sábado, 27 de agosto de 2011

O que deveria fazer um coordenador de segurança municipal 2?

Esqueci de alguns pontos que não poderia, e aqui entra um pouco minha vivência nesse horrendo mundo das delegacias: As mulheres, crianças e adolescentes em situação de risco social. Vamos encerrar o tema, e completar o que falamos na postagem que você pode ler aqui.

Claro que um coordenador de segurança não pode TUDO, ou resolver todos os problemas. Mas o conceito moderno que vige na administração da segurança pública é a gestão integrada e transversal, baseados no enfrentamento dos conflitos sociais de forma ampla, e não só focada no combate ao crime, até porque, por óbvio, se já aconteceu é porque falhou a prevenção desejada.
Esses princípios devem ser aplicados para além das peças de propaganda oficiais.
Partindo dessa premissa, as prefeituras têm importância maior do que consideramos nessa problemática.

Se quisesse trabalhar e contribuir com o governo, poderia o coordenador sugerir e, ou trabalhar por:

01- Uma política integrada de acolhimento e atendimento social, unindo serviço social, saúde e profissionais da educação que seriam treinados e preparados (a partir de suas experiências e não como imposição) para atuarem junto a sociedade para identificar crianças em situação de risco social iminente, potencial ou imediato. Não basta apenas catalogar para segregar ou punir, mas agir para evitar que tais crianças se tornem clientes das delegacias e presídios, ou pior, dos necrotérios.
Segurança também é um conceito que se aplica não só para punir, como insistimos, mas antes para evitar que tais crianças e adolescentes cometam infrações. É o básico prevenir para remediar menos, que a prefeitura e uma "pasta" de segurança pública poderiam contemplar. Se não aceitarmos tal premissa por ideologia ou solidariedade humana, fica o pragmatismo: É muito mais barato, e muito menos traumático para todos.
Há verbas e programas federais e internacionais para financiar tais iniciativas municipais, desde que gozem de credibilidade, conferida por projetos sérios, amplamente discutidos e apoiados pela sociedade civil. Resta competência e coragem para fazê-los, mas acima de tudo, vontade.

02- Para crianças, adolescentes e mulheres em situação de vítimas de violência e abuso há um gargalo público municipal que é inaceitável: Mulheres e seus filhos vítimas de abusos e, ou violência doméstica, não raro são obrigadas a voltar ao ambiente onde coabitam com o agressor, porque não há abrigos ou vagas que as acolham e lhes deem condições de superar a dependência econômica que as submete as agressões (como políticas de formação e inserção no mercado de trabalho, com a exigência de contratação das capacitadas pelas empresas que recebem fundos municipais como contrapartida, por exemplo).
Essa é uma tarefa que a municipalidade, pelo viés preventivo da segurança(nesse caso das vitimas)poderia agir e prevenir, evitando o conhecido ciclo de violência doméstica em sua repetição, em apoio as iniciativas estaduais e federais. Falamos de uma cidade de 2 bilhões de reais de orçamento.

Como disse, há muitas outras coisas, mas o básico é que o coordenador tenha competência para abrir essas frentes de trabalho, e que haja vontade política do governo o qual faz parte de assumir esses compromissos. Quanto a competência pessoal do coronel, eu não posso opinar, mas sobre o governo eu tenho certeza que falta qualquer vontade e competência para de tratar desses temas, e de tantos outros.
Então, para que serve uma coordenadoria dessas, e o que faz lá o seu coordenador?

Está para ajudar a comprar câmeras para vigiar o comércio dos lojistas, que aliás, em sua maioria, podem e devem arcar com os custos da vigilância de seus patrimônios?

Ou para chamar peritos e apresentar ocorrências dos seus chefes nas delegacias ao redor do Estado, funcionando como mero "despachante"?

Caso fizesse o que deveria, nem ia precisar da defesa do editor-de-coleira-chefe.

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