domingo, 17 de julho de 2011

Essa maldita gente diferenciada!

(ATENÇÃO PATETAS DA LAPA, TEXTO DIFICULDADE GRAU 3)

Se há um traço marcante em regiões como a nossa é o ranço ideológico segregacionista, fruto de lugares onde um ciclo de atividade econômica punjante, mas estruturado na escravidão e agora na semi-escravidão, como o setor de açúcar e álcool, que produziu riqueza, mas nunca trouxe-nos prosperidade.

Viés semelhante sempre contaminou alguns setores da elite paulistana, associada a exploração do café.

Logo, os setores periféricos, parasitas socialites e colonistas, jornalistas de coleira, e outros seres abjetos, que orbitam os escombros dessa elite decandente, costumam macaquear os trejeitos dessa gente, que se acha acima do bem e do mal, ou portadora de virtudes associadas a etiqueta, que per si já se revela, etiqueta significa ética pequena, código de comportamento superficial.

Assim, os paulistanos de Higienópolis berraram contra a possibilidade de dividir seu espaço urbano com a "gente diferenciada", como foram classificados todos os "outros" que não comungam o padrão (muitas vezes falido e artificial), ou pelo menos, não imitam-lhes os modos polidos. Transporte público para quê, se os moradores do local prescindem desse equipamento urbano e andam em seus bólidos poluentes e que entopem as ruas como colestorol ruim nas artérias de um coração?

Qual não foi nossa surpresa ao lermos em um blog de coleira (eu já tinha me prometido evitar esses locais infectos), a definição de um ex-sub-secretário de propaganda do governo municipal sobre um deputado da ALERJ.

Na guerra entre iguais, onde todos revelam mais de si mesmos que os outros que pretendem atacar, vejam o que o ex-sub escreveu:


parece que a dentadura está maior que a boca
 
"(...)MATUTO DA REGIÃO DOS LAGOS, COM AQUELA CARA DE AJUDANTE DE OBRA. JÁ CAIU NA REDE. A EMPRESA DELE, VAI TER QUE EXPLICAR ALGUMAS OBRAS, MAS DEIXA QUE O GAROTINHO VAI MOSTRAR DENTRO EM BREVE.(...)"
 

Esse mesmo ex-sub que se referiu, recentemente, a esse policial que vos escreve como "puliça", trazendo uma conotação pejorativa a uma função e a carreira de um servidor que desconhece, ou apenas "conhece" por seus pré-julgamentos.
Carreira inclusive sem as condenações que a ficha corrida do seu "chefe" ostenta.
Não satisfeito com a ode ao preconceito, agora trata de associar a figura do ajudante (servente) de obras a uma condição intelectual inferior, como se inteligência ou sabedoria fossem características exclusivas da educação formal, ou pior, dos habitantes do topo da pirâmide social e nas esferas de poder, onde o ex-sub se pendura não por talento ou por votos, mas pela "puxação de saco".

Afinal, qual é a "cara de ajudante de obras"?

Há um tipo específico, uma definição lombrosiana para enquadrar as profissões a uma espécie de determinismo antropológico? (procurem no google, patetas!)

Será essa "cara" um defeito ou uma "marca" que distingue pessoas?

Eu nem vou comentar a legenda infeliz sobre a dentadura.

Em um país onde esse tipo de prótese é símbolo de tratamento parar pessoas pobres que nunca vão ao dentista,  inclusive nessa "linda planície" que vivemos, embora sejamos o país com maior número proporcional desses profissionais no mundo (outro traço de nosso elitismo criminoso), a frase soa como escárnio a essas pessoas carentes que eles juram amar e defender: ajudantes de obras e com os dentes extraídos pela falta de amparo odontológico, mas que adoram ter com massa de manobra, ou como objeto de piadas infames.

O engraçado é ver o jornalista de coleira desfiar preconceitos contra matutos da região dos lagos, logo ele que serve a um "chefe" vítima de toda sorte de preconceito pelos abestados da zona sul, que os chamam de turma do chuvisco, ou vermes de goiaba.

Como diz o ditado: Boca fechada não entra mosca.

E essa sabedoria não se aprende na escola, nos jantares da casa grande ou em gabinetes das chefias editoriais de pasquins.

4 comentários:

Anônimo disse...

Já me manifestei várias vezes no seu blog. Ressalto que sou contrário à maioria de suas colocações. MAS seus comentários contra qualquer tipo de discriminação ou classificação infeliz que abunda no referido texto estão cobertos de razão. Em relação ao "puliça" idem, idem. Aliás nesse caso achava que ele não deveria te responder. Respondeu de maneira infeliz.

Anônimo disse...

Mas acho também que "patetas da Lapa" não é lá muito simpático não.

Anônimo disse...

MEU DEUS! QUE PRECONCEITO!

"MATUTO DA REGIÃO DOS LAGOS, COM AQUELA CARA DE AJUDANTE DE OBRA."


MEU DEUS! QUE ERRO GRAMATICAL!

"A EMPRESA DELE, VAI TER QUE EXPLICAR ALGUMAS OBRAS, MAS DEIXA QUE O GAROTINHO VAI MOSTRAR DENTRO EM BREVE."

OBS.: QUE ERRO GRAMATICAL PRIMÁRIO(a vírgula não pode separar o sujeito do verbo).

Quem é que “vai ter que explicar"? "A empresa dele": sujeito.

Erro do CUnha: A EMPRESA DELE, VAI.

Correção: A EMPRESA DELE VAI.

NÃO PODEMOS SEPARAR O SUJEITO DO PREDICADO.

A vírgula não pode separar o sujeito do verbo.

douglas da mata disse...

Caros comentaristas, vamos às explicações:

1- Patetas da lapa é um apelido, uma demarcação de campo político que designa um tipo de comportamento bajulador e de pessoas incapazes de pensarem por si mesmas.
Não é uma ofensa aos patetas, portanto.
Mas eu não vou falar, cara de matuto da lapa, ou pateta da lapa com cara desse ou daquele tipo, cor, raça, ou gênero. Isso sim, seria preconceito.

2- Ao primeiro comentarista, obrigado pela participação, e continue a discordar, mas não deixe de ler.

3- Já ao terceiro comnetarista, veja que esse blog não distingue as pessoas por sua capacidade de usar a língua, se usa o português coloquial ou a norma culta. Língua é expressão e meio, não fim em si mesma, nem intrumento de exclusão.

Mas no caso do pateta em questão, as correções são válidas, porque é com essa cobrança pelo uso rigoroso da norma culta que ele pretende se mostrar mais relevante do que é, e o pior, como você provou, sem poder.

Um abraço a todos.