segunda-feira, 6 de junho de 2011

As chamas da vaidade e do autoritarismo!

Eu tenho lido e ouvido muita coisa sobre a greve dos bombeiros do RJ. A situação, de fato, é grave. E tudo indica que o governador do estado do Rio de Janeiro, tenha chegado a um beco sem saída.

Agora, até onde foi, não pode recuar, mas avançar não vai resolver a crise que sua incapacidade política e arrogância, e de sua equipe, ocasionaram.

O governador, como chefe do poder Executivo Estadual, é a autoridade política e administrativa máxima do Estado. Mas essa autoridade, expressa pelo mandato que lhe é conferido pelo eleitor, é limitada pela Lei, consagrada de forma definitiva nas Constituições estadual e federal.

Logo, reivindicar códigos penais militares para situações típicas da vida civil, como são o movimento e as reclamações trabalhistas dos bombeiros é recrudescer ao entulho autoritário que representam, como triste memória da indevida e criminosa ingerência dos militares na vida da sociedade, durante 20 anos.

O governador deveria repudiar tal postura, sendo filho de quem é, onde Sérgio Cabral pai foi um dos perseguidos pelo regime de 64.

Nem vamos discutir aqui, embora esse debate seja pertinente, a aberração jurídica que é manter polícias e bombeiros sob regime militar. Poucas forças de segurança no mundo mantêm essa confusão desastrosa entre segurança e militarismo. E todas que fazem isso são, reconhecidamente, autoritárias e com tradição de abuso de direitos humanos. Como as nossas polícias.

Daí a esquizofrenia: Trata-se as forças de segurança como "soldados em tempos de guerra", mas se pede que ajam como garantidores de direitos de tempos de paz.

Então, é preciso entender que em regimes democráticos, em tempos de paz, autoridade é uma conquista, não uma imposíção.

Ainda assim, em situações de guerra ou na vida das casernas, a autoridade é também resultado de respeito e não de coerção desmedida.
Não são raros os casos de déspotas militares abandonados ou trucidados por subordinados. Como também não são incomuns na História os banhos de sangue promovidos por ditadores para impor sua vontade.

O resultado da ação desastrada do governador foi o estreitamento das poucas possibilidades de diálogo, que ainda havia, porque não aceita nenhuma outra forma de debate que não seja o eco de sua voz.

O peso da autoridade que carrega sobre os ombros o faz ceder aos arroubos de autoritarismo, com o uso de armas e violência para impedir a justa manifestação.

Como nesses caso, é preciso manipular a realidade para que caiba nos seus interesses. Haverá todos os argumentos bajuladores para ungir os abusos do governador como se fossem a força necessária para repor a ordem.

MAS É PRECISO QUE SE DIGA: QUEM ROMPEU A ORDEM FOI O GOVERNADOR, QUE IGNOROU O PLEITO DE SEUS SERVIDORES, ENQUANTO ADULA EMPRESÁRIOS COM SUBSÍDIOS BILIONÁRIOS.

O fato é que o ingrediente básico que integra a autoridade, que se disciplina pela hierarquia funcional, é a confiança e respeito mútuo. São esses sentimentos que fazem subordinados não questionarem ordens, e não o medo do uso da força ou punições.

Muito ao contrário: Quanto mais repressão, mais reação virá.

Isso, o governador não vai reconquistar com a mudança de comando dos Bombeiros. O governador com sua postura, queimou seu "comando" e não há quem "apague" esse incêndio.

Agora, com repercussão e apoio internacional dos bombeiros de NY, que ligaram suas sirenes por 01 hora, em apoio ao colegas daqui, o governador conseguiu exportar sua imagem de "autoridade" para o mundo.

Quem sabe não há uma conspiração "internacional" contra ele? Pena que lá não dá para enviar os "robocops" do BOPE.

Um comentário:

Anônimo disse...

É lamentável ver a PMERJ reprimir um movimento pacífico, principalmente porque eles também seriam beneficiário. Afinal só houve invasão porque o governo se nega veementemente a negociar e ainda tenta enganar a opinião pública mostrando o salário médio da corporação, como se fosse o salário dos grevistas.
Agora é a hora deles se unirem e deflagarem movimento no mesmo sentido na PMERJ, dando resposta as mentiras do Governador.
Contudo, acredito que eles continuarão desunidos e o governo se aproveitará da desunião e os manterá com salário miserável. Se isso acontecer, que ninguém tenha pena deles, pois terão provado que merecem o salário que recebem, tanto Bombeiros como PMERJs.
Salário bom é para quem tem pelo menos o mínimo de competência.
O mais irônico é que a maioria deles votaram no Cabral, até porque não queriam nem ver a sombra de Garotinho.
Espero que não tentem retornar Garotinho na próxima eleição.