depende, resta saber para o bolso de quem esta indo!

Postado por:
(BLOG) José Renato Rangel Duarte
Quarta-feira, Setembro 07, 2011