quinta-feira, 14 de julho de 2011

O mundo das drogas ou uma droga de mundo?

O episódio com o nadador brasileiro campeão, César Cielo, flagrado em exame que constatou o uso de substância proibida aos praticantes de esportes, revelou o quanto é pueril e ingênua a abordagem que a mídia e a sociedade fazem da questão do uso e abuso das drogas, lícitas ou não. Nesse contexto, não há como divisar, de forma fácil, se é a mídia que manipula a audiência ou vice-versa. Talvez, estabelecer uma relação de causa e efeito não seja possível.

A não ser que entendamos a questão pelo viés econômico.

Primeiro, vamos ao mundo dos esportes de alta performance.


O corpo humano tem limites, mas a necessidade econômica de extrapolar os lucros, não! Superar os limites do corpo para catapultar a idéia de superação, eficiência, disciplina, esforço, determinação, etc, valores associados ao marketing esportivo, e aos bilhões de dólares envolvidos na indústria de material, jornalismo, entretenimento, etc, etc, é uma necessidade imperiosa dos que estão por trás dessa mobilização.

Paradoxalmente, para estimular o culto a saúde e ao corpo, estragam-se os corpos dos atletas, submetidos a um rotina de dores e privações, em alguns casos, generosamente recompensados, mas em outros casos, execrados quando são descobertos fazendo aquilo que o ambiente e seus patrocinadores exigem: O impossível.

Logo, doping não é uma rara exceção de desportistas desonestos. É uma regra, com suporte científico cada vez mais poderoso, milhões de anos luz à frente dos testes e exames anti-dopings. Exceção, portanto, é conseguir flagrar as substâncias de última, penúltima e antepenúltima geração.

Como no caso drogas recreativas ilícitas, supor que o aparato estatal de persecução a condutas ilegais podem enfrentar ou concorrer com o mercado ilegal é estupidez.
Era estupidez há 70 anos, há 40, há 30, e hoje. Mudou o fato de que, agora, entendemos isso, não sem o desperdício de bilhões e bilhões em moedas dos orçamentos públicos e da riqueza privada de todos os países, e vidas.
Ressalvando o fato de que as mortes, quase sempre em índice geometricamente maior, acontecem nos países mais pobres que seguiram a cartilha da "guerra às drogas".

Vejam que a hipocrisia da sociedade começa ao classificar as drogas usadas para melhora de desempenho: São chamadas eufemisticamente de doping.

E por que essa nomenclatura "específica". De novo, para manter obscuro o fato de que o esporte profissional não sobrevive sem o uso de drogas para alterar resultados, que serão usados como pela de propaganda.

Alguns especialistas do esporte dizem que, em pouco tempo, existirão competições para atletas "limpos" e outras, para atletas que utilizam aditivos químicos, ou de outra natureza.

Mas enquanto esse surto de sinceridade não chega, vamos execrando nossos semideuses, e deixando intactos os interesses dos magnatas que nos proporcionam entretenimento, e a (falsa)percepção de um mundo vencedor, saudável e feliz, desde que tenhamos comprado a marca certa!

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