sábado, 17 de setembro de 2011

A corrosão do raciocínio!

O fenômeno químico pelo qual certos materiais se deterioram quando submetidos a ação oxidante é chamado comumente de ferrugem.

O termo, na política, passou a ser utilizado como alusão ao arcaismo, ou o corrosão de valores, ou na destruição, uma vez que a ferrugem é nociva e prejudicial a manutenção dos materiais e do funcionamento, assim como na sociedade, quando dizemos que a sociedade está corroída. 

Asim temos: "fulano está enferrujado e não serve mais para muita coisa" ou "os canais de interlocução estão enferrujados", e ainda "a movimentação social enferrujou, foi corroído o tecido social".

Ferrugem é, desta feita, uma coisa ruim, acabada, que necessita reparo ou substituição.

Um exemplo da ferrugem do pensamento garotista, que assombra pelo seu entulho autoritário, é a posição em relação a eleição direta para diretores de escolas públicas municipais. 

Nesse ínterim se equiparam, tanto o deputado 288 e seu bando, quanto a trupe do atual governador cabral(que aliás, é seu herdeiro político e sucessor, embora rompidos, como convêm a perfis tão parecidos). 

Ambos detestam a autonomia nas escolas. O resultado insiste em revelar números que condenam ambas as gestões na área educacional, mas eles perseveram no erro. 

Agora, reutilizam o argumento cretino de que eleições nas escolas fazem com que diretores assumam a defesa corporativa da categoria que a elegeu, em detrimento dos interesses de alunos e a comunidade. Como isso, per si, trouxesse uma ideia ruim, ou seja: os interesses dos professores sempre colidem com uma escola de qualidade. 
Partem da premissa, como no caso da licenças médicas, que a regra é má-fé, e por isso, todos devem ser punidos, invertendo o ônus da prova e a presunção da boa fé. Talvez façam tal julgamento tendo como referência a si mesmos, quem sabe?

Vamos desmontar a cretinice, sem deixar de considerar que em alguns casos, pode haver situações excepcionais com a distorção do instrumento democrático de escolha, o que aliás SEMPRE acontece no método defendido pelos cretinos da lapa, através da INDICAÇÃO dos diretores por senhores dos feudos da administração. Na prática defendida por eles é: Bons diretores são exceção, e não regra Ao contrário das escolas com diretores eleitos, onde a regra é que correspondam aos anseios da comunidade e dos profissionais ali envolvidos.

01- As eleições envolvem toda a comunidade e não só professores, o que amplia a integra a direção em compromisso com TODA a comunidade, e não só apenas com o feudo político comunitário ou o governo.

02- A educação pública é um bem de ESTADO e da POPULAÇÃO, e não de governo e suas gestões, ou seja, sua execução enquanto política pública deve adotar critérios e valores que perpassem as bandeiras desse ou aqueles governos, que devem imprimir suas MARCAS pela continuidade do que encontraram de perene, e tornar sazonais ou emergentes apenas correções e, ou inovações que não solucionem a continuidade. administrativa. Logo, a eleição direta atende essa premissa, tanto quanto a estabilidade dos servidores e a exigência de vínculo estatutário para os diretores, que protegem a escola de casuísmos e intervenções descompromissadas com a continuidade.

03- Um exemplo claro disso é um diretor que comprometa sua gestão com práticas de desvio de recursos e verbas. Ora, basta seu afastamento para o governo dizer que adotou a providência punitiva. No entanto, nada impede que esse diretor retorne, após amainadas e esquecidas suas condutas, em outra unidade, como aliás, é a praxe. Se for funcionário efetivo, o processo disciplinar pode aplicar-lhe penas de destituição/perda do cargo, o que funciona como mais um fator de prevenção.

04- O fato de ser servidor nomeado sem vínculo com o serviço público e com a Educação, não o torna, a priori, incapaz de realizar boa administração, mas tolhe o bom e dedicado professor(a enorme maioria)da progressão natural de sua função, desmobilizando e desmotivando-o, ainda mais quando submetido a uma gestão que muda ao sabor dos humores da política eleitoral local. É claro que a gestão política deve suplantar a burocracia, não temos dúvidas disso, mas há um limite para tal assertiva. Interesses particulares e eleitorais de vereadores da base de governos nunca podem ser considerados na gestão escolar, como acontece por aqui, e de fato, em outros municípios do Estado e na própria gestão estadual.

05- As melhores entidades públicas de ensino, ou seja, Universidades, IFFs, CEFETS, e até fundações como a FAFIC, utilizam a eleição para escolher seus gestores.

06- O alegado prejudicial compromisso com os interesses corporativos da categoria podem ser, efetivamente, melhores para a gestão escolar, uma vez que esses interesses, na esmagadora maioria dos casos, coincidem com os interesses dos alunos em benefício da escola de qualidade. 
O contrário, diretores comprometidos com governos, resultou em desastre que assistimos nas avaliações recentes. Tanto da cidade, quanto do Estado. 
Justamente o MAIOR comprometimento com a categoria dos professores que é apresentado por estudiosos como um dos instrumentos para superar nosso atávico atraso. Foi o afastamento dos professores da gestão de sua atividade-fim da escola, EDUCAR, que resultou no desastre.

07- Por fim, há um fato desconsiderado pelos cretinos da lapa, expostos a corrosão que a bajulação ocasiona em cérebros já limitados: Mandatos de diretores são temporários, o julgamento é dos eleitores(comunidade e escola), e gestões ruins serão avaliadas como tais(não é esse o argumento que usam para legitimar as cagadas que fazem no governo?). A eleição de um diretor não DESONERA a secretaria de educação, órgãos fiscalizadores, e por último, a prefeita em pessoa(quando não estiver no palco) a controlar e corrigir as distorções praticadas por maus servidores, ou os erros involuntários, eleitos ou não.

O que se deseja, e os cretinos enferrujados e outras "aves" bajuladoras sabem disso, é desconstituir esse vínculo nefasto de submissão das gestoras escolares aos humores dos senhores feudais comunitários, quer sejam vereadores, ou seus cabos eleitorais, e aproximar a população da administração de suas escolas, integrando-as ao processo de execução das políticas públicas de que são alvo.

Isso, afinal, não é Democracia? Com a palavra, os cretinos da lapa.

Um comentário:

Anônimo disse...

Neste momento 17/09/2011 está havendo um "Showmício" da Prefeita na Comunidade Favela Tira Gosto.

O carro de som em alto volume passou durante toda a semana fazendo anúncio com locutor Felício de Souza dizendo "Rosinha vem aí" e convidando o povo para "obra" nesta favela configurando propaganda subliminar.

Se isso não é propaganda extemporânea eu não sei o que é..

Cadê a Justiça Eleitoral?