sábado, 16 de julho de 2011

A única coisa a perder são os grilhões que lhes acorrentam a exploração!

Recebi essa carta pela companheria Norma Dias, militante do SEPE, do PT e de várias causas sociais. Há uma lógica estranha nos "fura-greves", que a gente pode até respeitar, afinal coragem de lutar por direitos não é uma característica que se expressa de forma igual em todo mundo.

Claro que entendemos que, democraticamente, cada um pode fazer o que bem entender de sua vida.

Mas fica a pergunta: Se decidiu não aderir ao movimento, vai devolver o dinheiro do aumento ou as vantagens que podem ser conseguidas com a luta dos outros? Ou melhor, vão doar ao sindicato? Só assim para ser coerente. Leia o texto enviado, e reflita sobre o tema:





CAROS COLEGAS NÃO-GREVISTAS:
Vocês são nossos companheiros!  Mesmo que, nesta greve, não tenham conseguido se unir conosco na luta contra o “chicote” do plano de metas e contra a desvalorização e desrespeito ao nosso trabalho de educadores da escola pública. Vocês são nossos companheiros! Mesmo que sua passividade seja, neste movimento coletivo de confronto com a ideologia do “empresariamento” da escola pública, o nosso ponto fraco, que serve de força para o governo retardar as negociações do fim da greve.
Em toda greve há um conflito político-moral. Sabemos que nosso dever de companheiros de trabalho será sempre nos unir à luta pelo bem da nossa categoria e da educação pública, pois aquilo que for conquistado com a greve será benefício para todos e não apenas para quem participou da conquista. Mas, a consciência individualista, que precisa se defender da crise moral que a atormenta, elabora, para si, argumentos de moral anti-grevista, do tipo: “estou pensando nos meus alunos, a greve prejudica o ensino”; “quando fiz concurso para o Estado, sabia que o salário era baixo”; “eu sustento minha casa, não posso ser descontada”; “não adianta fazer greve que nunca dá em nada”; “se todo mundo parar, eu paro”; “quando estou no meu horário eu trabalho, fora do meu horário, eu apoio a greve”; “não faço greve porque minha diretora é muito autoritária”; “essa greve é política”;
Neste momento de confronto político-sindical entre nossa categoria e o Governo Sérgio Cabral-SEEDUC, vocês, que são nossos companheiros, ao decidirem não aderir ao movimento, não estão neutros. Infelizmente, queiram ou não, saibam ou não, vocês, que são nossos companheiros, contribuem decisivamente para a posição intransigente do Governo em não negociar o fim da greve. Reflitam sobre a seguinte hipótese: se todos vocês, que são nossos companheiros, aderissem à greve (toda Rede Estadual em greve, 100% parada), será que o Governo suportaria, por tanto tempo, a pressão sindical dessa força coletiva, unida, coesa, determinada na sua luta ? Por isso, companheiros não-grevistas, repetimos, não há neutralidade. Vocês participam deste conflito ao lado da política educacional do Governo Sérgio Cabral e do Secretário Risolia,  que nos explora, pressiona, manipula e desqualifica. E todos nós, grevistas ou não, sentimos, na própria experiência do cotidiano das escolas estaduais, esse mal-estar. Mesmo assim, e por isso mesmo, vocês são e serão nossos companheiros!  A luta continua e ainda contamos com vocês!        

COMANDO DE GREVE DO SEPE RESENDE  JULHO-2011

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