domingo, 7 de agosto de 2011

Chevrolet Omega Fittipaldi: propaganda é a "alma" de qual negócio 2?



Assim como no texto aí debaixo, outro exemplo de associação de comportamento de risco com um produto.

Em um país com 30 mil mortes no trânsito, parece humor negro falar em performance, exaltar a velocidade, nas mãos de um piloto, materializando o sonho e a paixão do brasileiro pelo esporte, que acaba por nos "tornar peritos" em outro: morrer na direção de carros!

Vale ressaltar a hipocrisia da mensagem que contradiz a própria ideia: Como "separar" e entender que o "teste" é feito em condições seguras de uma pista, e com condutor profissional e treinado, se o filme quer que você se sinta no lugar dele e compartilhe a mesma emoção(velocidade), com a falsa sensação de segurança?

Como já citamos em outras postagens acerca da propaganda de bebida: Como pedir moderação e evitar a direção se quem bebe quer, justamente, perder a moderação e alterar sua capacidade de enxergar a realidade?

A propaganda de carros e a indústria só vai começar a entender isso quando os tribunais começarem a vincular objetivamente a responsabilidade dos fornecedores (como prevê o CDC), e onerarem indenizações pelos danos causados pela indução de um comportamento associado ao produto que vendem.

4 comentários:

Anônimo disse...

Em outras palavras você está incitando o consumidor à "indústria do dano moral"?

Anônimo disse...

Caro Douglas,

Esse assunto muito me interessa, e já acompnhaei neste blog outras análises relacionadas muito interessantes.

Acredito que a dificuldade de debater este assunto reside no vínculo direto que a propaganda possui com a mídia(empresas privadas), e esta, de forma umbilical, com o sistema capitalista.

Como você mesmo disse, a propaganda no Brasil carece de regulamentação, mas como falar em regulamentação, se para eles a idéia de regulamentação pode atrapalhar os lucros? Sem falar na gritaria de censura.

Nas suas duas últimas postagens, você cita os acidentes de trânsito e o alcoolismo, mas é bom lembrar também do problema do superendividamento da população, que está diretamente relacionadas as ofertas escandalosas de crédito fácil em instituições financeiras e ao "incentivo" das propagandas ao consumismo.

Doulgas, eu realmente não sei, mas não será que é o sistema que tem que mudar? Ou você acredita que "eles" estão dispostos a aperfeiçoá-lo com outras visões de mundo?

Abs,
Paulo Sérgio

Anônimo disse...

O importante, e a única preocupação é o lucro! Os consumidores são números e apenas mais um peça desta engrenagem.

douglas da mata disse...

Paulo Sérgio,

O que a sociedade tem que criar é uma noção que não há interesses acima dela, e que cada atividade deve responder na medida dos danos que causa, senão é possível evitar que esses danos ocorram.

Não se trata de censurar propaganda ou impedir o acesso a bens de consumo e ao conforto, enfim.

Mas deixar claro que cidadania está além do consumo, e que o espaço público deve prevalecer sobre o desejo de satisfazer nossa expectativa de usufruir do nosso direito de propriedade.


Ao outro comentarista,

A tese da indústria do dano moral assemelha-se a "indústria de multa".

Geralmente quem reclama é quem pratica as infrações. Resultado: continuamos o país do vale tudo, do sabem com quem está falando, morrendo aos milhares no trânsito, quase todos jovens e boa parte bêbada.

Logo, ao desejarem "prevenir" o que chamam de "indústria" disso ou daquilo querem jogar fora a água e o bebê juntos.

Sob o falso argumento de proteger alguns dos supostos abusos, mantêm a prática, eles mesmos, das infrações que prejudicam a TODOS.

É claro que os excessos punitivos devem ser evitados, mas é a sociedade e os poderes que ela institui, como o Judiciário e o Legislativo, que devem fazer isso, e não o mundo corporativo, ou o interesse privado.

Deixar de relacionar as responsabilidades dos fornecedores com os produtos que vendem através de mensagens publicitárias que motivam comportamento de risco é um absurdo, na medida que essas mesmas empresas reconhecem o potencial lesivo do que vendem quando colocam as tarjas de aviso e recomendações, que sabem de antemão ineficazes.

Afinal, como sugerir a moderação no uso de algo que você já sabe que pode causar dependência, ou como falar em segurança no trânsito quando você vende performance?

Essa é a boa e velha hipocrisia corporativa que alimenta a nossa própria: matem e cassem traficantes, mas permitam que cervejarias falam propaganda em horário matinal/vespertino para crianças e adolescente, mostrando que por uma cerveja vale à pena até ser mordido por um tubarão, ou pular de um avião sem pára-quedas.

Ou seja, compre nosso produto e leve consigo uma boa dose de comportamento suicida. E deixe o prejuízo, é claro, para TODOS os contribuintes paguem, os que compram/consomem e os que nunca colocaram um copo de cerveja na boca, ou que nunca comprarão um bólido possante, máquinas da "indústria de estatísticas de mortes violentas".