quarta-feira, 22 de junho de 2011

O cinismo como ferramenta de convencimento!

A nota publicada pelo empresário Eike Batista, acerca de suas relações de amizade com o governador são um tapa na cara do contribuinte, e um ataque a inteligência do mais burro cidadão desse Estado.

Uma síntese do pensamento eikiano, que revela o modo que o novo midas do Estado enxerga a realidade, e as implicações de seus atos, veja.


Tive satisfação em ter colocado meu avião à disposição do governador Sergio Cabral, que vem realizando seu trabalho com grande competência e determinação. Não tenho qualquer espécie de contrato de prestação de serviços com o governo e nem recebo pagamentos do Estado. Sou livre para selecionar minhas amizades, contribuir para campanhas políticas, trazer as olimpíadas para o Rio, apoiar a implantação das UPPs, patrocinar o RJX e auxiliar a realização de diversos projetos sociais e culturais do Estado. Faço tudo com dinheiro do meu bolso e me orgulho disso!"


Ora, o empresário esqueceu de dizer que há outras formas de se beneficiar do dinheiro do Estado, e no caso dele, a natureza dos benefícios que obtém é muito mais prejudicial que vínculos contratuais, ou seja:
Os enormes favores, subsídios, isenções fiscais, cessões territoriais em terras desapropriadas pelo Estado com recursos públicos, trazem um déficit fiscal que NUNCA será compensado pelos supostos empregos e aumento de arrecadação que, supostamente, os empreendimentos dizem trazer.
Logo, o dinheiro é dele, mas a origem de boa parte dele é que é o problema: Os cofres públicos.

Isso tudo sem mencionar os enormes impactos sócio-ambientais que nós, o Estado, o público, teremos que arcar para que Vossa Majestade possa dizer: O dinheiro é meu e faço o que quiser com ele.

O empresário, é verdade, escolheu uma forma mais inteligente de amealhar dinheiro público, diferente do seu pai, ELIEZER BATISTA ministro dos transportes de JANGO, mas que conseguiu o "milagre"(deve ter sido muito "eficiente")de permanecer como presidente da Vale do Rio Doce durante o regime militar, durante vários e vários anos, e sempre soube retirar o melhor dessa condição. Não é à toa que o filho, Eike, é um "craque" dos negócios da mineração. Deve ser DNA. Quem sabe?

Agora o empresário vocifera: O dinheiro é meu, e a ninguém interessa como eu gasto!

Não, não, não. Nada disso.

Nossa Constituição prevê limites para a prevalência da propriedade privada sobre o interesse coletivo, e o bom senso e a ética deveriam impor outros, na relação de grandes empresários com o poder político, haja vista que qualquer mequetrefe sabe que não há almoço grátis(como dizem os estadunidenses: there's no free lunch).

Quem dá dinheiro, sempre espera algo em troca.

E não venham me dizer que o Eike está preocupado com o bem estar dos cidadãos fluminenses. Ele pode fazer o que quiser com o dinheiro que ele diz ser dele, mas não dá para comprar-nos diplomas de idiotas. Ainda que se dedique com o zelo de seus jornalistas de coleira a tentar fazer isso.

Mas por enquanto, não surtiu efeito.



PS:  Como assim "(...)trazer as olimpíadas para o Rio,(...)" ? Ué, quer dizer que foi o empresário que trouxe a Olimpíada de 2016? 
Hummm, então como suspeitávamos, os governos estadual e da capital, junto com outros do interior, já foram adquiridos pelo empresário. As autoridades estão ali só para representá-lo. Ahhh, bom, agora entendemos.

5 comentários:

Reflexões disse...

Quem trouxe o Rock in Rio I?

douglas da mata disse...

Giana,

Eu acho que foi o Roberto Medina.

No entanto, é um erro enorme comparar a complexidade de um evento do porte da Olimpíada, que requer um protocolo de intenções do poder público, que investe bilhões em infra-estrutura, sem mencionar todo o acerto logístico-operacional(segurança, esquema de saúde, etc) com um festival como Rock in Rio.

Sem o dinheiro público, nem Copa, nem Rio 2016 seriam possíveis, logo, a afirmação do empresário é um acinte, para não falar em arrogância inútil e desmedida.

É possível que sem o dinheiro público, o Rock in Rio também não se realize, mas não dá para comparar o tamanho dos dois eventos como disse, pelo nível de intervenção pública que cada um exige.

Assim, embora medina e eike sofram dessa amnésia em relação aos limites de suas "capacidade empreendedoras", a do senhor X é bem mais grave.

No popular: eike faz gentileza com o chapéu dos outros(nesse caso, nosso chapéu, chamado Orçamento Público).

Anônimo disse...

Com esse comentário mal-educado, acho que o Mister X está tentando calar a voz da imprensa amiga. O que certamente conseguirá.
Aliás, somente nós de Campos e de São João da Barra é que sabemos a quantidade de favores que esse cidadão carente está recebendo do
Estado, e ainda tem a cara de pau de dizer que não recebe dinheiro do Estado.
O fato é que ele não é pago com dinheiro público, apenas mama nas tetas, mas Sérgio Cabral sim, esse deveria tentar explicar o injustificável.

Nascimento jr

Anônimo disse...

Não consigo entender como pode o povo colocar o Cabral lá.
Esse mesmo Cabral, que foi eleito por vcs, faz milhões de coisas boas
e vcs só conseguem enxergar o erro.
O Cabral está fazendo um ótimo governo, está de parabens,
não tem pq pensar em nenhum tipo de conflito de interesses
vcs estão implicando pq ele foi no avião do Eike.
Se ele foi é pq estava precisando e tinha urgencia.
Estamos juntos Cabral.

douglas da mata disse...

Hu-hum, não tem que pensar em conflito de interesses, aliás, nem temos que pensar mesmo, pensar pr'á quê?

Tem razão o(a) comentarista. Pensar para quê, se existem as boas intenções de governantes e bons empresários que só querem nosso bem? Não precisa pensar, é só ler os releases das assessorias, fica bem mais fácil.

'Tá aí, concordo.

Santo deus, haja paciência.