segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Memória curta.


Severino e Zezé, montados nos animais que adoravam, na mesma medida que o General Figueiredo, que dizia preferir o cheiro das cavalariças ao cheiro de povo.
Foto reproduzida do blog Eu penso que...(fonte original: blog campos foto)

Eu deixei passar um tempo. Antes, afobado e ácido, teria disparado no mesmo instante. Limitei-me a um ou dois comentários nas caixas dos blogs irmãos. Acho que no fim das contas, estou me civilizando, mas ainda não sei definir se isso é bom ou ruim.

Falo das homenagens ao Severino Veloso, que durante uma quase-dinastia "imperou" na Câmara Municipal, e funcionou como um dos bastiões conservadores da terra.

Passada a comoção dos seus, e as manifestações de amigos, antigos correligionários e até adversários, tomei coragem de externar meu pensamento, sempre pela ótica da expressão PÚBLICA da figura, que aliás, é a que interessa ao debate político, ainda mais que não o conhecia, e portanto, nada posso dizer a respeito da pessoa Severino.

Nesses tempos, nada mais interessante que vasculhar nosso passado, para ter alguma esperança de que teremos futuro.

As opções politicas conservadoras de Severino Velloso estão registradas, e sempre poderão ser alvo de julgamentos favoráveis ou críticas. Esse é o legado de quem é figura pública e ocupou cargos de mando, eletivos ou não!

Mas não é esse legado sobre o qual nos debruçaremos. Muito menos o legado de suas façanhas desportivas, dignas de nota e de uma inveja saudável: "quem me dera envelhecer assim", diremos.

É sobre a nossa memória(falha), que revela muito mais de nós, ainda que revestida dos melhores sentimentos nessa hora de dor e solidariedade que me interessa falar.

Eu me recordo que Severino Veloso, antes de nos dar exemplo de amor a boa e saudável vida, pautada pela disciplina e dedicação ao esporte(natação), que eu também pratico e adoro, foi protagonista de um episódio político embaraçoso, já nos estertores de sua carreira política.

Os cavalos, sua outra paixão, foram alimentados, soube-se à época, com ração comprada com verbas públicas da Câmara.

Ora, vocês me dirão que diante dos escândalos atuais, isso é uma ninharia, e mesquinharia de minha parte, ou rabugice ou falta de respeito, citar uma gota d'água como essa frente ao mar de lama e corrupção que nos afoga hoje. Pode ser.

Mas eu tenho a estranha mania de entender os fenômenos, as culturas políticas, os hábitos de um povo dentro de uma perspectiva histórica. E a nossa não é das melhores, ainda que, de longe, os fatos e atos do passado sempre pareçam menores do que são ou poderiam.

Severino, ao alimentar seu animais de predileção com dinheiro público, encarnou, junto com tantos outros, a figura da nossa elite patrimonialista, entranhada no poder, misturando público e privado, adoçando conflitos e relações institucionais com a "cordialidade", tão bem descrita em Buarque de Hollanda(Sérgio).

Assim, ao escrevermos as homenagens e memórias incompletas de Severino, tentamos apagar o que temos de culpa, e talvez o medo de descobrirmos nós mesmos, e quem sabe, superarmos nossa atávica inclinação a espoliação do patrimônio público.

Homenagear Severino, HOMEM PÚBLICO, sem lhe mostrar por inteiro, humano, com acertos, simpatia, mas também com erros e dolos, é condenar outros severinos a mesma morte e vida severina na planície, causada pelos mesmos males, ontem, hoje e sempre.

3 comentários:

Anônimo disse...

Sem falar que à época, presidente da Câmara Municipal, só premiava os animais e categorias nas quais os de sua criação eram vencedores.
Quem participava e frequentava as exposições bem se lembram disso.

Anônimo disse...

Severino foi um serviçal da ditadura militar.

Tipo do político "homem rolha", ou seja, sempre por cima, qualquer que fosse o Governno da situação.


Contribuiu muito para o atraso da mentalidade do povo campista. Aliás, até hoje um povinho mentalmente muito atrasado.

Anônimo disse...

Alguém saberia dizer se esses dois cavalos da foto já morreram?