segunda-feira, 2 de maio de 2011

Tempos modernos...

Fazia dois anos que estava na ilha, sozinho, único sobrevivente do acidente de avião. Como no filme Náufrago, aprendeu a domar as forças da natureza, reciclou recursos dos destroços que chegavam a praia, aprendeu a caçar, a pescar.

Com uma única diferença: O personagem do filme era funcionário da empresa de encomendas, Federal Express, ele era jornalista. Um cultuava o controle do tempo, o outro, o controle dos meios e das mensagens. Assim, como no filme, a esperança em se manter mentalmente são estava ligada a referência do que era seu cotidiano: para uns, o contar do tempo, para ele, a força salvadora da mídia.

Desde que acordou na praia, mandou uma mensagem em uma garrafa, pedindo socorro, muito menos porque acreditasse no resultado, mas pela simples idéia de que ainda que perdido, solitário, pudesse se comunicar.

Eis que dois anos depois, viu uma garrafa na areia. Intrigado com a possibilidade de que outra pessoa enfim tivesse lhe respondido do mesmo jeito, quebrou a garrafa e apanhou o papel, onde leu:

Para resgates em ilhas do Atlântico Sul, escreva um, para resgates no Pacífico, Mar do Norte, escreva dois, para aviso a familiares e declarações de última vontade, escreva quatro, para pedidos de socorro genérico e sem localização escreva adeus...

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