sexta-feira, 12 de agosto de 2011

A planície do sucesso.

Algumas pessoas têm uma noção estranha de sucesso, afinal, nunca militaram ou trabalharam nada além dos limites dos feudos de papai e mamãe.

Colocadas no mundo real, onde pessoas mal sucedidas (ou na linguagem paulista: diferenciada) têm que brigar pela sobrevivência, porque não têm privilégios, os donos do sucesso não durariam três segundos.

Se subtrairmos os ancestrais, nada fica. Sem emprego, sem profissão, pouca qualificação, nenhuma fonte de renda. Principal função na vida: ser filho de alguém. Têm sucesso, mas quem deu?

São casos que povoam nossa política, nosso empresariado, comunicações, enfim, todos os escalões de nossa "fauna social".

Logo, é comum que sucesso, para quem sempre teve tudo à mão, sem nunca ter que lutar por isso, seja reduzido a uma questão pecuniária, status e a posição social.
Ainda que os meios alcançados para tanto deixem um rastro de dúvidas e suspeições que não resistam a um exame ou auditoria independentes nas contas, nem uma olhada acurada do Fisco ou do Ministério Público.

Nem citemos o ônus moral de viver às custas do dinheiro público. É possível que agora, cevados pelos favores governamentais, desde os tempos de fundação, os (tu)barões da mídia local consigam andar sem usar as muletas públicas, as secretarias de comunicação de prefeituras regionais, de onde sempre praticaram o mais vil e oportunista sistema de chantagem e assassinato de reputações, ou no popular: criar dificuldades para vender facilidades.

Mas o hábito deixa a boca torta, e ainda que não precisem(mais) funcionar como partido político, a cobrar pedágio das administrações, mantêm forte os vínculos com o Erário.

Outra vez é preciso dizer:
Pouco nos importa suas vidas pessoais e suas incapacidades para andarem com as próprias pernas. No entanto, isso passa a ser problema nosso quando o mimo que recebem de papai e mamãe é feito com dinheiro do contribuinte, para divertir seus filhos, permitindo que brinquem de Rasputin da política local, que aliás, decide o nosso futuro e o nosso dinheiro.

Não é problema nosso, por exemplo, a vida ou os amigos do filho da prefeita, mas é de interesse público e das autoridades sabermos se andam com bens de amigos que contratam (de forma milionária)com a administração, e o porquê. É de interesse público que esse filho, que é presidente da seção local de um partido, explique como mantém seu (alto)padrão de vida, sem trabalhar.

Por outro lado, na esfera privada, não nos cabe questionar as escolhas pessoais ou a linha editorial de um jornal, ou o estilo de vida de ninguém, e nem o seu sucesso. Porém, usar nosso dinheiro, manipular a informação, acumpliciar-se com a sangria dos cofres públicos, para depois nos dizer que obtiveram sucesso deve ser alvo de todo nosso interesse. E nossa repulsa.

É possível que eu, ou você, meu caro leitor, tenha inveja do conforto, das viagens, enfim, do sucesso deles? Claro!
Mas com certeza, eu e você, que compartilhamos o debate nesse blog mal sucedido não temos é inveja do modo como alcançaram esse sucesso.

Você gostaria de ser um empreiteiro de sucesso da planície? Um dono de rádio ou jornal de sucesso na planície? Um secretário de sucesso do governo telhado de vidro ou cinqüentinha? Um usineiro escravocrata e  criminoso ambiental de sucesso?

Então, que permaneçamos mal sucedidos.

O que esse pessoal tem que aprender não é o que o sucesso incomoda, mas a forma de alcançá-lo, e nessa planície, infelizmente, o sucesso de uns causa sofrimentos e miséria de milhares de outros.





4 comentários:

Anônimo disse...

Viu?"Pagamentos aos hospitais-Porque quando sai na Folha a coisa acontece!" É o cúmulo da arrogância!!!!!

Anônimo disse...

digna do jornal a hora

ANDREA disse...

Eles crescem a custa da miséria desse povão, que sem instrução e através de muita lavagem cerebral da velha mídia, são induzidos a votar erradamente nesta corja de oportunistas que estão com o rabo cheio de grana.

Anônimo disse...

Prefiro ser um verme, à viajar às custas desta miséria...