terça-feira, 9 de agosto de 2011

Tristes figuras.



Corremos o risco (e o assumimos) de nos tornarmos pessoas chatas. Ranzinzas. Sempre o mesmo assunto, quase sempre a reclamação no mesmo tom indignado. Acredito que de tanto nos indignarmos, podemos nos intoxicar. Se superarmos esse risco, caímos no escárnio dedicado aos alienados.

Pensarão que nossa crença é uma neurose qualquer, e sequer teremos direitos as contradições do gênero humano.

Tem horas que dá vontade de deixar tudo para lá. Fechar essa "botequim eletrônico", ou "alugar/vender" o ponto. Tanta gente de "sucesso", tanta grana, poder, um mundo sedutor, e a chance de ser considerado um "citável", ou "colunável" férias bonitas, dentro ou fora do país, fartura, sedução e charme.

Por que essa gente mal amada e meio maluca continua a lutar contra os moinhos, a imaginar que ali estão monstros que devoram o público e seu patrimônio? O que diria o Sancho que habita em nós?

O que Sancho Panza diria do mais novo escândalo da Prefeitura? De certo que não havia computadores em seu tempo, mas o pior costume de tomar para si o que é de tantos outros é secular, diria até, milenar.

Mas nessa terra ignóbil, cheias de moinhos, o nosso medo é ir além: É descobrir que tudo está mais distorcido que a nossa visão, por mais louca que pareça, e a realidade por trás dela é muito mais grave que nem todo cinismo pragmático de Sancho daria conta de suportar. Poria-se ao nosso lado a espetar os moinhos com lanças curtas digitais.

Até quando o Ministério Público, o Legislativo, as autoridades de toda cepa, e por fim, o povo que constitui e delega a essas autoridades e entes o poder e o mandato que elas detêm, vão fingir que se trata apenas de um simples assalto aos cofres?

Vender e comprar produtos por preços muito acima dos praticados por qualquer comerciante comum não é apenas uma forma de enriquecer empresários e empobrecer o contribuinte.

Não, senhores, há mais atrás desse moinho, muito mais.

Esse dinheiro tem um destino certo, ou vários destinos certos. Trata-se do financiamento das máquinas eleitorais e de outros afazeres dos grupos políticos que estão no poder. Esses recursos servirão para desequilibrar o peso do voto, e depois será jogado na cara da oposição, minguada e anêmica de votos, justamente por não poder comprá-los, como se os governantes detivessem a aprovação e consenso dos governados.

Será difícil identificar os percursos desse dinheiro?

Os moinhos vencerão, ou não serão moinhos?

Leia o texto do Blog Campos em Debate, do advogado, blogueiro-quixotesco Cléber Tinoco sobre o assunto aqui, e descubra se entre a nossa loucura e o cinismo realista há alguma meia medida que resolva nossos problemas.

Por enquanto, para onde quer que se olhe, só vemos tristes figuras.


4 comentários:

Anônimo disse...

Campos ganha mais um representante em Brasília: O nosso "amado Sangue-Suga" que foi eleito com um penico quase cheio de votos, graças à Lei Eleitoral brasileira.
Costurem os bolsos e escondam os cofres e as bolsas, pois aí vem Paulo Feijó.
Que sorte, não é mesmo?

Anônimo disse...

Caro blogueiro.

Por favor , não esmoreça.

Porque o que esse grupinho todo rosinha quer, é reinar absoluto. Eles querem se passar como a melhor opção, comprando a mídia,para tentar enganar aos menos esclarecidos. como sempre fizeram.

Ocorre que mesmo assim, já não estão conseguindo seus objetivos espúrios. Uma boa parte da sociedade e até mesmos,os menos instruídos, já estão percebendo que este grupinho, não é nenhum mar de rosas. Que as suspeitas tem fundamentos.
Apesar de tudo, ainda confio no MP e em parte do Legislativo municipal.

Anônimo disse...

Campos está na m...
A saída para Campos é pela BR101, sentido norte ou sul, pode escolher.

douglas da mata disse...

É verdade.

E o ciclo euforia x depressão continua.

Nessa cidade, e por culpa de nossa apatia e incapacidade, vamos alternando esperança anêmica com desilusão recorrente.

Não se trata de desmerecer por completo nosso sistema político, ou as escolhas populares. Claro que não!

Mas de certo é preciso reconhecer que em nosso caso, a agenda do poder econômico encurralou a possibilidade de REAL alternância de poder.

Confesso que estou bem próximo de desistir, e esse sentimento não é novo. Na verdade, nessa cidade, estamos sempre perto de desistirmos.

Nos tornamos assim, olhando para nós mesmos, cada vez mais tristes.

Um abraço.