quinta-feira, 2 de junho de 2011

O lado negro da força, o mar, o rochedo e o marisco!

SJB: O marisco entre o rochedo e o mar?

Um comportamento típico do Homem, expresso na sua ação política é classificar, hierarquizar e situar os personagens envolvidos em uma divisão simples: aliado ou adversário, certo ou errado, contra ou a favor, e por aí vai.

Lógico, como ferramenta inicial de compreensão dos fatos, essa tendência se mostra até útil, mas não pode se transformar em fim em si mesmo, sob pena de tornar a sociedade/comunidade incapaz de fazer escolhas que mais a favoreça, e mais, correrá o risco de ser manipulada a sociedade/comunidade que aceitar essa pobre definição da conjuntura que a cerca.

É mais ou menos o que aconteceu em Campos dos Goytacazes, e agora, o fenômeno assume contornos específicos em SJB, dada a mudança de status daquela cidade no tabuleiro geopolítico e geoeconômico regional.

Sabemos todos que a ação política se alimenta das diferenças e da rotulação desse ou daquele grupo ou campo, mas nem sempre essa disputa encerra todos os interesses em jogo.

Tornou-se comum, nos últimos dias, em relação a SJB, a organização de "torcidas", onde a prefeita local seria o bastião da resistência ao garotismo, donde essa definição basta para a tomada de posição ferrenha, sem considerar os detalhes e elementos do cenário. Eu li isso em blogs, e outros meios.

Ora, a prefeita local não pode ser colocada como exemplo de contraposição ao garotismo, porque pratica em sua administração o mesmo método, que aprendeu em anos de aliança com essa facção, que ora combate.

Nem a Câmara local representada pela oposição e seu presidente, podem resumir nas suas ações todas as virtudes, por estarem do lado oposto a prefeita. 

Também não dá para trazer para o ambiente daquele município, em desrespeito a noção de sua população sobre seu próprio futuro e suas demandas, uma repetição da luta regional pelo poder, simbolizada na oposição entre o garotismo e o cabralismo(vertente cosmopolita, "viajada" e chique do garotismo). Sanjoanenses não podem ser tratados como correia de transmissão desse disputa, ainda que em sua cidade estejam presentes esses aspectos, como em toda região.

A população de SJB deve refutar se filiar a essa ou aquela corrente, apenas para aderir a essa ou aquela "torcida organizada".

O eleitor de SJB não pode ser o marisco nessa suposta luta entre o rochedo e o mar.



Histórica aliança entre capital e mídia.

Há enormes interesses em jogo, e o lado negro da Força X já revelou como se movimenta: Alimenta TODAS as campanhas políticas, pois não interessa qual cavalo ganhe, o páreo é dele.

Junto com esse vetor, a mídia local, que oscila, inclinando o verbo de acordo com o peso da verba disponível.

Esses grupos empresariais(mídia e investidores) não têm, pelo menos a priori, nenhum compromisso com o bem estar local, principalmente se esse bem estar se opuser às expectativas de lucro e negócios privados, em sua maioria, subsidiados pela máquina pública que tanto detratam.

É assim há muito tempo, e quem imagina diferente, e crê no bom mocismo, ou só vê na política a na esfera pública impedimentos ao "desenvolvimento", é bom lembrar que certas fortunas que hoje alimentam "sonhos de grandeza", se fizeram à sombra da ditadura, das obras em ministérios de infra-estrutura, em conflitos de interesses, no mínimo eticamente duvidosos. E como o hábito do cachimbo entorta a boca, esses mesmos investidores ainda são alvo do interesse de policiais federais em transações com exploração de subsolo, licenças ambientais, ferrovias, junto com banqueiros do quilate de Daniel Dantas.

A História, se o presente não for suficiente, nos ensina o caráter do lucro e do dinheiro: Não tem cheiro, nem ideologia. Foi assim que empresas "amigas" como Bayer e Hoestch, que, hoje, bancam ONGs ambientalistas para "lavar sua boa imagem", se serviram de mão-de-obra escrava dos judeus prisioneiros, na II Guerra Mundial. 
Ou outras que patrocinam fóruns e atividades de ONGs e Observatórios pelo Controle Social, como organizações Globo e Metrô RJ, que vivem pendurados em transações, empréstimos suspeitos com o Erário. A lista é interminável.

Não se trata de demonizar o capital, mas impor os limites necessários a suas "boas intenções", e impedir que suas agências de propaganda camuflem o lobo em pêlo de cordeiro.
Em uma negociação dessa amplitude e relevância, não dá para imaginar que a população possa ter seu direito de escolha maculado e manipulado por escroques da mídia, e pela desonestidade típica dos grupos empresariais em esconder os verdadeiros impactos e os custos sociais (e públicos) de suas empreitadas.

Não há por aqui, imagino eu, bugres à espera de espelhos e miçangas.


Os blogs

Bom, mas e os blogs, não têm lado, não tem interesses? 
Claro, há gente honesta que entende que os investimentos em SJB representam a redenção da região, e a mudança de hábitos e atitudes. 
Há os que acreditam no conto-de-fadas do controle social apadrinhado por tecnocratas e "especialista", portadores da "verdadeira ciência neutra".
Há outros com interesses menores.
Ainda há os "chatoblogs", como o nosso, que pregam a supremacia do interesse público sobre a agenda privada, e que não acreditam na relação direta entre escala econômica e bem estar social, e muito menos, nas boas intenções de empresas, e crêem, ainda, na ação política pública e uma esfera pública, correspondente, de debates e decisão.

Blogs têm a capilaridade, a pessoalidade e a interatividade da rede, e tendem a expor com mais clareza as posições de blogueiros (quaisquer que sejam)e se, de certa forma, blogs não pratiquem jornalismo strictu sensu, definido como atividade de reportar e apurar fatos in loco, como os meios tradicionais podem fazer, devido a sua estrutura, por outro lado, funcionam como importante instrumento para desmascarar e regular os interesses da mídia, que ela, geralmente, gosta de travestir de imparcialidade, que sabemos impossível.

Assim, é salutar que os blogueiros tenham certo cuidado ao empunhar essa ou aquela bandeira, sob pena de incorrermos no mesmo comportamento errôneo, que alguns de nós adotoram para combater o garotismo, e que se reflete no posicionamento ridículo da oposição em Campos dos Goytacazes, e nos seus parlamentares e partidos. 
Quando no governo, foram uma cópia ruim do garotismo, e na oposição, estão abaixo de qualquer classificação possível.

O que está em jogo em SJB é de tremenda importância para toda a região, e merece ser tratado com o cuidado necessário.


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