domingo, 31 de julho de 2011

A frente com os fundos à mostra.

Dizia um velho ditado que ao se curvar demais, a pessoa mostra os fundilhos.

É mais ou menos essa a situação política da frente que se reivindica democrática, e de oposição.

Mais uma vez, a síndrome do rabo de elefante.
Aqui uma explicação redundante: Há aqueles que preferem ser cabeça, ainda que de mosquito, a se manterem como rabo, ainda que de um elefante.

Quanto mais a nossa região precisa e clama por uma mudança que traga novos hábitos de gestão e de convívio político, mais a frente tenta reciclar o lixo do garotismo. Os novos fiadores políticos da frente representam o arcaismo regional, e de um jeito ou de outro, estiveram na linha de frente do garotismo.

picciani foi o presidente da assembléia no mandarinato estadual do casal, e de certa forma, o atual governador é cria do ventre do monstro. A respeito da prefeita do delta do Paraíba, desnecessário dizer. Ela mesmo confessou suas credenciais garotistas recentes.

Ninguém aqui imagina uma política ingênua, exclusivista ou que segregue os dissidentes do garotismo. Não é nada disso.

Mas como se credenciar para uma política diferente sem apresentar uma perspectiva "simbólica" que se afaste desse legado, dessa herança nefasta que assola nossa cidade, e que por 20 anos, só nos trouxe a troca de nomes e de lados como novidade, enquanto métodos, escândalos, e hiatos de mandatos corroeram nossa credibilidade e noção de democracia?

Figuras marcadas e carimbadas, egressas do garotismo, só reforçam a noção popular de que é tudo a mesma coisa, e já que nada muda, porque acreditar em algo? Daí, cada grupo social ou indivíduo faz suas contas, e tenta resolver suas demandas dentro de uma perspectiva imediatista.

Que fique claro que o assistencialismo não acontece só entre gente pobre. Os fundecans, as isenções fiscais e outros programas e "atrativos", contratos milionários, licitações milionárias, contas de propaganda não passam de favores para construir consenso junto a elite, e em alguns casos, se trata de coisa pior: O bom e velho desvio de recursos para campanhas.

Como combater o sujo apelando para o mal lavado?
Alguém imagina mesmo que um deputado que já foi vice de mocaiber e já foi e voltou tantas vezes para o lado do casal da lapa, tenha estatura para significar alguma mudança?

Como, por exemplo, se aproximar dos sindicatos e dos movimentos organizados com o aval de gente como o deputado picciani que ajudou a massacrar os professores, pilotando o rolo compressor parlamentar que o casal teve à sua disposição entre 1998 e 2006?

Como falar em justiça social, luta pela terra, ou qualquer outra forma de soberania do interesse público sobre as privatarias, quando se está ladeado pela prefeita que se submete a vontade predatória do capital, que massacra pequenos produtores, em uma reforma agrária ao contrário?

Como falar em democracia ou mobilização, liberdade de expressão, quando se usa(quer dizer, quando são usados)pelo jornalismo de coleira, controlados pelos (tu)barões da mídia?

Afinal, vale à pena fazer de tudo para ter votos, ou disputar o "poder"?

O que define o limite entre aliança e adesismo?

Onde está a diferença entre pragmatismo necessário e cinismo oportunista?

Uma boa pista para obter respostas é a (im)postura da frente e seus "projetos de disputa de poder".

7 comentários:

Anônimo disse...

Eu concordo com vc! Essa busca desesperada de criar uma oposiçao ao "desgoverno" q aí está, estão entregando a "alma ao diabo"!
Eu queria ter "peito", coragem, sei lá! Uma atitude q fizesse c q a população descontente com essa realidade fosse pra rua mostrar a sua indgnação e acordasse o miinistério público p tomar a posição q lhe cabe.
Os blogs estão cheios de denúncias! E nada é feito!
O q podemos fazer para acordar a população e irmos pra rua p quem sabe sermos os "caras pintadas" conteporaneo?

douglas da mata disse...

Caro comentarista,

O caso é menos de voluntarismo e mais de entender o processo político, pensar as ações e apresentar aquilo que se acredita às sociedade, sem se importar, no primeiro momento, se há uma adesão imediata da população que se quer atingir com tais propostas.

O que a "oposição" pretende é galgar os votos com os mesmos expedientes "quantitativos" do garotismo, e ainda assim, se apresentar como novidade. Não dá.

A população olha e faz as contas: se é para mudar para ter a imitação, que fiquemos com o original.

Quanto ao cara-pintada, é bom dizer que já não tenho mais idade para isso, rs, rs.

Anônimo disse...

É decepcionante ver Odisséia, Odete misturado com Claudeci, Marco Bacellar, Picciani!!!! Ver q a oposição está usando das mesmas armas q a situação...

Marcelo Siqueira disse...

Caro Douglas
Não só para ficar com o orinal, é para ficar com o mais competente. A gente acusa a população por ter votado neles, mas qual opção que tiveram? Os adversários eram ladrões e incopetentes, eles, apenas ladrões,apenas ladões não, porém menos incompetentes.
Não gostaria de fazer comparações mas não consegui. Enxergo a frente com o rabo de fora em oposição a Garotinho como ao DEM e PSDB em oposição a Lula, não vão chegar a lugar algum e nem fazer nada, parecem o Rocifeller. Precisamos de um novo nome, como o Raul Linhares.

douglas da mata disse...

Caro comentarista,

O conceito de "competências" aqui é volátil.

São "competentes" em quê? Bom, o parâmetro for campanhas eleitorais, sem dúvida, são competentes.

Mas as administrações não diferem. O modelo é igual. São variações do mesmo tema.

O que precisamos é um grupo político que tenha a coragem de fazer a política subordinar o poder econômico, e não o contrário como acontece.

Até porque, já ficou provado que esse poder nunca aparece como o verdadeiro corruptor dos processos democráticos, jogando o ônus sobre toda a ação política, nos dando a noção(que não é falsa, mas manipulada)de que todos são ladrões.

Falta é coragem de encarar a mídia e os empreiteiros.


Um abraço.

Marcelo Siqueira disse...

Douglas
Eu concordo plenamente com você, queria apenas esquentar a discussão. Quero te pedir desculpa pelo "incopetente" que fui, poderia por a culpa nos copos de vinho que tinha tomado, mas sempre ocorre quando não recorro ao corretor do Word. Admiro muito o bom Português mas tenho lá as minhas dificuldades.

douglas da mata disse...

Marcelo, fique à vontade.

E saiba que aqui não há críticas ao uso da língua, como quer que esse uso se apresente.

O "bom" português é aquele que cumpre sua função: comunicar idéias.

O que às vezes(quase sempre) criticamos é a hipocrisia de quem pretende exigir um uso culto da língua, per si, excludente e elitista, sem poder fazê-lo.

E reafirmo: Quanto ao debate, fique à vontade para esquentá-lo quando quiser.

Um abraço.