domingo, 21 de agosto de 2011

Pagou e não viu.

Mais novo e recente evento da planície, mas que já vem com o cheiro de mofo, embolorado pela repetição: A briga do deputado gafanhoto, que representa a prefeita-cigarra, com o jornal de coleira da região.

Claro, o roteiro já vem ensaiado e todos nós sabemos o final.

As bravatas se ouvem ao longe, mas são vazias de qualquer significado. A fábula do escorpião e do sapo se repete, mas nesse caso, não nos é possível saber quem é sapo ou quem é escorpião.

De um lado, o deputado-gafanhoto a expor o mensalão da midia, de outro, a midia comprada a se debater pelo aperto da coleira.

O simplismo desesperado de explicar o inexplicável, ou seja, a submissão que fazem de sua linha editorial para atender os interesses comerciais, e nunca o contrário. Desse jeito, procuram nivelar como iguais as relações com diferentes níveis e esferas de poder.

Como o secretário de (des)governo que pretende comparar Dilma com sua chefe, o jornaleiro(*) de coleira,  no campo da comunicação social, quer nos convencer que governo federal possa manter a mesma relação promíscua que o governo municipal mantém com eles, e ameaça: Paguem para ver.

É justamente isso: Pagar para ver. Haveria, aos de bom senso, uma natureza distinta nessa frase para os dois níveis de governo. No entanto, para os que só medem os outros por sua régua pequena, é tudo igual. Só dessa maneira explicam a si mesmos e anestesiam a dolorosa percepção de suas indignidades.

Não enxergam, não poderiam e, ou não querem enxergar que o governo Dilma "paga" para que a publicidade oficial alcance os mais longínquos recônditos desse país. E nem importa muito(mas deveria, é verdade)a qualidade desses pasquins de interior, e sua postura dúbia em relação a Democracia. Aqui, no governo Dilma, reside uma ideia, um princípio: A pior imprensa é melhor que imprensa nenhuma. É por isso que jornais de embrulhar peixe podre ganham algum por aqui.

Quando descentralizou, através da política de comunicação social, do então ministro Franklin Martins, a verba de publicidade oficial da administração direta(ministérios, superintendências, etc), em uma estratégia coordenada com autarquias (Petrobrás, por exemplo), empresas públicas, fundações e outros entes da administração indireta, o ministro apostava na diversidade e democratização do acesso a informação, permitindo que pequenos jornais regionais pudessem ter acesso a um dinheiro que antes era dado como favor a empresários e não direito a informação do cidadão. Deu certo.

Desacostumados a essa noção, os jornaleiros que embrulham peixe podre entendem que toda relação mídia X governo é pautada pela submissão, e jogam no ar a ameaça diversionista, para esconder o que têm ocupado suas noites de insônia: Para sobreviver, tiveram que comer na mão do deputado-gafanhoto, que como sempre, expõe ao ridículo quem lhe dobra a coluna, ou nesse caso, várias "colunas".

Não, não, não meu caro e raro leitor, o governo Dilma, continuação do governo Lula, herdou a mesma noção: Não pauta o governo Dilma a verba de comunicação social pelo apoio ao governo, pois estão lá essas verbas nas folhas, nos globos, estadões, e canais de TV e rádios, ferrenhos partidários dos opositores, que chegam às raias da deselegância. Está lá o dinheiro público da verba de publicidade,às vezes em quantidade maior que nos chamados veículos simpáticos.

A diferença é que os pequenos, ao redor do Brasil, também começaram a fazer parte desse jogo.
Os pequenos, como um de nossos jornais locais, que agora cospe nesse prato democrático que come, e que antes só viam as migalhas, corretadas por deputados e outros barnabés federais que cortejavam com notinhas e algum espaço.

E resta assim, o ridículo da arrogância no tom da ameaça, afinal, é bem provável que Dilma e seu governo precisem muito menos do apoio de jornalecos de interior, de forma isolada, que esses precisem do dinheirinho que recebem do planalto. Mas o cacoete da chantagem editorial permanece em quem sempre tratou o que apura como moeda de troca.
Fanfarronice, pura e simples, que talvez só surta efeito nos petistas de coleira que mantém para lustrar a (falsa)imagem de democratas.
Uma canelada descortês nesses quadros que cumprem esses triste papel de conteúdo para veículos da anti-democracia, e que recebem em troca do bom comportamento um carão público. Mas enfim, se merecem.

Já a relação com o governo local, os jornaleiros de embrulhar peixe podre têm razão. É uma relação onde quem paga espera apoio irrestrito, aplauso fácil, e submissão editorial. Na planície lamacenta, quem paga quer ver apoio inconteste.

Quem se vendeu também sabia dessa expectativa, porém, ao dizer que não aceita tal premissa, nossa dúvida: Por que o contrato? Alguém mudou? É sincera a esperança que algum dos lados mudaria de conduta? Claro que não.

O que houve foi a junção da fome do jornal(por verbas públicas) e a vontade de comer do deputado-gafanhoto(a oposição).

Nesses últimos meses, qualquer leitor, ou estudante de comunicação social mais curioso, poderão fazer um levantamento da linha editorial do referido jornal e a prefeitura e administração. Desde o "acordo" aflorou um jornalismo dedicado ao contraditório, um crítica desapaixonada, uma quase isenção, coroada com colunas e artigos de próceres do governo, fato até então impensável.

Não foram raras as vezes que aliados e colaboradores de primeira hora do governo atual foram a público em blogs, jornal rival e rádios para desancar a linha editorial que hoje abriga esses mesmos personagens.

Não foram raras as vezes que o jornal em questão se dedicou, com afinco, e pouco talento, a massacrar e dizimar a reputação dos governistas de agora, apresentando a pior estirpe do mercenarismo de redação.

E por que os atritos agora?

Bom, eu dou meu palpite, pois em relações obscuras só os contendores podem dar a certeza do que se passa. Resta-nos a diversão da especulação:

Ora, o deputado-gafanhoto percebeu que está gastando dinheiro à toa. Que o "acordo" feito não significou mais apoio junto à sociedade, não ampliou sua base de consenso, nem seu capital político, que é considerável, mas chegou a um ponto complicado: Não avança, está no limite, e agora só pode ser corroído, sendo que a velocidade depende da capacidade de comunicação da oposição.

Essa capacidade está muito, mas muito aquém do desejável, pelo menos, organicamente falando, mas um dado é relevante: Na blogosfera, o único local e instância que pode expandir(sim, mais ouvintes de rádio e leitores de jornal não serão conquistados), o governo, os jornais e empresas de mídia levam de goleada, em todos os quesitos: quantidade e qualidade. Temos um fato: leitores de jornal, ouvintes de rádio e espectadores de TV migram para a blogosfera e outras redes sociais, o contrário não acontece, ou ao menos, não com densidade que mereça análise.

Resultado: Desespero e baixaria de ambos os lados: Os jornaleiros porque não têm mais relevância para vender, e do deputado porque não alcança espaço em uma instância de comunicação que o repele. O reflexo desse sentimento de incômodo podemos observar na asquerosa junção de moscas com peixe podre.
Óbvia. Previsível. Risível.
Outros dados que por aqui nos passam quase despercebidos: Jornais encalham nas bancas, a audiência da TV, (ver números do IBOPE)da líder rede globo despencam, mas não há um crescimento correspondente das concorrentes, logo, essa audiência está indo para outro lugar. Onde? Responda você mesmo, caro e raro leitor.

É hora de apertar os cintos, parece que o mensalão da midia vai secar novamente, e ressaltemos, antes que tentem de novo, lá na frente:
Nesse caso, não há como ter acordo, não pela natureza do que negociam, mas pelo simples e cristalino fato de quem nenhum dos lados cumpre sua parte, nenhum dos dois merece confiança.



PS: Nada falamos em relação a cabral. Não precisa, é só a reprodução ruim e ampliada dos vícios do seu mentor político, o deputado-gafanhoto, de quem herdou a cadeira nas Laranjeiras.




Nenhum comentário: