domingo, 7 de agosto de 2011

Domingão na planície de lama!

Toda vez que um jornal começa a seu auto-elogiar, ou a reivindicar suas "qualidades", é porque tem alguma coisa errada. Aliás, em se tratando do PIG, seja no Brasil ou nesse pântano, sempre tem algo errado.

Por estranha coincidência, solidariedade genética ou mimetismo provinciano mesmo, os jornalões andam a desfiar suas vocações democráticas (que não acreditam) e manuais de bom jornalismo (que nunca praticam), dando a nós, entre surpresos e divertidos, a sensação de que o cinismo não tem limites.

Afinal, se sabem como fazer, se escrevem laudas e laudas (impressas ou eletrônicas) das "códigos intuitivos" de ética, por que não o adotam como conduta?

Nesse pseudo "inventário-moral", apresentam-se como se fossem dependentes, buscando alguma recuperação. Dependentes em mentira, manipulação e dinheiro público em uma sala de tratamento do tipo auto-ajuda.
Porém, mais uma vez, de frente para seus problemas, ao invés de admitir e alterar suas escolhas, pretendem continuar com elas e esperar resultados diferentes. Não dá.
Por isso, ficam cada vez mais raivosos, atacam e disparam para todos os lados, refletindo nos outros uma culpa que é só deles.

Se a blogosfera tem tanto espaço, ou se há uma fuga ou compartilhamento do público, e a correspondente diminuição do poder que mantinham, é porque havia condições para tanto.

Alguém imagina que um blog ou um site qualquer, com seus limites e precariedades, sua falta de estrutura e poder econômico pudesse rivalizar com alguma grande empresa de mídia, se ela tratasse o seu "produto" (informação)de forma correta e na direção dos anseios desse público? Claro que não!

Antes de falsear a verdade para os outros, enganam a si mesmos.

Nesse jogo, não sabem, ou fingem não saber que a única possibilidade de "tratamento" para a compulsão que  os move(a droga do monopólio da informação em nome da manutenção de poder e privilégios) é a completa abstinência, como em qualquer outro tratamento eficaz de outras dependências.

Não se assustem leitores.

Cada vez mais, a midia tradicional vai espernear mais e mais, estreitando seu discurso, procurando nichos cada vez mais monolíticos, onde possam manter seus interesses. Outros vão tentar diluir e mascarar seus interesses de enquadrar a realidade dentro de um viés que lhes favoreça, apresentando tantas e tantas possibilidades que nunca será possível ao leitor orientar-se. Assemelham-se àquelas lutas mexicanas fake, ou o nosso telecatch. Divertem, mas tudo é só forma, sem qualquer conteúdo.

Leiam esse texto do blog do Brizola Neto, e veja se não poderia ter sido assinado por qualquer jornal ou veículo da região;


“Pratica jornalismo todo veículo cujo propósito central seja conhecer, produzir conhecimento, informar. O veículo cujo objetivo central seja convencer, atrair adeptos, defender uma causa, faz propaganda. Um está na órbita do conhecimento; o outro, da luta político-ideológica”
” (um jornal de informação) noticia os fatos, analisa-os, opina, mas com a intenção consciente de não ter um viés, de tentar traduzir a realidade, no limite das possibilidades, livre de prismas.”
“Isenção é a palavra-chave em jornalismo. E tão problemática quanto “verdade”. Sem isenção, a informação fica enviesada, viciada, perde qualidade.”
Não se precipite…Os trechos acima não são de um trabalho de crítica ao comportamento de nossa grande imprensa. São, ironicamente, trechos de um texto onde, hoje, o jornal O Globo pretende definir o que são suas práticas e sua postura jornalística.
Óbvio que o texto apregoa a ligação das Organizações Globo com os valores liberais, que praticamente reduzem a democracia à liberdade de iniciativa, às liberdades individuais  e à liberdade de expressão das empresas de comunicação, sem uma palavra sequer em realização dos direitos sociais.
Mas nem mesmo como texto liberal pode ser visto como sério ou sincero.
Porque não pode haver sinceridade ou seriedade que não comece com a assunção dos próprios defeitos, com a atitude honesta de olhar sobre si mesmo.
O longo texto, em nenhuma linha sequer exorciza o tenebroso passado de conivência e simbiose das Organizações Globo com o regime militar que, além dos direitos sociais, espezinhou os valores liberais e violou os direitos humanos, à liberdade e àté mesmo à integridade física e à  vida.
E não se diga que isso é passado, porque o império inicia logo dizendo que “desde 1925, quando O Globo foi fundado por Irineu Marinho, as empresas jornalísticas das Organizações Globo, comandadas por quase oito décadas por Roberto Marinho, agem de acordo com princípios que as conduziram a posições de grande sucesso”.
Tudo o que concedem é um breve e vago “certamente houve erros”. Muito pouco para quem se nutriu e cresceu, como um cogumelo, à sombra da ditadura.
A arrogância é irmã da hipocrisia: a primeira atitude de toda desonestidade intelectual é proclamar, pomposamente, o quanto é honesto e verdadeiro.

Um comentário:

Anônimo disse...

Eu jurava que o texto escrito era irônico e sarcástico.
Essa Globo não tem ética com seus jornalistas, e os atiram o tempo todo a arriscarem sua própria vida em interesse de um furo de reportagem, em uma reportagem a todo custo, como aconteceu com Tim Lopes que avisou que estava sendo ameaçado e nada foi feito para protegê-lo, hj eles ficam se fazendo de coitados e prestando homenagens ao cara que eles mandaram para a morte. Eles acusam e criam situações que podem acabar com a vida de várias pessoas sem ao menos se desculparem depois.