sexta-feira, 22 de julho de 2011

Eles estão descontrolados.

Dias desses, no blog do Roberto Moraes houve um pequeno debate entre esse blogueiro e um dos sócios da franquia do "controle social", um economista obscuro que fala pelo movimento "nossa sjb".
O "movimento" que pretendia intermediar (embora se apresentasse como "facilitador e catalizador" das demandas em um debate "qualificado")o debate político sobre os impactos dos empreendimentos vindouros, na verdade tem o desejo de capturar essa disputa, funcionando ora como despachante, ora como foro privilegiado para os embates.

No meio dos argumentos pueris, o interlocutor tascou: "você não sabe minha origem pobre, etc e tal...". Tal como zé serra pretendeu uma identidade popular, do tipo: "sou pobre, mas sou limpinho". A

Agora, desiludidos, sabe-se lá por quê, os "controladores" começam seu malabarismo teórico para dizer o que todos já sabiam: Não há como brecar o avanço das forças conservadoras capitalistas sobre o bem público, senão pela interdição desses interesses de todas as formas disponíveis. O civilizado colóquio que pretendiam vender, para aumentar seu capital político e sua influência junto aos vetores, sociedade, Estado e Capital, ruiu, e eles ficaram com as calças na mão.

Eis que o outro sócio da franquia do "movimento", que atua também sob a marca de fantasia uenf controle social, essa semana publicou um texto horroroso, onde defende que nosso estágio de apatia em relação ao poder garotista se deve ao nosso endêmica sofrimento escravocrata, que diluiu os laços de solidariedade e consciência de classe em vínculos de dependência clientelista. Vamos a autópsia desse monte de asneira embalado em rótulo de elitismo academicista.

(...)


trecho do texto:
"É o caso do empreendimento do Açu, à princípio um caso de brilhantismo empresarial de Eike Batista e seu grupo que parece agora maculado por uma relação tradicional de troca com os governantes e de ágorafobia com a sociedade. Fiquemos com esta última evidência.


Nota do blog planície lamacenta: Eis a má-fé intelectual e acadêmica como premissa. Parte de uma noção do "brilhantismo" eikiano, desconsiderando que esse "brilhantismo" é fruto de relação promíscua de seu pai, presidente da Vale do Rio Doce, com suas iniciativas particulares, no período que o ilustre professor destaca em seu texto, em uma quase-defesa da ditadura. Eike, e o sucesso na mineração, é fruto dessa relação patrimonialista que o ilustre descreve( como um relógio quebrado, o ilustre acerta a hora certa duas vezes no dia, mas está sempre parado no tempo). 
Depois, inverte a lógica, e diz que o Eike é contaminado na relação de troca, como se a troca em si não suscitasse a idéia dialética de reciprocidade, e mais, pela historiografia é possível dizer que foi nosso Estado e governantes que foram dominados e contaminados pelos interesses privados e não ao contrário. Aliás, mais a frente o ilustre também descreve essa relação, mas privilegia a noção de que é o Estado que burocratiza e torna impossível uma relação sadia com o meio privado, mas nunca o contrário.




trecho do texto: 
"No primeiro caso, de fato, a rotina fácil da cooptação pelo uso do dinheiro ou do poder público desestimula a busca de seu antídoto na participação dos movimentos em rede, como o MNSJB, que oferecem a possibilidade de um debate técnico-político de alto nível com lideranças populares, especialistas, políticos e empresários. De que outra forma conseguiríamos isto: durante as eleições, nos debates parlamentares, nos partidos?"

Nota do blog planície lamacenta: Vejam como o ilustre professor apresenta, mais uma vez, a sua franquia, o MNSJB como um estágio de debate "técnico-político" de alto nível. Alto nível, e o que seria o baixo nível, todos os outros? Por fim, o desdém pelos partidos e o processo eleitoral, quando o certo seria apontar-lhes os problemas para resolvê-los, e nunca repelir o caminhar democrático, para insuflar ou privilegiar o "debate técnico-político" que patrocina como único meio, ou pior, como o meio mais indicado.

trecho do texto:
"Os empresários e políticos preconceituosos criticam o povo por ser desinteressado e arruaceiro, mas, ao cabo, diante de povo distinto, fogem todos da raia, o que revela o que realmente pensam: que o povo evoluído mais atrapalha do que ajuda – daí preferirem o aconchego dos conchavos em resorts ou em trânsito nos jatinhos.
O povo, em seu baixo nível de solidariedade, acaba sendo manipulado em suas contradições, por achar impossível outra alternativa. Não se pode condená-los, embora se deva criticá-los, pois, afinal, são quase todos descendentes dos pelourinhos e conhecem de perto o preço da dissidência. Como fazer este segmento popular acreditar na possibilidade de um pacto positivopelo desenvolvimento diante da omissão conveniente do poder público, local e regional, e do poder privado – mesmo que educado na Suíça?"

Nota do blog planície lamacenta: A tese da manipulação do povo retira desse povo a legitimidade de suas escolhas, gostemos delas ou não. Afinal, o que é povo "evoluído"? Daí o viés moralista, exclusivista, ou em outras palavras, neoudenista que só aponta a superfície do problema, e esquece que o processo político e o estamento econômico tem entre si uma relação de causa e efeito permanente e indissolúvel. Logo, o povo faz a opção que lhe parece mais lógica, enquanto seus representantes utilizam as ferramentas mais exequíveis para construir consensos. A corrupção deriva de escolhas erradas em relação ao peso dos interesses públicos e privados, quer seja em escala menor, como as relações entre vizinhos, quer seja na propositura do Orçamento. E nunca como uma inclinação atávica, um fatalismo determinista geográfico, ou "banzo". Os dilemas democráticos, os limites de financiamento da ação política, a agenda privada, a concentração e manipulação da mídia são presentes em TODOS os países.
A tese do "preço da dissidência" é de uma imbecilidade sem par. Ora, se assim fosse os negros estadunidenses nunca teriam se transformado em classe média urbana, e articulado entre si, e outros movimentos, com níveis de intensidade diferentes, a luta pelos direitos civis.

trecho do texto:
"Às universidades cabe o papel de contraponto, mostrando que a elite intelectual não se presta a esse jogo da conveniência das elites políticas e econômicas – exceção feita à Câmara de Vereadores de SJB e à algumas cabeças arejadas da de Campos – e que é possível usar a razão (prever) para melhorar a vida (poder). Foi o que tentamos fazer neste seminário sobre políica agrícola, com o apoio dos micro e pequenos produtores do 5º Distrito de SJB, dentre outros, mas este esforço pode se perder sem o concurso dos poderes."

Nota do blog PL: Enfim, o creme do creme, o fechamento com chave de ouro. Eis a Universidade como palco de assepsia política e frente a nojeira que exala dos processos ordinários da sociedade inculta. A Universidade está, pois, imune a política, e só ela é capaz, por isso e para isso, trazer o discurso da verdade, da modernidade e quem sabe, da fé. Aleluia, hamilton, aleluia.

O fim:

Por derradeiro, e o pior de tudo: Um blog de dito de movimento social republica um trecho do que há de pior no PIG nacional, só ladeado, talvez, por merval o débil mental(ídolo do professor), e quem sabe o escroque do reinaldo azevedo.

O blog uenf controle social repercutindo míriam leitão(saga brasileira) é o fim de qualquer chance de levar a sério a "proposta" desses "estelionatários acadêmicos".

Como eu disse lá no blog do Roberto Moraes: Pois é, Professor Roberto, não diga que não avisei.

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