domingo, 26 de junho de 2011

Outros efeitos do setor canavieiro.

Não encontrei esse dado disponível, mas não é leviano afirmar que o nível de escolaridade da esmagadora maioria dos empregados no setor de corte de cana é inferior ou igual a três ou quatro anos, com uma parcela grande de analfabetos ou analfabetos funcionais.

Logo, não é demais supor que a atividade ao invés de proporcionar um crescimento pessoal e a possibilidade de mobilidade social, avilta e condena a marginalização social, na medida que um dos instrumentos de percepção da realidade, e escolarização, lhes é negada. Sobra apenas comer e trabalhar, sem entender direito o mundo que o cerca, senão pelas lentes de seus patrões e da ideologia canalha que o trabalho dignifica o homem. 

Não é o trabalho que dignifica, mas o fruto do trabalho. Se é pouco o fruto, o trabalho avilta.

Assim, a manutenção do corte de cana queimada ou não, é um fator de aprofundamento das desigualdades sociais, com todos os impactos que advêm delas.

Do ponto de vista da dignidade humana e do lucro social(um conceito que os usineiros e seus novos e antigos cúmplices desconhecem), é muito mais efetivo aos governos direcionarem o dinheiro que utilizam para subsidiar as lavouras e as indústrias para a educação formal desse contingente de trabalhadores e familiares, com o pagamento direto por um prazo de bolsas-família, para que fossem retirados dessa atividade semi-escravocrata ou em alguns casos, escravocrata, e recolocados no mercado formal de trabalho, em posições que pudessem evoluir, ao invés de se tornarem semi-primatas, como acontece ao final de uma vida trabalhando para os coronéis da terra.

Sem a imediata transição SEM DINHEIRO PÚBLICO, para a lavouras mecanizadas é manter os grilhões da exploração que condena trabalhadores a indigência.
Quem não puder se estabelecer, mude de atividade, como, aliás, manda o tão adorado "DEUS-MERCADO", nos templos das associações, federações, conselhos de classe, palestras e workshops, e gabinetes dos bancos.


Em tempo: com as novas exigências e a necessidade de "competitividade", com aumento da tonelagem de cana cortada por trabalhador, (1,5ton/dia), aumentam os casos de infarte e mortes súbitas nos canaviais de todo Brasil, bem como a média de vida desses trabalhadores é cerca 10 a 11 anos menor que um trabalhador de outra atividade.

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