quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A república do Bartolomeu Lyzandro.

O tiro no pé mais famoso da nossa História política é o da Rua Tonelero, em Copacabana. O corvo lacerda, alvo da ação desastrada dos jagunços de Getúlio, escapa com um tiro no pé. Morreu o Major Vaz, imediatamente alçado a condição de mártir da República do Galeão, ajuntamento militar-civil udenista e golpista. Os ingredientes do golpe estavam lançados, e o tiro no pé de lacerda ricochetearam no peito suicida de Getúlio.
A ninguém é dada a certeza se Getúlio sabia ou não. E isso tinha pouca importância. Se fosse um atentado provocado por qualquer outro desafeto de lacerda, e não eram poucos, a culpa recairia sobre o Catete. Getúlio sabia disso.
Sabia disso o Anjo Negro, Gregório Fortunato, seu mais fiel e próximo colaborador, misto de segurança, ajudante de ordens e "chefe de gabinete".
Pelo menos é essa versão que consta na ótima biografia de Gregório que acabo de ler, da lavra de José Loureiro, O Anjo da Fidelidade, a história sincera de Gregório Fortunato, editado pela Francisco Alves.

Tempos dramáticos aqueles.

Metaforicamente, o tiro no pé de lacerda atingiu de morte o governo varguista.

Hoje, nessa planície lamacenta, o tiro na procuradoria pode ser, também, um tiro no pé, mas por motivos distintos. Nem os oposicionistas detêm o gênio e a verve lacerdista, canalha, mas eficiente, nem tampouco os governantes detêm o engenho e a grandeza de Getúlio. Como sempre, a História não se repete, a não ser pela farsa.

Eis a nossa.

Longe de mim opinar sobre os rumos da investigação do tiro disparado contra as instalações da procuradoria da pmcg. Não é meu feitio, e seria deselegante com os ótimos colegas policiais civis, que se responsabilizarão por elas(as investigações), a mando da eficiente Autoridade Policial, adjunta e, ou titular.

Mas nesses casos, quando não há nenhum fato ou circunstância que aponte indício algum, mandam os manuais de investigação que comecem as apurações, justamente, traçando um perfil do alvo, suas relações, desafetos, etc.

Ora, a procuradoria é um órgão institucional que se relaciona com os administrados, servidores e contratantes ou prestadores de serviço da pmcg, através de pareceres, ações administrativas, judicial e outros expedientes formais, protocolados e documentados.

Afastadas as possíveis relações passionais e ameaças pessoais relativas a servidores, de cunho pessoal e privado, restam estas possibilidades da procuradoria ser o alvo por causa de sua atuação pública.

Ou seja, se for verdadeiro o atentado, e não mais um factóide produzido(criminosamente, inclusive) pelo bando da lapa, é provável que algum movimento da procuradoria ou da administração tenha desagradado alguém ou alguma empresa.
Pelos contratos, pareceres e processos que deve começar a investigação, e deve a procuradoria fornecer a polícia TODA a documentação em cópias, para que os relacionados ali possam ser inquiridos e investigados.

Até quem entende pouco ou nada de investigação e combate a criminalidade como um bombeiro militar pode deduzir isso, e solicitar ao procurador que disponibilize os papéis a polícia.

O problema é a polícia descobrir nesses documentos mais do que desejariam as supostas vítimas. Seria um tiro no pé.

Ahhh, e para melhorar a analogia pobre com aqueles tempos, temos também, agora, o nosso "mar de lama".

Um comentário:

Anônimo disse...

Meses atrás tiros na traseira do carro onde viajava nosso primeiro damo, na cidade de Cabo Frio. Ninguém foi atingido.

Agora tiro na vidraça da prefeitura, ninguém foi atingido também.

Será que as munições estão tão baratas assim, para serem desperdiçadas deste modo? com a palavra os policiais, que suam a camisa para comprar as munições que estão caríssimas.