sábado, 2 de julho de 2011

A moral da história, ou será a história dos sem moral?

Ler  nos jornais de coleira do poder econômico que Eike Batista apóia a idéia de um código de conduta para a relação de agentes públicos com o empresariado, e que tudo o que fez em relação ao governador é legal e desinteressado é um desplante.
Mas o pior é a nossa prata da casa: Coronéis de usina e de eito, não satisfeitos com o sopro da sorte que premiou seus crimes ambientais com mais um decisão favorável da Justiça (temporária, é verdade), agora reclamam dos prejuízos "morais" que o setor enfrentará, com a exposição dos problemas da atividade. Uma lógica estranha de reclamar contra a repulsa da sociedade pelos problemas, e se esquecem de que são eles os causadores.

É mais ou menos como evitar más notícias matando o mensageiro.

O que desejam esses senhores feudais? Que toda sociedade se cale frente ao disparate de mantermos uma atividade econômica baseada em fundamentos do Séculos XVIII?

É um cinismo que só reforça a necessidade de um enfrentamento das mentiras que veiculam sabe-se lá a que preço nos jornais de coleira.

Mentem quando se dizem mais relevantes que são economicamente, para a região, e para isso é só ver a evolução de nossa arrecadação de ISS e dos repasses do ICMS do Estado para nosso município. Estagnados, o que prova que a atividade sucroalcooleira não acrescenta NADA ou QUASE NADA em impostos e tributos, e ao contrário, trazem enormes PREJUÍZOS SÓCIO-AMBIENTAIS, e por que não dizer econômicos, na medida que todos esse ônus recai sobre os cofres públicos?

Mentem sobre o número de empregos gerados, pois os números do Ministério do Trabalho mostram que a atividade empregou na última safra pouco mais de 2000 trabalhadores, o que revela que se há de fato mais trabalhadores no setor, esses estão na clandestinidade, sujeitos a condições semelhantes a que seus antepassados experimentavam nas senzalas. Não custa lembrar que os índices de autuações por infrações e exploraçãod e trabalho análogo a escravidão tem se mantido em cresciomento na região.

Mentem sobre qualquer noção de justiça com trabalhadores ou preocupação com suas necessidades, pois a bem da verdade, mantêm essa força de trabalho sob as piores condições possíveis.

Mentem quando dizem pretender adequar sua atividade aos rigores da Lei, pois em 19 anos, não o fizeram.

Que tipo de moral é essa que agora reivindicam? A moral do vale-tudo associada a uma visão de que toda a sociedade deve se adaptar as suas necessidades e não o contrário  e exigível, ou seja: Que as atividades econômicas se moldem as necessidades da sociedade.

Só podemos entender tais palavras como um ataque de cinismo sem precedentes. Mas afinal, o que esperar de quem se organizava para descumprir ordem judicial, dizendo que respeita e confia no Judiciário?

O que esperar de quem pratica todos esses atos com a subvenção dos cofres públicos?

Enfim, para onde quer que se olhe, não há moral alguma em nossa história de imoralidade.

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