quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Poupar para dividir.

Nós já escrevemos sobre isso. O post é Na terra da adivinhação. Ninguém pode dizer ao certo a quantas anda o caixa da prefeitura, os níveis de execução orçamentária, se são sinceras as precauções, e pior, o que motivou o contingenciamento.

Nós não podemos dizer o que acontece, por falta de transparência, mas podemos imaginar o NÃO acontece:

1. Não há, nunca houve, nem nunca haverá qualquer método de gestão que implique em atender as demandas da coletividade e do bem estar comum. O que há, sempre houve e sempre haverá é uma engenharia financeira que permite arrecadar e alimentar a máquina eleitoral do grupo que está no poder.

2. Esta engenharia pressupõe a manutenção de uma base de aliados cada vez mais ampla, e por isso mesmo, cada vez mais instável e "faminta" por verbas públicas. É só olhar para o caso da imprensa local.

3. O discurso da crise é oportuno. Afinal, ninguém, nem os mais renomados especialistas e doutores em economia são capazes de gerar mais do que meras expectativas, baseados em cenários pouco confiáveis. Caso contrário, não estaríamos(o mundo todo)nessa quebradeira e medo. Ninguém sabe qual a medida de poupança que se deverá fazer para enfrentar a "tal crise", e qual o alcance e a natureza dos efeitos que ela surtirá aqui. Podem nem ser tão profundos e nem tão maléficos, até porque,alguns acreditam, como eu, que não se trata de uma crise estrutural, mas um deslocamento irreversível do eixo da hegemonia capitalista, que será lento, mas como disse, sem volta. O Brasil pode sair muito mais forte dessa segunda perna do "W" (double dip crisis, nas palavras de Nouriel Roubini)do que já está.

4. Dizer que há uma crise, como fazem os patetas da lapa, e como replicam seus jornais de coleira, é uma maneira simpática de dizer que haverá uma rearrumação nas prioridades dos pagamentos, e os aliados mais próximos deverão hipotecar toda a fidelidade possível, cada vez mais, sob pena de quebrarem.

5. É preciso considerar que não é só a aproximação das eleições que faz a prefeita-cigarra e seu marido-prefeito apertarem os cintos. Claro que já estão prevendo os enormes gastos de campanha, e os sinais da população, repercutidos pela blogosfera já revelam isso. Mas há algo mais grave e importante. As eleições municipais são um ingrediente chave para a pretensa volta do chefe de quadrilha (condenado pelo artigo 288) ao governo estadual, e sendo assim, nosso Orçamento e nosso dinheiro serve não só a máquina eleitoral daqui, mas alimentará aliados ao redor do interior do Estado, pois uma premissa para obter sucesso nas eleições estaduais é contar com um número grande de bases eleitorais municipais: prefeitos e vereadores.
Basta olhar para o perfil das terceirizadoras e para os fornecedores de bens da prefeitura. Essa tendência aumentará.

Quem vai financiar a campanha do prefeito de Parati, São Gonçalo, ou Duque de Caxias, dos aliados do deputado-prefeito, é você, meu caro eleitor-contribuinte campista.

E como dinheiro não nasce em árvore, é você quem vai ficar sem médico, professor mal pago, sem rua, em suma, sem serviço público.

Portanto, alegre-se. Essa é a verdadeira re-divisão dos royalties. Com essa possibilidade, nem precisa mais o Ibsen Pinheiro se preocupar com a gente.

4 comentários:

Anônimo disse...

Você deve ser um louco e, provavelmente, está delirando.
Gostaria de poder acreditar no que escrevi acima, mas infelizmente o seu post é muito mais realista.

Nascimento Jr
nascimento.jr@bol.com.br

douglas da mata disse...

É por isso, meu caro Nascimento, que Foucault já dizia que "categorizar" a loucura é um serviço ideológico tão caro à dominação:

Loucos não são críveis, ainda que falem a verdade.

Um abraço.

Anônimo disse...

Só cego não vê.

Este Royalte recebidos por nossa cidade , a continuar os fatos recentes,certamente ficará comprometido.

A redivisão dos Royaltes estará praticamente garantida e os culpados, os instruídos de Campos sabem muito quem serão eles(os culpados). Inclusive os dois grupos estão juntos. O grupo do prefeito anterior e o grupo do casal rosa. Depois não reclamem que a culpa, foi do pessoal de Brasilia e também não botem o nosso povo de Campos, para protestar em caravanas de ônibus, até Brasilia, por que os culpados todos estão vendo antecipadamente, são os mesmos.

Anônimo disse...

Infelizmente a materia é a pura realidade.
A crise não é propriamente financeira nem de gestão e sim estratégia eleitoral, afinal as eleições neste país a cada ano ficam mais caras e as ambições da famíla garotinho tb