sexta-feira, 19 de agosto de 2011

As sombras da crise.

Cada um escolhe a forma melhor para participar de debates. Não há uma mais legítima que a outra. Há escolhas: Os interlocutores, as referências que usa, o a finalidade política ou enfim, o que se quer provar ou quem se quer convencer.

Comumente, o debate sobre economia ou política econômica(esse mais amplo), mascara seus objetivos, sob a clássica tentativa de afastar seu conteúdo ideológico, justamente para que prevaleçam sempre as testes da banca e do grande capital financista.

Se você quer acreditar em uma "ciência" neutra, que proponha o "fim da luta de classes", pois bem, filie-se aos modernos e antenados, como míriam leitão, sardemberg e outras cupinchas da banca, que até bem pouco tempo ignoravam ou negavam o óbvio: foi a ausência de Estado no mercado que fez o mundo quebrar. Agora, dizem que o Estado deve entrar, mais para arcar com o prejuízo. Eram os arautos das agências de rating, os "especialistas", os ditadores da opinião e da "moda" que era ditada pelo Consenso de Washington. Ué, sumiu o dinheiro, sumiu o consenso? Ninguém agora quer professar mais as teses que cagou   como regras e sacrificaram povos e países.
Mais uma vez a cantilena: É só economia, não há viés partidário ou político-ideológico sobre o debate. O capitalismo está ai, blá,blá,blá...Repetem o óbvio para esconder o urgente: O capitalismo enfrenta um deslocamento de eixo grave, e por certo isso nos trará conseqüências, mas não serão as que os porta-vozes da banca anunciam.

Se colocado no lugar certo, o país pode tirar uma enorme vantagem disso tudo. Isso é uma decisão política e ideológica, que um governo de esquerda pode e vai adotar.

Não se trata de discutirmos se o Estado vai ou não funcionar na economia, como querem alguns tolinhos que replicam as asneiras desse pessoal, sem qualquer capacidade de formular um pensamento autônomo, único que seja.
A vaidade não permite se aventurar no erro. O Estado SEMPRE interferirá, ainda que pela não intervenção. A questão central é: Interfere para quem, e para quem. Para salvar a banca, ou para salvar empregos? Para garantir a ciranda financeira autofágica ou para garantir os ativos de países de e deus povos? Para colocar o país de joelhos, ou para afirmar sua autonomia e soberania no tabuleiro mundial?

Há muito tempo o blog fala do Nouriel Roubini, repercutindo suas falas enquanto foi colunista da Revista Carta Capital. Gostamos também do Beluzzo, do Delfim e enfim, do Nassif. São escolhas. Parecem-nos gente séria, e seus carimbos ideológicos não poderia ser mais diverso.

Mas o blog também gosta de ler, interpretar e dar os seus pitacos, afinal, essa é a aventura de blogar, essencialmente.

Você pode procurar e achar no blog vários textos sobre economia, da lavra do blogueiro ou que citam, em parte ou na íntegra, textos das suas referências. É claro, vai discordar, concordar, e achar muita asneira.

Não, aqui você não encontra leitão, merval, sardemberg, a não ser para que sejam esculachados como merecem. Isso é uma decisão política, e não se esconde atrás de conversas sobre o fim do capitalismo ou o alvorecer do socialismo, ou suas desastradas experiências anteriores na gestão do Estado, economia e ambiente político.

Mas o destaque que dou hoje é ao texto repercutido lá no blog do Rodrigo Vianna, O Escrevinhador. Você pode acessá-lo aqui e compará-lo com o texto do blog, A crise em poucas palavras.

Se tiver paciência para leitura verá que não se trata de dar maior dimensão as palavras que ela têm, ou propor uma gincana de referências famosas. Isso é besteira infantil. Blog não é quiromancia, adivinhação ou qualquer outra manipulação chula qualquer. Não vendemos a primazia de nada, muito menos do pensamento.

O leitor poderá ao investigar esses textos comprovar aqui que já sabe: Há uma linha política definida por quem escreve, que pretende convencer ou colocar essa linha como guia do debate. E quem debate gosta de companhia sobre o que pensa ou escreve. Eu me orgulho de estar na companhia do Rodrigo, ou de me influenciar por textos de gente como Nassif, Delfim, Beluzzo ou Mino Carta. Outros preferem ali kamel (ecaaa!!) ou merval. São escolhas. Só isso.

3 comentários:

Anônimo disse...

Douglas, você que sabe de tudo, até inclusive pelo exercício profissional, quem matou Norma e Salomão Haialla?
Não aguento mais a curiosidade e ter que esperar o final das novelas.
Obrigada.

douglas da mata disse...

Meu caro, se eu soubesse de tudo, não estaria perdendo tempo respondendo a uma tolice como essa, ainda que dita com pretensa ironia.

Uma das formas reconhecidas de desqualificar o interlocutor é dizer que ele acha "saber tudo", e por que?

Porque reconhecer que ele sabe algo sobre algum assunto ou vários, é quase sempre confirmar que nós sabemos menos que esse interlocutor.

Veja que eu não tenho nenhum problema em admitir minhas deficiências, e quem nos lê sabe disso, e nos lê por isso.

Mas não vou deixar de dar minhas opiniões por medo da censura ou réplica alheia.

É preciso ser muito arrogante para não dar opinião sobre nada, e só tocar terreno onde se acha "seguro". Ou pior: Opinar de forma mascarada, enrustida, quase querendo se colocar como um narrador de si mesmo. Se isso fosse possível.

Eu prefiro me arriscar, sempre, pois aprendo, sempre.

Quem quer saber o "futuro", ou o fim da novela eu sugiro duas coisas: Consulte o autor da novela, ou algum herculano quintanilha que tem aos montes em nossa imprensa de coleira na região!

Um abraço, e obrigado por me permitir tocar no assunto.

MOISÉS disse...

Caro Douglas.

Eles estão desesperados, por que cada vez mais seu BLOg, e outros independentes conseguem mais leitores. Hoje mesmo, numa banca de jornal, em conversa numa rodinha de pessoas se criticavam prefeita de Campos,uma senhora que disse aposentada, revelou que está participando de BLOGs e o seu foi citado como um dos mais confiáveis. Talves por isso alguns encostados na prefeitura, estejam insinuando desestabilizar seu BLOG.