terça-feira, 19 de julho de 2011

Máquina do tempo.

Para quem acessa esse blog, e não conhece a região, nossas desculpas. 
Ultimamente, temos tratado de temas específicos, ou regionais, que são alheios a quem não vive por aqui, muito embora, a gênese dos temas seja parecida: confusão de interesses privados com a coisa pública, adestramento da mídia pelas verbas públicas, versões apresentadas como se fatos fossem, etc, etc.

Mas nossa militância se prende pela raiz, e a nossa está fincada aqui. 

Então vamos lá.

O blog gostaria de mandar uma sincera e singela sugestão ao canalhavieiros, aos colonistas sociais de coleira, e aos barões da mídia, que defendem a queimada como forma viável de manutenção do setor, sob o argumento calhorda de que desejam "salvar" os empregos dos trabalhadores rurais.

Bom, se é para parar ou voltar no tempo, desconsiderando que atividades econômicas se modernizam, e que isso implica na alteração da relação do capital com o trabalho, onde profissões surgem e outras somem, aqui vai nossa dica:

Que tal a nossa elite e seus macaqueadores, a classe mé(r)dia, que posam nas colunas do jet-set, tão preocupadas com os pobres cortadores de cana, deixarem seus carros nas garagens, e passarem a andar à cavalo? 
Além do charme nostálgico dos tempo do chicote e do açoite, das botas e dos chapéus, resgataríamos os empregos de seleiros, ferreiros, cocheiros, e ainda com o apelo ecologicamente correto, embora um engarrafamento de eqüinos na 28 de março pode trazer um cheiro incômodo.
Mas isso nossa cidade já está, de certa forma, acostumada com o odor que exala da gabinetes e outros lugares chiques.

Que tal abolir a iluminação pública  elétrica, e contratarmos os acendedores de lâmpadas à querosene ou óleo de baleia?
O problema aqui é a proibição da pesca desse mamífero marinho, mas nada que nossos gestores não resolvam, pois o "jeitinho e o contrabando de soluções" é nossa especialidade. Dava para trazer, com alguma comissão, é claro, a matéria-prima dos baleeiros japoneses. 
Para quem celebra a devastação chinesa como sinônimo de salvação econômica e "esforço civilizatório", nada há demais em se associar a outros orientais predadores.

Enfim, aproveitando o que seria uma ameaça, no jargão de planejamento estratégico (assunto preferido dos coquetéis e inaugurações), e transformando em oportunidade o fato de quase a metade de nosso esgoto não ser tratado, ou seja, jogado no rio, lagoas, ou deus sabe onde, poderíamos recriar a figura dos TIGRES, aqueles homens que eram pagos para recolher os excrementos da nossa boa sociedade, e jogá-los no rio. 
O apelido TIGRES era dado pelas marcas (listras) que o "chorume" que escorria dos tonéis cheios de merda, que eram levados nas costas, causava na pele desses trabalhadores.

De quebra, com o dinheiro milionário que o BNDES investiu para que a empresa de água e esgoto local nada fizesse nesse aspecto, poderíamos pagar um bom salário a esses trabalhadores de tão incômoda, mas essencial função. 
Se é para jogar merda no rio, pelo menos favoreçamos o maior número possível de trabalhadores, ainda que exerçam funções degradantes, não é essa a lógica dos "canalhavieiros" e seu cúmplices, como o caso das queimadas?

Assim, com essa máquina do tempo, quem sabe tenhamos chance de consertar o que deu errado lá atrás?

Um comentário:

Anônimo disse...

Perfeito Douglas, fechei os olhos e imaginei a Belle Époque campista, senti uma nostalgia ...

Fico pensando, melhor do que jogar carro em estudantes seria "apiar" do cavalo e chicotear todos estes desajustados sociais.

Ficou faltando riquixá, que poderia dar oportunidade emprego para os pobres campista, e assim prover uma "função social" a eles, além de ser ecologicamente correto. Imagina nossa prefeita a cada dia sendo puxada por um secretário diferente, pelo menos eles trabalhariam!!!