domingo, 26 de junho de 2011

As voltas que o engenho dá!

Não há dúvida que a ação política, o consenso sobre determinados temas, e a conduta dos atores envolvidos mudam com o tempo.

De forma generalizante, a mídia de coleira(aí incluídos certos blogs) e alguns setores do neoudenismo nacional(filial do Tea Party) sempre apresentam essas mudanças da política como algo pernicioso, e colocam tudo no mesmo saco.
Desta forma, ao invés de aproximar a população, e trazer-lhe a possibilidade de uma informação que permitam-na julgar com mais ferramentas o que é natural do processo e o que é oportunismo, afastam todos pela noção de que tudo é igual.
Mas nos subterrâneos da manipulação, mudam para acomodar suas demandas, que, geralmente, não podem ser apresentadas à luz do dia.

Vejam você o caso do encontro sui generis que acontecerá na segunda-feira: A famiglia da Lapa com o pessoal escravocrata.
Há tempos atrás, esse encontro era inimaginável, pelo menos em público.

Mas afinal, quem mudou, o que não mudou, e esse encontro pode ser considerado um "avanço" em nosso cenário político tão degradado?

Bom, se tomarmos como premissa o motivo do encontro, é claro que não: Se reunirão todos para defender um prática que prejudica a todos que não estão envolvidos na atividade econômica, que tem, nesse estado e nessa cidade, uma vida pregressa digna de delegacia: queimadas, exploração de mão-de-obra, sonegação, etc. Sem mencionar os custos altos aos cofres públicos para subsidiar esses empreendimento pré-falimentares ou que não existiriam sem os favores do Erário.

Mas retornemos ao ineditismo exótico do evento de amanhã.

Em 1988 ou 89, o grupo político que hoje ocupa a prefeitura, denunciava os crimes praticados pelos coronéis locais, e já enxergava com sabedoria típica de quem traz o instinto de animal político, que ali estava a clientela que seria expelida da atividade decadente, e encheria as cidades, trazendo na bagagem a miséria e o desamparo de anos e anos de exploração vil. O resto é História.

Os outros, os coronéis, pouco se debateram, e na verdade, os mais espertos, reciclaram seu lugar e papel na conjuntura local, e logo,logo, bem cedo, trataram de negociar com o grupo que chegou ao poder, e que pilotaria uma verba orçamentária que traria "ótimos negócios".

O fato é que no eixo central dessa história, a estrutura da atividade econômica, que antigos inimigos defendem, permanece intacta na região: trabalhadores explorados, sonegação fiscal e queimadas.
Alguns argumentam que foi, justamente, essa visão anacrônica negocial que os condenou a serem extintos ou ficarem de quatro frente ao poder político e do Orçamento público, vicio antigo dos antecessores que depredavam verbas federais a fundo perdido, e só trouxeram prejuízos a todos, menos ao patrimônio pessoal deles.

Então, quem mudou? O que mudou? Mudou para melhor? Penso que não. Se olharmos bem de perto, cada parte assimilou o que o outro tinha de pior e incorporou na sua agenda política, daí o "novo acordo" da elite local que permite um piquenique singelo na praça, impensável quando se pensava em mudar Campos.

A famiglia da Lapa assumiu seus ares coronelísticos que tanto criticava, e mantém a política sob cabrestos curtos. Tem até a sua tropa de "bóias-frias", contratados e terceirizados encrustados na máquina pública, a pmcg, a usina sem chaminé, com óbvio objetivo eleitoral.
Os coronéis, por sua vez, entenderam que era preciso assumir ares de propaganda populista na defesa dos seus interesses indefensáveis, e tentam manipular as variáveis políticas que estão ao seu alcance, a partir da perversa lógica de manter interesses privados acima de qualquer bem estar público.
Com jeito mais polido e certa eloqüência planejada, diálogo "institucional", continuam o que sempre fizeram:

Subtrair o bônus da atividade, e deixar o ônus para o poder público e sociedade.

Então o que mudou? Mudou muita coisa, mas as coisas continuam as mesmas.

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