quarta-feira, 29 de junho de 2011

Cabral e o recuo estratégico.

O governador Cabral fez a única coisa que podia. Recuou, e acenou com a possibilidade de um amplo debate sobre um código de conduta de servidores em sua relação com os interesses privados.

Ok, tudo bem, oportuno gesto e necessário debate. Melhor ainda se acompanhado de mea culpa. 

Bom, nesse debate, intuímos que o governador já nos mostrou, com seu comportamento recente, o que DEVE SER EVITADO, mas a mera intenção do debate não exime a culpa por esses atos passados. Apresentar a proposta de discussão como um gesto altruísta é querer diminuir o estrago provocado pela repulsa da sociedade, que foi justamente o que encurralou o governo a necessidade de corresponder a uma certa liturgia ou recato, exigido a quem ocupa posições de poder. 

No entanto, a angu sobre o qual repousa o caroço é muito mais denso. O que o governador quer afastar, na verdade, é um debate muito mais importante: 
Explicar por que o Orçamento Estadual, sempre tão minguado para atendimento das atividades-fim do Estado, e para remuneração de seus servidores, é ao contrário, tão generoso com os amigos do governador, e para eles sempre sobra orçamento para que tenham isenções, anistias e subsídios fiscais? 
Por que esses empreendimentos não se mantêm às próprias expensas dos empresários e seus sócios, ou já não bastam as enormes obras de infra-estrutura e os gastos dos governos com impactos ambientais e sociais que essas plantas trazem?

Começar a discussão pelo aspecto pessoal das relações é proposital e estratégico, pois ninguém, além do governador e seus amigos pode  dizer o que conversam ou tratam nesses encontros. Vai ficar, portanto, o dito pelo não dito. Quem vai confessar tráfico de influência?

A questão é o resultado da relação do governador/estado e essas pessoas/empresas, que se expressa em favores orçamentários gigantescos, e que de forma alguma podem ser considerados imprescindíveis ao Estado, pois como já dissemos, falta dinheiro para o essencial, ao menos, no discurso dos gestores estaduais.

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