domingo, 28 de agosto de 2011

O desenvolvimento regional?

Não há nada de mais em um jornal ter uma revista dominical para tratar de assuntos relacionados a comunidade, ainda mais quando o tema é o desenvolvimento regional.

Chegou-me as mãos um exemplo da revista homônima ao título, encartada na edição de hoje do pasquim oficial do bando da lapa.

Projeto gráfico razoável, bons textos, e tamanho de letras adequados. Forma bem próxima do ideal. Muito longe da baixíssima qualidade do jornal que a carrega. Trabalho excelente da Patrícia Bueno e sua equipe.

Mas o conteúdo...ah, o conteúdo.

Chamou atenção os anunciantes. Claro a PMCG emplacou anúncio de página inteira no verso da última página, nesse caso.

Nenhum problema. Afinal, se desenvolvimento regional também é um desejo das políticas públicas, nenhum óbice a veiculação dos investimentos da municipalidade no fomento a economia local. Nem entremos no mérito política da subvenção generosas a empresas, sob o argumento da geração de empregos. São empregos caros, a observarmos a leitura do dinheiro investido e a contra-partida oferecida. Mas esse não é o tema central aqui.

Passei o olho nos outros anúncios, no total de 13,a contarmos o da PMCG, onde destacam-se outros dois pelo tamanho: um de uma empresa refeições coletivas e outra de empreendimentos e serviços. 11 são de firmas ligadas a construção e engenharia(empreiteiras).

Vamos as matérias.

Dos 06(seis)tópicos do índice, 04 falam de ações, eventos ou programas públicos, mas apenas um deles, o dos bancos, trata de uma empresa(ainda que pública).
Um deles é também uma análise sobre IFF e desenvolvimento, talvez  único que se dedique a falar sobre desenvolvimento local sem o viés chapa-branca ou sem ligação direta com as ações da prefeitura.

Mas qual o problema, perguntará nosso desatento leitor?

Ora, todos os anunciantes privados mantêm vínculo contratual ou já mantiveram em passado recentíssimo, em contratos milionários, e sobre alguns dos quais pesam fundadas suspeitas de superfaturamento.
A revista só fala, praticamente, das ações do governo.
O jornal onde ela está encartada é de linha editorial semi-oficial, e seu editor-chefe funcionava, até bem pouco tempo, como sub-secretário da propaganda oficial.

Bom, se isso não é conflito de interesses , sujeita a investigação dos órgãos competentes, nada mais é ou será.

Se quiserem aprofundar a curiosidade, é só olhar a relação de contribuição de campanhas eleitorais dos aliados do casal, e quem sabe, das próximas eleições.

Em suma, quem ler a revista vai ficar com  duas impressões, que não estão distantes da verdade: Há uma prefeiturização da noção de desenvolvimento local, e por isso, um domínio das atividades que prestam serviço ou fornecem para o setor público, que pode ser vista pela hegemonia dos anunciantes da revista(ou será cartilha política propaganda-financiamento?).

PS: Para dar um verniz regional, há, na página 15, espremida e minúscula matéria de Quissamã, com ações públicas, é claro, para não perder o mote.

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