domingo, 28 de agosto de 2011

A incrível arte de falar asneira!

É cediço que veículo de mídia, qualquer que seja a natureza e o tipo, deve guardar certo comedimento ao comentar tragédias.

Blogs devem ter mais cuidado, afinal, como sabemos, a parcela militante dos blogs, como o nosso, deve ter o cuidado de não misturar a crítica a governantes e grupos políticos adversários, utilizando o sofrimento alheio ou em desrespeito a dor causada por infortúnios.

Os episódios veiculados por toda a mídia, sobre o incidente de Porto Seguro tomou a dimensão correta: Noticiar relações espúrias entre governo e empresários. Havia outros ingredientes pessoais da vida íntima de um dos personagens e de uma das vítimas, que inclusive tiveram outros desdobramentos eviscerados por um ex-governador que só conhece a ética que lhe favoreça. Mas a mídia, corretamente, silenciou.


Hoje o desafio está posto novamente. A tragédia com o Bonde de Santa Tereza nos coloca frente a necessidade de criticar o discurso governamental, sem macular o sofrimento dos parentes e amigos dos vitimados.

Nessas horas, é normal que um ou outro auxiliar, ou até mesmo a autoridade maior, falem alguma besteira. Estão sob pressão, o evitável aconteceu, e recai sobre seus ombros, quase sempre, a exigência de respostas, providências e reparações.
Não há que se queixarem disso, é o ônus do poder do mandato que a população lhe confiou pelo voto.
Mas não cabe a mídia usar de cretinice para tirar proveito.

Porém, não dá para deixar de ler certas declarações infelizes e tecer comentários, ainda mais quando o discurso revela muito mais do senso da autoridade sobre a coisa pública que ele mesmo desejava revelar.

Eis a fala do secretário de transporte do Estado, Júlio Lopes, figurinha conhecida de nossa colunas locais, em meio a narizes, pés-de-porco e feijoadas, peixes e cabeças-de-camarão de paneladas:

“Já sabíamos da superlotação. Essa era uma preocupação minha, pessoal, mas nos deparamos com o fenômeno cultural de Santa Teresa”, disse Lopes.

A matéria do sítio IG você pode ler toda aqui.

Bom, então para que serve o Estado senão para proteger o cidadão, estabelecer regras e consolidar a segurança e a proteção à todos, ainda que tenha que enfrentar a cultura privada do risco?
Será que essa lógica do secretário se aplica aos outros transportes e concessões que estão sob sua (ir)responsabilidade?
Bondes, trens e ônibus lotados, desconfortáveis, inseguros e sucateados são um "gosto cultural" do povo fluminense? Pode ser, mas que cultura estranha essa, não? O governo concorda com ela? Não tem poder, nem força legítima para proteger seus cidadãos, ainda que deles mesmos?
Se assim for, para que a polícia nas estradas? Correr de carro também é "cultural".
Muito menos lei seca ou blitzen, pois beber e dirigir também é "cultural", aliás, como provou o subsecretário do estado responsável pela fiscalização da lei seca, e também responsável por mais uma tragédia provocada pela bebida e direção.
Diante de tamanha confissão de incapacidade e incompetência, só nos resta dizer: É cada um por si, e Estado contra todos!
Ao Ministério Público, Delegado de Polícia e demais autoridades responsáveis pelas apurações, a inequívoca declaração de culpa, que encurta a necessidade de maiores diligências.
Sabiam, eram capazes de prever o resultado e assumiram, pela omissão, o risco de produzi-lo.
Fica só o problema jurídico de definir se estamos diante do dolo eventual ou da negligência culposa.

O secretário Júlio deveria ficar mexendo cabeças-de-camarão nas paneladas em Grussaí, pois como secretário deve ser um ótimo cozinheiro.

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