quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Água mole em pedra dura, ou: Arte da guerra...

A rede blog de Campos dos Goytacazes, forjada no conflito, nos exageros, inerentes a toda transição, onde quem detinha o monopólio da verdade viu seu poder se esfarinhar, alcançou um patamar de maturidade, que se era previsível, surpreende pelo curto espaço de tempo no qual foi atingida, que acabou por consolidar esse meio de comunicação, baseado na emissão de opiniões e publicações pessoais dos seus editores, em uma importante ferramenta de fiscalização da comunidade, e em um instrumento de luta política considerável, ainda que todos que nela militemos enxerguemos seus limites.

Não é presunção ou arrogância dizer que a pauta se inverteu, aliás, como já perceberam estudiosos na grande mídia tradicional ao redor do país: Hoje, é a grande mídia que repercute a blogosfera, e não mais o contrário.

É claro que isso denota um enfraquecimento do jornalismo tradicional, investigativo e indispensável à construção da Democracia. Mas não foram os blogs que decidiram o destino do (mau)jornalismo, mas foram as péssimas práticas acumuladas ao longo do tempo, que agora são desnudadas no evento dos Murdoch e por aqui, com a Veja. Outros tantos virão.

Creio ( e espero)que, lá na frente, um jornalismo renovado ressurgirá, mais contextualizado e atento a necessidade de um relacionamento transparente com seu público. A blogosfera, sabemos todos, não é o fim do jornalismo, mas do mau jornalismo.

Assim, de forma precária, os blogs avançaram, e como diz Nassif e outros, temos dois grandes blocos: os blogs jornalísticos, geralmente tocados por grandes jornalistas, e os blogs militantes, que além de contemplarem a luta política, emanam opiniões que complementam a simbiose entre o que se costumou chamar de blogs progressistas.

Um pouco tarde, os grupos que desfrutavam da hegemonia do poder, construído à sombra da manipulação da informação, tentam reagir, e de certa forma, aguçam um discurso ainda mais conservador, mas restritivo, que revela, dentre outras coisas, é claro, uma qualidade bem pior em relação aos blogs chamados progressistas, que também contam com muita porcaria, é verdade.
É  caso da Veja com Reynaldo Azevedo, por exemplo. É chegada a hora que até os conservadores começarão a evitá-lo, para resguardar o mínimo de credibilidade e interlocução com algum público que não seja a mais espumante e fascista classe média e afins. Como acontece com a própria revista que lhe hospeda, nas palavras do mesmo Nassif, a Veja começará a afastar os outros conservadores, que temerão a contaminação pela sua "doença": A falta de limites e a postura criminosa.

Por aqui na planície, a blogosfera trilhou caminhos semelhantes, ora com mais ênfase em blogs de jornalistas consagrados, como Vítor Menezes ou Ricardo André, ora com espaços mais dedicados a reflexão como Roberto Moraes, tendo ainda um contraponto no blog de Cléber Tinoco, dando o tom especializado e necessário de juridiquês em uma cidade que vive atolada em rupturas institucionais e questões dessa natureza. Não é errado supor que todos nós somos uma variação desses ramos que citei.

Na seara dos blogs militantes, o grupo do poder demorou a entender a importância e o peso da blogosfera local, e agora, passou do completo e absoluto desdém, a vigilância permanente, com a escalação de secretários, assessores, e correligionários de toda ordem a promover a batalha da comunicação.

Como animal político forjado na comunicação, e sem qualquer outra referência social que não seja a mídia, soava estranho que o chefe do grupo(que também é chefe de quadrilha) não tivesse mobilizado os seus para essa disputa, ainda que mantivesse um espaço eletrônico onde desfere ataques aos seus inimigos na capital.

E por que não o fazia? Ora, ninguém perde tempo com o que não lhe causa prejuízo. Isto posto, está evidente que a blogosfera local assumiu contornos que o "chefe" e seus acólitos não podem mais ignorar, ainda que o alcance do que se diz na rede não seja tangível, até agora. Como luta e opera em várias frentes, não cabia ao "chefe" se ocupar, como faz agora, desses detalhes menores de seu quintal. Deixou isso aos seus lugares-tenentes, e quem sabe, a força da coação ou cooptação financeira. Não deu certo, "meu chefe".

Como já dissemos antes, os esquemas tradicionais de rádio, TV e jornais estão esgotados. Não aumentam seu alcance, e nem recrutam mais gente nova. Esse campo a ser conquistado está na rede, que recebe a migração da audiência a passos largos, embora seja besteira  dizer que por aqui será possível novo monopólio. Não é possível, dada a natureza da rede.

Logo, nessa constatação o desespero refletido da tentativa de reação dos seguidores do casal da lapa, que até agora, salvo um ou outro insight, não acharam o tom correto.

Eu diria até mais: Baseado em minha curta e limitada experiência, o mesmo obstáculo que retira a legitimidade  dos blogs da lapa de se firmarem como contraponto político da blogosfera, é a que restringe os blogs progressistas de avançar na política, de forma orgânica. O leitor daqui quer tanta independência, que às vezes, não seria loucura supor que essa independência desejada não existe, mas empaca qualquer possibilidade de engajamento. Mas como estamos na oposição, a posição é muito mais cômoda.

Por outro lado, a blogosfera de coleira não detêm grandes quadros intelectuais, e o formato e conteúdo dos textos é, na maioria das vezes, pobre, quer seja pela inexperiência do veículo, quer seja pela burrice e mal gosto.

Carregam a tarefa pesada de desconstruir os adversários, e defender as posições sobre cada denúncia que aparece. Quem conhece a rede sabe que esse é um ônus quase impossível de superar.

Há outro dado a se considerar:

Não há liberdade de pensamento no agir dos blogs de coleira, porque eles estão destinados a repercutir informações encaixotadas pela verticalidade e pelo peso da obediência hierárquica aos mandos dos seus chefes, o que lhes retira a agilidade necessária. Uma frase mal colocada ali, um texto com a frase errada podem causar estragos irreversíveis. Exemplo? O caso do caixa dois de RH e os moscas, seus ex-assessores. O caso do secretário pudim é outro exemplo acabado como qualquer tentativa de articular qualquer fala de bate-e-pronto torna-se um desastre.

Sobrou para os blogs de coleira o material que melhor utilizam: A injúria e a infâmia, com a escalação dos quadros obsoletos e considerados francos-atiradores (porque não têm mais serventia institucional nenhuma, e quase mais nada a preservar, senão seus salários) para a tarefa inglória de deslocar o conflito para um campo onde podem tentar igualar o jogo, e de quebra, desmoralizar as informações que hoje servem aos mais variados órgãos de fiscalização, uma vez que a oposição e os meios tradicionais (partidos, sindicatos, mídia, etc) ou estão "mortos" ou domesticados.

A aproximação das eleições é outro aspecto que merece ser analisado, e aumenta o calor e a pressão do ambiente.

Mas o bom combate está por começar.

Até agora a infantaria dos blogs de coleira não fizeram nem cócegas na cidadela da rede blog.

Que venham os bárbaros, moscas, peixes podres, aves de rapina e outros seres estranhos do covil da lapa!




5 comentários:

CHUCKY disse...

Reflexão acida, coerente, curta, direta e objetiva.

kralho, esta foi de uma inspiração de colocar o rabo entre as pernas dos coleiras.

Para os patetinhas da lapa, o dedo no abio roxo.

POLITICA É PRA GENTE GRANDE, CHEGA DE DIMINUTIVOS.

XO garotinho
XO rosinha garotinho
XO nelsinho nahim garotinho
XO robertinho henriques garotinho
XO wladimirzinho garotinho
XO clarissinha garotinho
XO carilinho KUnha garotinho
XO famGlia garotinho

felixmanhaes disse...

Dá-lhes mestre Douglas, parabéns! continuamos na leitura diária.

Anônimo disse...

Vejam no blog de Claudio Andrade que o Presidente da Camara exonerou a filha de Sergio Almeida e colocou a esposa de Sergio Almeida como CCI parlamentar postagem acho que foi dia 25/08/11. ele vai reclamara de que? Investiguem e denunciem saiu Syria Almeida e entrou Ana Celia Almeida.

o debaixo é meu disse...

Sábio, nobre Douglas!

Anônimo disse...

Análise perfeita!
Fico me perguntando: como esses sabujos vão atuar?
Reduzindo fatos a briguinhas pessoais?
A briga pessoal realmente tira a atenção do fato denunciado.
Mas será que os sabujos viverão procurando brigas o tempo todo?
E tem ainda o fato de que muitos precisarão procurar cursos de português para aprenderem a escrever razoavelmente.
O problema maior nem é aprender a gramática, mas sim, aprender a ter clareza de idéias e passá-las para o texto, isso não é nada fácil.
O chefe deles, me esqueci do nome, mas é aquele que está respondendo processo por formação de quadrilha armada, entre outros, colocou um tremendo "abacaxi" para eles descascarem.

Nascimento Jr
nascimento.jr@bol.com.br