terça-feira, 19 de julho de 2011

Espetáculo deprimente



Quem vê esse senhor, aparentemente frágil e indefeso, é capaz até de acreditar que nada sabia sobre os grampos que seus subordinados diretos fizeram para alimentar seu império monopolista de informação.

Bom, se a gente acreditar que isso é possível, e está claro que o PIG nacional e internacional deveriam rever seus conceitos e princípios.

Afinal, se o homem que vive de informação, e baseia seu poder nisso, não sabe de nada, o que dizer dos governantes, onde os laços de confiança e subordinação em relação aos auxiliares são, na maioria das vezes, mais frouxos que os do ambiente empresarial?

Pelo menos, é isso que o mito da eficiência privada preconiza, que seus processos são mais seguros e controláveis que a lógica de funcionamento das esferas públicas de poder.

E agora?

Bom, manda a boa prudência que cada caso seja avaliado per si, ou seja sem açodamentos. É possível que ele soubesse? É bem provável. Mas o contrário pode ser verdade? Com poucas chances, mas sim, pode ser que sim. Portanto, é preciso, como sempre cuidado.
Cuidado esse que os assassinos de reputação da mídia empresarial raramente adotam.
Mais importante que saber ou não, é investigar o modelo que permite que tais práticas sejam legitimadas e sistematizadas.
Assim, Murdoch deve pagar na medida de sua culpa, no entanto, a investigação deve esmiuçar e reprimir os riscos da concentração da mídia em oligopólios de conteúdo.
Como devem pagar os governantes omissos ou coniventes com maus assessores, desde que sejam reveladas as inconveniências da submissão da agenda pública aos interesses privados, que financiam campanhas e depois penduram suas contas nas licitações e contratos públicos.
Isolar o problema nas figuras de proa, é manter as coisas como estão, para que outros assumam o comando das negociatas.

De qualquer jeito, fica outra dúvida: Você imagina algum (tu)barão da mídia nacional ou da planície prestando declarações a sociedade sobre suas condutas impróprias?


God save the Queen!

5 comentários:

Anônimo disse...

Ah, é possível que não soubesse assim como Lula não sabia do mensalão.

douglas da mata disse...

Mas a certeza da mídia de que ele sabia não admitiu qualquer dúvida. Logo, usa pesos e medidas diferentes, porque agora, nenhum veículo aventou essa "certeza" de que o sacripanta murdoch sabia de algo.

É sobre isso que o post quer refletir.

Pouco importa se ele(lula) sabia ou não, ou se esse velho calhorda, (tu)barão da mídia sabia ou não.

O debate deve ser sobre que tipo de sistema democrático é esse que permite a realização de um esquema de financiamento de campanhas e desvio de recursos públicos, por um lado, e a manipulação da informação através de expedientes criminosos pela mídia.

Caso contrário, fica nessa lenga-lenga de mensalão(que sequer revela o que realmente houve, basta ler o relatório final do delegado da PF sobre o tema) ou no isolamento e condenação de condutas, sem contextualizá-las no ambiente que permite que aconteçam.

Nesse caso, ou melhor, em todo caso, a mídia presta um desserviço quando fala do poder político, e muito pior quando fala de si mesma.

Anônimo disse...

Eu já fiz de propósito, "basta ler o relatório final do delegado da PR", tá bom.

Roberto Torres disse...

Meu caro, de uma olhada nesse artigo aqui. Uma ótima análise sobre a lógica do PIG anglosaxao. Mas vale tb pra nós.

http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,o-medo-que-nao-ousava-dizer-o-nome,745795,0.htm

douglas da mata disse...

Fez de propósito o quê, meu caro?

Imaginou que aqui o debate sobre lula, ou qualquer outro governo ficaria interditado?

O que disse, ao remeter ao relatório da PF, sobre o que a mídia chama de "mensalão"( apenas para encobrir o fato de que não se trata de um esquema exclusivo do poder político, mas se estende a empresários e grupos de mídia, pois até a globo recebeu dinheiro do esquema marcos valério, está lá nesse mesmo relatório), é para alertar que os fatos são muito mais graves que a lenga-lenga "mensaleira".

E por que privilegiar o "espetáculo" em detrimento da correta apuração?

Para auferir vantagens da chantagem midiática junto ao governo e as verbas de comunicação, e para fazer valer os interesses de quem os alimenta(empresários privados).

Um abraço.