quinta-feira, 30 de junho de 2011

Liberou geral!

Abram as celas das prisões, pois afinal, se a lei não é igual para todos, então, locupletemo-nos.

O que dizer da decisão judicial que libera o recebimento de cana queimada, após o incitamento de desobediência promovida pelo setor?

Ambiente? Danem-se todos!

Punição? Só para quem é pobre!

Está aí o manifesto judicial de que nessa cidade, vale tudo, menos a Lei.

Vamos as caçadas, a pesca contra o defeso, ao desmatamento, enfim, destruamos tudo em nome do lucro!

Afinal de contas, o crime compensa, depende, é claro, de quem o comete!

4 comentários:

Anônimo disse...

Vale tudo menos a lei? O TRF representa o que?

douglas da mata disse...

Eu poderia utilizar o argumento canalha dos canavieiros, que diziam ser a decisão do TRF uma injustiça, uma afronta e legalidade.

Não vou ceder a essa armadilha.

Está claro que a Lei existe, mas sua aplicação e fiscalização obedece filtros de classe, como agora.

Pois se a lei ambiental disciplina outras atividades econômicas de forma severa, por que a frouxidão com as usinas?

Bom, quem deve-nos essa resposta é o desembargador do TRF.

Um abraço.

Anônimo disse...

Infelizmente nosso judiciario é comprado,compram os senhores de engenhos,compram os politicos, compra a prefeitura, e para quem não tem dinheiro ou poder, o rigor da lei.

douglas da mata disse...

Não se trata apenas de "compra e venda", pois esses casos não refletem a totalidade do Judiciário. Na verdade, os casos de corrupção são minoria, ou pelo menos, é isso que sabemos.

A questão aqui é, talvez, mais grave.

Se observarmos que a Lei tem um interpretação que possibilita a defesa do bem comum, e uma outra que oferece proteção a interesses privados, nosso Judiciário, como ente de poder que reflete um viés classista e excludente (como todo Estado), atende quase sempre aos interesses de quem tem mais.

Isso não é corrupção (lato sensu), mas uma natureza que pende para o lado da elite.

Esse pendor enche cadeias de pobres, pretos e desfavorecidos, e derrama seu rigor sobre uns, enquanto afasta a punição de privilegiados.

Um abraço.