segunda-feira, 18 de julho de 2011

Nossas diferenças falam mais de nós que nossas semelhanças 2!

Acabo de assistir pela TV que o escândalo das escutas atingiu em cheio a cúpula da outrora "imaculada" Scotland Yard.
Acusações de favorecimento, venda de informações, vista grossa e troca de mimos e favores, que teriam permitido que tais práticas se expandissem ao ponto que chegaram.

Muito parecido com o nosso país, não acham? Outra vez, jornalismo e polícia dos trópicos e da Europa "civilizada" se assemelham.

A descoberta do envolvimento da Yard confirma o que todos suspeitavam: trata-se de um esquema sistemático, sobre o qual está erigido a atividade jornalística.

Estranha coincidência que une a família do brasileiro abatido à tiros pela seção de policiais armados da Yard, no metrô londrino, e agora descobrem-se que escutas vigiavam seus parentes, como forma de obter informação privilegiada.

O aparato policial inglês foi pego em relação promíscua com a mídia, e vice-versa.
Não dá para saber, por enquanto, onde começa o uso criminoso de informação dos jornalistas e dos policiais, afinal, ambos tinham interesses no desenrolar dos fatos: Uns para vender notícia, outros para "vender" uma versão que apagasse suas responsabilidades.

Esse fato não é novo para nós, e reflete de certa forma um movimento mundial da mídia empresarial, a necessidade de espetacularização de tragédias e da violência, associada a uma rapidez irresponsável na apuração, que não raro remete jornalistas a mero "copiadores" de registros de ocorrência em distritos policiais, sem qualquer pesquisa ou checagem dos fatos.
Como aconteceu com merval, o débil mental, o globo, brizola e o líder comunitário tratado como traficante Eureka, como você leu aqui.

Não se trata, portanto, de um problema de caráter pessoal, mas institucional, ou seja, de um modelo que funciona a partir da legitimação de práticas que a sociedade só condena se for confrontada com elas. Enquanto estiverem nos subterrâneos do poder, e nos inconscientes coletivos apaziguados pela hipocrisia, nada há demais.


A polícia privatizada

De outro lado, enfraquecida com instituição, mas impregnada pela luta pelo poder, na medida que cresce a partidarização política dos atos e medidas de segurança públicas, as instituições policiais se entregaram com gosto ao sociedade do espetáculo. Privatizam o monopólio do uso da força e favorecem o uso ideológico da utilização dessa força, sempre com viés classista pela mídia. Uma relação, como se vê, de causa efeito.

Não raro, os programas televisivos de maior audiência vespertina exploram a tragédia humana, ao vivo, com policiais agindo como "atores de filmes de ação".

Ainda que alguns ruídos de "comunicação" ocasionem episódios de mútua difamação, onde policiais sonegam e escolhem a qual órgão favorecer, enquanto repórteres e patrões escolhem quais policiais endeusar e quais execrar, de acordo com interesses, nem sempre confessáveis, há um organicidade de atitudes que unem esses dois pilares da sociedade do espetáculo: imprensa marrom, polícia exibicionista, a um terceiro: Governos ávidos por apoio político às suas práticas e estratégias policiais, nem sempre louváveis, mas que atendem ao senso comum.

De novo, as diferenças é que nos dizem mais sobre nós:
Enquanto lá, a sociedade estimula e exige a renúncia desses maus policiais, com sua exposição pública e de seus cúmplices, por aqui, os bons policiais são aqueles que ainda servem como "fonte submissa" aos barões da mídia, manipulando informações e o interesse público, sob o manto perigoso do sigilo, enquanto os policiais que assumem sua voz pública, em blogs, ou em outros meios, são tratados como párias, justamente porque pretendem dar transparência às suas opiniões, como forma de garantir a sociedade o pleno conhecimento sobre o que pensam aqueles que são pagos para proteger-lhes, e não somente aos poderosos.

Ainda que o que digam, não agrade a todos e ao establishment.

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