quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Mensagem perigosa.

Eu sou um crítico ferrenho, e até intolerante da programação da vênus platinada, expressão maior do PIG. Mas há alguma coisa que preste.

Para além da questão estético-cultural das novelas como melhor, e mais bem acabado produto da nossa indústria indústria de bens culturais de massa(item predileto do blogueiro Ricardo André, um especialista no tema), há sempre que buscarmos as mensagens. Não é mania ou paranóia. Toda obra é uma expressão do seu autor, e traz as mediações(ainda que não propositais ou conscientes) de sua visão de mundo.

A luta pela hegemonia do controle do Estado, sociedade e das vertentes políticas aí inseridas já nos foi bem descrita pelo Gramsci.
De posse dos rudimentos que li, nas orelhas do livros dele, é que penso no seguinte:

A bela produção da novela Cordel Encantado, bem balanceada entre núcleos dramáticos e cômicos, e que diluiu bem a já cansada fórmula bem contra o mal, mocinha e mocinho e amores impossíveis e seus antagonismos, com uma fotografia, direção de arte e trilhas primorosas, embora não consiga escapar aos esgarçamento que a exposição prolongada traga, por submissão aos interesses comerciais dos patrocinadores e da empresa, traz em si, em nossa opinião de espectador, uma mensagem:

Os poderes não são eleitos, ou são ungidos por direito, ou são tomados à força.

A alternância entre esses poderes nunca se dá pela via institucional, e as forças da lei(a polícia, o delegado e os comandantes militares)estão a serviço das conspirações do ditador de plantão, o ótimo personagem Timóteo I.

A restituição do poder legítimo se dá pela união com foras-da-lei, ainda que justos, mas foras-da-lei, os cangaceiros.

A religião está do lado do povo.

Há uma jornalista heroína, à serviço dos justos.


Mais anti-democrático e golpista não há, embora com uma bela e dinâmica embalagem.



E por aí vai.

3 comentários:

Anônimo disse...

Valeu! Agora sim! Haja espaço p colocar os seus textos!!! Rsrssrs...

Anônimo disse...

Cordel Encantado ou cordel de pecados?


O 1º pecado fica por conta dos sotaques, mas uma vez exagerados, estereotipados, distantes da realidade da maioria dos Estados da Região Nordeste. Parece que, para o povo do Sudeste, o único sotaque que prevalece é aquele do baiano preguiçoso, de fala cantada.

O 2º pecado é a indumentária dos “cangaceiros”: passa longe dos trajes usados por Lampião e seu bando. O figurino dos cangaceiros globais está paupérrimo em termos de encantos visuais.

3º pecado: apesar das xilogravuras em movimento, bem no clima da Literatura de folhetos do Nordeste, a música de Gilberto Gil e Roberta Sá não se encaixa bem na proposta.
Para dar mais autenticidade ao folhetim, as vozes mais adequadas para aquela abertura seriam Mestre Azulão ou Oliveira de Panelas. Estes, sim, entendem de cordel, porque são do ramo e conhecem as toadas mágicas dos velhos folheteiros.

douglas da mata disse...

Os sotaques já são um "erro" histórico da globo: pasteurização e padronização de língua e costumes.

Quanto ao figurino, a verdade é que o roteiro(narrativa)da trama é híbrida, e mistura elementos sem um disciplina "histórica". O vestuário é mais uma alegoria.

No entanto, o debate que me chama mais atenção é o conteúdo ideológico da obra.

De qualquer forma, é um bom debate por onde quer que se olhe.

Um abraço.


Ao primeiro comentarista,

Fui procurando e achei a forma de atender seu pedido.

Um abraço.