quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Pequeno conto de lama.

Era uma vez um menino de um bairro pobre de uma cidade pobre. Queria ser famoso, falar as multidões, e tinha o dom. A cidade ficou rica, o menino ficou famoso, falava às multidões, mas jurava que ele continuava pobre. Até aí tudo bem, pretender ser mais pobre do que é, pode ser encarado como uma prova de humildade, ou cretinice, mas o julgamento dos adversários não importava. O povo o amava, e isso é que importa, pobre ou rico.
O menino sonhava em ser presidente. E sonhos são normais, e guiam nossa vida, nos dão objetivos, nos impulsionam.
O problema é quando sonhos viram delírios, e aí, nada mais importa senão a tentativa de tornar um sonho impossível em realidade.
Como não se realiza o sonho, toda a realidade em volta vira mentira, para suportar o fardo de sua não realização.
Manias de perseguição, paranóias, manipulação, controle de tudo e de todos. Nada escapava ao delírio do menino, e sua certeza de que se não era presidente, algo ou alguém o tinha impedido até então. E como não sabia bem divisar o que era esse algo ou alguém, tudo era inimigo, tudo era obstáculo. Na verdade, ele sabia que era presidente, só as pessoas é que não se enquadravam, e o tratavam como tal! Um acinte!

Durante um tempo, essa lógica, sem qualquer lógica, era considerada obstinação, força e motivação. Depois, como todo vicio ou desajuste, virou transtorno, de comportamento e de relacionamento.

Passou a viver o personagem que imaginava para si, a ai de quem não cumprisse o papel que ele determinava em sua psiquê doentia.

Um  belo dia, apanhado com a mão na massa, sem ter como explicar o inexplicável, sem poder culpar outro, senão a si mesmo, o menino teve a brilhante ideia: auto-imolação pública em um greve de fome, assumindo para si o martírio santo de violar o corpo para desagravar uma injustiça, e quem sabe, salvar seu povo dos pecados que todos cometiam, menos ele, é claro. Um messias. Quem não acreditaria em tamanho sacrifício?

Não durou a farsa.

Tempos depois, flagrado de novo em maus lençóis, lançou mão de nova greve de fome.

Essa verdadeira. Ficou dias sem comer, e ninguém se importava. Ele, enfraquecido, definhando, imaginava: Ninguém vai me ajudar?
Nada. Na rua todos diziam, que nada, aquilo é maquiagem, a magreza é efeito de computador(photoshop), é tudo mentira!
Não tinha mais força para gritar o menino, estava fraco demais, mas ninguém, nem seu médico de confiança lhe dava mais confiança alguma.

Ao final do 14º dia de jejum, morreu o menino que queria ser presidente. Vítima da sua própria boca, desta vez, sem palavra alguma.

2 comentários:

Anônimo disse...

O menino não morreu, apenas perdeu a máscara. Agora sabemos que se tratava de um garotinho, um garotinho malvado, muito malvado.

Nascimento Jr

Rangel disse...

Essas mutretagens, essas maquinações desse menininho, Só não vê quem não quer.

Gente, será porque que esse menininho não cresceu?