segunda-feira, 18 de julho de 2011

Nossas diferenças falam mais de nós que nossas semelhanças!

Dizer que a mídia empresarial é composta por interesses e princípios quase sempre antagônicos ao bem estar social, e a própria noção de liberdade que dizem defender, é um pleonasmo.

Dizer que isso acontece em todo lugar do mundo, outro pleonasmo maior. A Inglaterra e Murdoch deixam isso claro.

Logo, enxergar essas semelhanças com os britânicos vai nos autorizar a saber mais sobre o poder, mas vai nos revelar muito menos sobre nós, brasileiros e campistas.

Não há um povo melhor que outro. Há escolhas e jeitos distintos de lidar com problemas, e o que funciona por lá, nem sempre funciona por aqui, isso é de uma obviedade tola, eu sei.

Mas é engraçado assistir os malabarismo e contorcionismo morais de nossos barões da mídia para justificar o que acontece com os modelos que defendem como exemplos a serem seguidos.

Foi assim com o mercado financeiro, o mito da eficiência privada e a bancarrota internacional, e os rios de dinheiro público injetado para salvar os financistas e jogar as sociedade no purgatório das receitas ortodoxas do FMI.

Agora, a crise moral da mídia internacional, que já despontava aqui e ali, mas foi multiplicada e institucionalizada pela devassa no império do Murdoch.
A falha não é do caráter do magnata, embora esse seja um fator relevante.
A falha é "genética" do modelo de concentração da produção de conteúdo, industrialização e partidarização da mídia empresarial.

Mais uma vez, as diferenças dizem mais sobre nós. Se é verdade que a revelação do crimes evidenciam o caráter da mídia mundial, a forma de lidar com eles dizem como se comportam os povos ao redor do mundo, e seus poderosos.

Lá, nenhuma chorumela "cantando" a "perseguição ou cerceamento" ao direito de informar, ou a "liberdade de imprensa".
Sabem os ingleses que essa liberdade foi violada, justamente, pelo seu uso abusivo.
Nenhum panfleto editorial conclamando institutos milleniuns, ou ataques ao governo. A sociedade cobra, o governo pune, os acusados "entubam" e, pronto. Segue a vida.

Por aqui, imagine se ali-kamel saísse do gabinete para a cela: Ditadura, stalinistas, etc, etc. E alguém duvida que a mídia daqui seja praticante de crimes parecidos com os de lá, ou piores?

Mas se imitam o modelo, por que não aceitam que a nossa sociedade imite a punição e o controle?

Hipocrisia, meu caro, a boa e velha hipocrisia, que se não nos difere do ingleses, mostram que nesse quesito estamos muito mais a frente que eles no exercício cotidiano do cinismo público.

Leia o texto do blog Tijolaço, e reflita:



O magnata Rupert Murdoch e Brooks, na sexta-feira: sorrisos duraram pouco
Deu agora de manhã, na BBC:
A ex-editora (nota: “ex” só desde sexta-feira) do tabloide News of the World Rebekah Brooks foi presa neste domingo, em Londres.
Brooks deixou a posição de presidente-executiva do grupo News International, pertencente a Rupert Murdoch, na última sexta-feira após enfrentar pressão devido a seu suposto envolvimento com o escândalo de grampos telefônicos e compra de informações de policiais.
A polícia de Londres confirmou que Brooks, de 43 anos, está detida, suspeita de envolvimento em corrupção e em conspiração para interceptar comunicações.
Ela é a décima pessoa a ser presa durante as investigações do escândalo envolvendo o jornal News of the World, que teve sua última edição publicada uma semana atrás.
Será isso um atentado “à liberdade de imprensa”? Obvio que não, mas aqui na América Latina, seria. “Chavismo” puro, aliás. E a Sociedade Interamericana de Imprensa, a SIP, estaria indo à ONU, com a campanha “Libertem Rebekah!“.
Ou não seria assim?

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