sábado, 4 de junho de 2011

Os detalhes, ah, os detalhes!

Como sempre gostamos de falar, o diabo mora nos detalhes. Na mitologia e na vida real, grandes impérios e heróis sucumbiram porque esqueceram os malditos detalhes.

É verdade que a situação ilegal das concessões de linhas de transporte público nessa cidade nunca foi um "detalhe", mas sempre foi tratado como tal pela administração local, quer seja na cobrança das obrigações devidas pelas empresas, quer no disciplinamento do funcionamento dessas linhas, com planejamento e fiscalização permanente.

Mas por que o poder público tratou um problema tão grave com tanto desleixo?
Ora, porque desde o início, esse e outros blogs, sempre alertaram que se tratava de um política pública voltada para o desvio, que permitia (senão incentivava) a tunga ao Erário.
A situação do transporte coletivo nessa cidade não é uma herança intransponível, como gostam de falar os acólitos da prefeita, mas uma escolha política, uma definição de governo, que tem nome e sobrenome:
Cartão Campos Cidadão!
Programa que implantou, a título de aumentar a mobilidade da população por tarifas justas, irrigar com milhões e milhões empresas deficitárias, sem contrato legal com a administração e sem qualquer controle.

Pelo preço "contratado", era possível a prefeita comprar ônibus e instituir transporte de graça à população.

Mas por que desperdiçar dinheiro, alimentando empresários?

É possível que seja uma ação coordenada para alimentar caixas de campanha? É.

Porém, sem rigorosa apuração nada restará, a não ser especulação.

O fato contra o qual não restam argumentos: Empresas cobram mais por um serviço menor, e embolsam a diferença destinada a subvenção.

Lembrem-nos que Tróia caiu por causa de um cavalo de pau, e Aquiles foi derrotado pelo calcanhar. Hitler foi derrotado por uma decisão equivocada sobre o clima na ex-URSS, assim como Napoleão. Foi Brutus que esfaqueou Júlio César.

Logo, a permanente arrogância e desdém que os milicianos da lapa sempre dedicaram a oposição parece que cobra seu preço agora.

Um detalhe, um bilhete de passagem de ônibus pode desmoronar uma dinastia.

O último escândalo poderoso da República continha os mesmos ingredientes: Fogo amigo, e imagens aparentemente corriqueiras (uma propina de 3000 reais de um obscuro barnabé do Correios) quase derrubaram o governo Lula. Um detalhe.

Cabe a oposição aproveitar a imensa oportunidade e conduzir com serenidade, e obstinação as investigações para o juízo político da sociedade.
Sem prejuízo da rigorosa apuração, paralela, dos órgãos policiais e judiciais.

E antes que os porta-vozes da administração corram para fazer ilações acerca das intenções dos que pretendem investigações, que fique claro:

O julgamento, antes de jurídico, é POLÍTICO, uma vez que cabe a população saber dos fatos para decidir se quer milhões de reais jogados, sabe-se lá onde, para bancar um suposto benefício em seu nome.

Todos à carga!

3 comentários:

Reflexões disse...

"uma vez que cabe a população saber dos fatos para decidir se quer milhões de reais jogados, sabe-se lá onde, para bancar um suposto benefício em seu nome."

Interessante reflexão, será que no mundo onde o EU predomina sobre o NÓS vão querer refletir?

Ou cada um por si?

douglas da mata disse...

Giana,

Minha cara, você já se acostumou a ler por aqui que a população não é só vítima, mas também cúmplice.

Ainda assim, acredito no "mito terapêutico" da exposição de nossos defeitos, como instrumento de cura para nossas patologias.

Ou seja, ainda que a população seja "culpada", o permanente debate, promovido inclusive pela minoria que não concorda com esse quadro(essa é a beleza da Democracia) é fundamental para superarmos nosso problemas, mormente a atávica inclinação ao egoísmo e ao individualismo.

Um abraço.

Anônimo disse...

Vamos torcer, mas difícil esse governo ser derrubado. As raízes são muito firmes. Acho difícil também a população entrar nesse debate. Mas, de qualquer forma, vamos a luta.