sexta-feira, 6 de maio de 2011

Quem matou Osama...?

Algum de vocês, fiéis leitores desse guetinho de opiniões, imagina que Osama Bin Laden pudesse ser morto, caso fosse francês, alemão, italiano, branco e cristão, ou de outra "nobre linhagem" qualquer, e que seus assassinos cruzassem os céus de um desses países de origem aí citados, com helicópteros em vôo rasante, para evitar radares, sem que os governos e seus órgãos desses países tivessem conhecimento do que se passava em seu solo soberano?

Eu creio que a resposta seria: NUNCA!

Então, é mais ou menos como acontece por aqui, pois perguntamos:

Alguém imagina que um verdadeiro barão das drogas, ou um desviador de recursos públicos destinados a merenda ou saúde de crianças, mortas ou famintas pela ausência desses recursos subtraídos, seja morto em troca de tiros com a polícia, dentro de seu carro, no estacionamento de seu condominio de luxo, ou dentro de uma suíte sultanesca? Alguém já ouviu falar em policial chutando porta de apartamento na Pelinca? É claro que não, e nem pode. Mas por que em outros endereços menos nobres a lógica é outra, e ninguém reclama, ou ao menos, presta atenção?

Por que quando integrantes da classe média ou da elite morrem assassinados, nenhum repórter dá aquela manjada versão, ao lado do corpo coberto por algum lençol ou plástico preto:
"De acordo com policiais, trata-se de acerto de contas entre quadrilhas de traficantes ou cobrança de dívida de drogas"?

Claro que não, na presença de mortos "influentes", todo o cuidado, e zelo com a imagem e o sofrimento dos familiares é pouco, além dos esforços de forças tarefas e manchetes inflamadas, clamando por justiça e segurança.

Ou seja: De acordo com os consensos que fazemos sobre quem merece qual castigo, e sobre o que é grave ou não, vamos dando a chancela para que os direitos humanos sejam, descaradamente, seletivos por classe e, no caso internacional, por origem étnica, nacional ou religiosa.

Assim, quem aperta o gatilho são os cães de guerra, policiais ou SEALs, mas quem dá a ordem é nosso silêncio cúmplice.

5 comentários:

Roberto Torres disse...

As comparacoes foram na veia. Tome cuidado para nao ser acusado de lamento pela morte do Bin.

Augusto Nunes escreveu um artigo criminoso. Acusa o PT e todos que por ventura queiram questionar o justicamento Obama x Osama de serem anti-americanos e de cumplicidade com o terrorismo.

Até onde essa mistura de burrice e má-fé pode chegar?

Mas nao deixa também de ser marcante e caricato o júbilo dos EUA pela morte de um homem decadente com o Bin. Alias um Estado que, para matar este homem, viola todos os "bons modos" que, pelo menos com aliados como Paquistao, esperava-se que fossem mantidos.

Anônimo disse...

Tá bom, mas o que você faria ao localizar o responsável por umas 4000 mortes e tivesse a chance de fazer o que foi feito? Isso não ficou claro.

douglas da mata disse...

Caro comentarista:

Quanto vale uma morte, duas mortes, ou quanto valem dez mil mortes?

Depende de quem, onde e quando morrem e em quais circunstâncias.

Como nunca saberemos se vale à pena matar para vingar nossa filha, esposa, vizinho ou melhor amigo, ou milhares de pessoas em um par de prédios, é que existem leis, Estados e convenções, para estabelecer um patamar mínimo normativo, a fim de que o julgamento seja sempre objetivo, baseado em fatos, valores e penas, com ampla chance de defesa, por mais culpado que pareça o "réu".

A dificuldade da situação está expressa na própria dubiedade dos EEUU em divulgar exatamente como ocorreu o assassinato. Ainda que a maioria dos estadunidenses ignore esta questão moral, como você fez, e comemore o resultado.

Que o homem comum, o atingido, física e, ou socialmente pelos atentados desejem vingança, é natural. Quem não pode agir assim são estados e governantes.

Portanto, a minha opinião pessoal ou de quem quer que seja deve SEMPRE estar submetida as regras e normas, ou seja: prender, julgar e sentenciar. Matar, só se for necessário.

Essa é a distinção que nos difere dos animais: A lei e sua compreensão.

Quando matam o agressor, de forma covarde, por mais óbvio e justo que pareça, os estadunidenses se igualam a selvageria dos terroristas, e desse jeito, são DERROTADOS em sua essência, e que deveria ser diferente àquela dos quais caçam.

Sem mencionar que, para além dos efeitos eleitoreiros (tanto em bush jr como para obama)o resultado é sempre: mais violência, mais ódio e enfim, mais terrorismo e menos segurança.

Um abraço.

douglas da mata disse...

PS: Se era para gastar 1 trilhão de dólares para fazer isso, era melhor oferecer 10% (100 bilhões)para algum assassino mercenário qualquer.

Pergntamos: quem vai chorar os milhares e milhares de civis inocentes de afegãos, iraquianos e paquistaneses mortos pelas ocupações e caçadas?

Mas eu temo que tudo envolve business: das petroleiras, dos partidos que disputam a hegemonia do ódio, nos EEUU, e das empresas terceirizadoras da guerra (como a Blackwater), com seus mercenários e bilhões de reais em contratos de "segurança" para instalações, diplomatas e empresários.

É mais ou menos isso, e nada tem a ver com justiça.

Anônimo disse...

O assassinato cometido por ordem do governo americano desprestigiou a própria Justiça deles. Provavelmente ela não é nem um pouco confiável, com certeza extremamente pior que a brasileira.
Particularmente, considero que seria muito mais coerente prendê-lo e deixá-lo sofrendo numa solitária, por exemplo. A morte deve ter sido um prêmio para ele.
Para quem acredita em céu, como o próprio assassinado, dependendo da religião, vai achar que ele o alcançou e é um mártir, ou não alcançou por ser um assassino de inocentes.

Existe uma corrente minoritária que acha que ele está vivo e sendo torturado pelos americanos, para que fale tudo o que sabe e até o que não sabe.
Gostaria de ter acesso ao depoimento dos familiares dele, mas parece que todos estão incomunicáveis, por que será?
Outra coisa que muito me intriga é que a imprensa mundial nem fala o quanto a atitude americana é reprovável. Estão agindo como se o assassinato a sangue frio de alguém desarmado fosse a coisa mais normal e correta que existe.
Será que se um iraquiano enlouquecido tivesse assassinado Obama, a reação também teria sido de normalidade?
Porque em matéria de morte de inocentes, os EUA estão devendo muito mais do que qualquer pessoa ou país do mundo, acho que isso nem é questionável.
O terrorismo de Estado, comumente praticado por Israel e EUA, precisa acabar e é mais grave do que o terrorismo praticado pelos povos que vivem oprimidos, por exemplo.
Mesmo sendo servidor público, considero que as transgressões praticadas por políticos, policiais ou qualquer servidor público, em razão da função que exercem, devem ser menos toleradas e punidas com muito mais rigor.
Se isso acontecesse o Brasil seria outro, talvez mais desenvolvido que a China.