quinta-feira, 7 de julho de 2011

As lendas da planície.

Nessa contenda entre a sociedade campista, o interesse público e o ambiente contra "senhores de engenho" e seus lacaios da mídia, esse blog tem procurado desfazer os mitos que os coronéis de usina e de eito tentam impor ao debate, para justificar o injustificável.
Mostramos com números do Ministério do Trabalho a falsidade da afirmativa dos empregos, usados como chantagem para permanência das criminosas queimadas, além de revelarmos que a qualidade desses empregos não justificaria a manutenção da atividade como ela é, e sim sua extinção.

Já falamos, aqui, que o peso da atividade sobre a captação direta e indireta dos tributos sobre as riquezas que gera não compensam os danos causados ao ambiente, seus trabalhadores e a saúde da população.

Agora, o Blog do Pledowski traz outra abordagem, que compartilhamos com vocês:



CANAVIEIRO, UM TERMO REDESCOBERTO PARA FABRICAR UM FALSA DICOTOMIA


A pendenga envolvendo as usinas produtoras de açúcar e álcool e o Ministério Público Federal em Campos dos Goytacazes agora ganhou um nova (e falsa) dicotomia: canavieiros versus MPF.  A idéia de construir esta falsa dicotomia é até ardilosa, visto que a palavra usineiro não costuma arregimentar bons sentimentos numa população acostumada com as venturas e desventuras desta categoria de empresários.

Mas, convenhamos, este ardil não resiste uma análise mínima do cadastro de proprietários rurais do INCRA. Se houvesse um interesse mínimo com o contraditório, poderia se dar uma chegadinha na UENF para conversar com pesquisadores que ali tem se debruçado para desvendar o caráter altamente concentrado da terra na região norte fluminense. Destes estudos fica patente que a abundância de latifúndios (a maioria deles improdutiva) é explicada por uma íntima correlação entre proprietários de usinas e os da terra. Em outras palavras, os donos das usinas são também controladores da maioria das terras.  

Assim, ainda que tenhamos pequenos e médios plantadores envolvidos na monocultura da cana, a contribuição dos mesmos em termos de área plantada e cana produzida é minoritária. Além disso, em muitos casos, as terras destes segmentos estão arredandas pelas usinas, o que implica numa correlação ainda maior entre usineiros e a origem da cana que acaba sendo moída nas usinas. O lamentável é que qualquer criança nascida no norte fluminense sabe disto. Mas este "detalhezinho" passa sem ser notado por jornalistas e, claro, donos de jornais.

Mas como neste mundo nem tudo é lágrima, há que se  saudar a obstinação do procurador da república em Campos dos Goytacazes, Eduardo Santos de Oliveira, que nos últimos anos vem se defrontando com os mais variados problemas oriundos das práticas anti-sociais (configuradas mais explicitamente na descoberta anual de centenas de trabalhadores na condição de escravos) e anti-ecológicas (como é o caso das queimadas que o MPF procura reprimir) que ainda predominam no setor sucro-alcooleiro de Campos dos Goytacazes.  Esperemos que o procurador não seja repentinamente transferido para algum lugar distante para que seus esforços de fazer a lei ser cumprido pare de incomodar os que querem manter tudo como dantes no quartel de Abrantes.

Um comentário:

Anônimo disse...

Só em ver esse fogo podemos imaginar a quantidade de partículas que são postas na atmosfera.
E teve deputado de Campos que ainda apoiou a continuação dessa vergonha.