sábado, 21 de maio de 2011

A hipocrisia que alimenta a selvageria!


Antes de iniciar qualquer debate sobre homofobia e as intervenções do MEC para veicular vídeos, imagens e material didático para combater a homofobia, é preciso separar:
Opção sexual (que hoje, os especialistas afirmam ser cada vez menos uma "opção", e sim uma programação genética associada a questões sócio-culturais), que sempre estão no campo privado da pessoa, e quando muito, das familias, da obrigação estatal de promover a disseminação de valores que façam os jovens perceberem todas as formas de relacionamento como normais, e que sejam passíveis do respeito  de TODOS.

O MEC não está tratando de opção sexual, mas do combate ao preconceito e a homofobia, permitindo que se discuta um assunto que diz respeito a muita gente, ou alguém pretende uma sociedade sem homoafetivos?
Quando promove a exibição de atitudes e gestos entre homoafetivos, o MEC sinaliza que esse é um comportamento tão aceitável quanto carícias entre heterossexuais.

Outra confusão promovida pelos homofóbicos, açodados pela mídia canalha que pretende utilizar o tema para sua diuturna campanha de desgaste político do governo: Falar de homoafetividade não induz, nem torna ninguém homoafetivo, mas ainda assim, se a possibilidade de falar sobre o tema permite que pessoas possam assumir suas escolhas de forma mais consciente, não há nada de errado nisso. Sim, porque os homofóbicos dizem não ter preconceito, mas querem impedir que se fale no assunto nas escolas, porque imaginam que o debate possa "contaminar" alguém.

É como se alguém lhe dissesse: "olha, não vamos falar de crime e violência porque você pode optar por se tornar um criminoso"!

Ou pior, para citar um exemplo relacionado a algo que diz respeito aos parlamentares da frente homofóbica: Se falar sobre o tema em sala "contamina", então tornemos inconstitucional o ensino religioso, pois essa intervenção pública em assunto privado pode "induzir" a mudança de religião, ou o surgimento de constrangimento, ou aumentar o preconceito de determinadas adeptos em  relação a outros.

Dá nojo ver a maior parte da sociedade vociferando contra o vídeo (a enorme maioria sequer assistiu, e só viu pedaços editados pela mídia homofóbica), quando essa mesma sociedade incentiva, e goza com a erotização precoce de nossas meninas, a exploração sexual da imagem de mulheres (como pedaços de carne expostas em anúncios de carros, cigarros, roupas, etc), com o abuso da exposição de imagens de violência gratuita, apelo ao consumismo, etc, etc, etc.
Essa sociedade que bate palma para propaganda de consumo de álcool, em horário onde as crianças estão na sala.

Tudo em nome da liberdade de expressão, que na verdade, nada mais é que a preguiça e incapacidade de discutir os limites da produção de conteúdo pelas empresas de comunicação e agências de propaganda, veiculado em concessões públicas, onde pais preocupados com beijos lésbicos ou insinuações a homoafetividade masculina nas escolas, permitem que seus filhos vejam de tudo na internet e TV. Querem os pais, como sempre, que a escola seja um modelo daquilo que nunca fazem em casa. Porque não querem, porque não sabem como fazer, ou tudo isso junto.

É só observar as queixas de professores sobre o comportamento dos meninos e meninas, o grau de animosidade e violência muito superior que as expectativas para essa faixa etária, que ironica e tristemente, repercutem nas redes sociais, na grande rede, em vídeos gravados com requintes de sadismo.

Ao patrocinar a homofobia, parlamentares, mídia, pais, alimentam as fogueiras "santas", e aumentam as possibilidades de eventos de intolerância.

É sempre bom lembrar que essa sociedade que está aí, com jovens insandecidos, é resultado de anos e anos de repressão e preconceito contra minorias.
Ao contrário do que pregam os homofóbicos, não foi o debate franco sobre sexualidade, drogas e outros temas polêmicos que tornou a maioria dos nossos jovens o tormento que são hoje, mas justamente o contrário.

7 comentários:

Mr Gayrrisson disse...

Douglas, Adorei...

Vou tomar a máxima liberdade de reproduzir, ok? Se tiver algum problema me avisa, que eu retiro depois.

douglas da mata disse...

Caro Mr Gayrrison,

Fique à vontade para reproduzir o texto, e não carece de autorização.

Um abraço.

Marcio Costa. disse...

Querem ensinar crianças a serem gays montem colégios gays, assim como tem os colégios religiosos.
Mas não nas públicas.
Já estou de saco cheio dessa história de gays pra lá, gays pra cá.
Quer ser gay sej ams não tentem induzir meus filhos.
Vão aumentar a rejeição deles.

douglas da mata disse...

Marcio,

Obrigado pela participação.

Do seu comentário, podemos aproveitar para ampliar o debate:

1. Ninguém influencia ou induz ninguém a ser homoafetivo, isso é um fato. Não é como escolher uma roupa, uma cor ou um carro. Não se define a orientação sexual por propaganda.

2. Se você está de saco cheio, o problema é seu, mas guarde seu fastio para você, uma vez que essa (im)postura não contribui para o debate, e esse é o objetivo do blog. Enviar comentário para dizer que cansou do assunto, além de falta de educação com o editor e os leitores, é sinal de burrice, o que não deve ser o seu caso.

3. Você parece ter lido, mas não entendeu o que leu. Pode ser que eu me expressei mal, portanto, em benefício da dúvida e do bom debate, vamos lá de novo:
o Estado não interfere (e não pode sequer tentar interferir) na formação sexual de ninguém, mas DEVE, tão somente, combater o preconceito contra as opções diferentes, esteja essa opção representada na maioria ou na minoria. Nem sempre democracia é imposição da vontade da maioria sobre direito da minoria. Oito judeus em uma sala não tem o direito de matar dois palestinos, apenas porque decidiram isso em votação.

4. Eu citei, no texto, a questão religiosa para mostrar que o Estado não deve se imiscuir em questões privadas, mas tão somente evitar práticas intolerantes, ou seja, tanto combater o preconceito contra gays ou religiosos, mas isso não significa implementar aulas de religião, ou aulas que "ensinem" a adotar opção gay, até, porque já disse, isso é impossível. Mas os deputados homofóbicos reclamam da intervenção do Estado no combate ao preconceito, mas nada falam da religião nas escolas, que eles justificam como sendo uma intervenção contra a intolerância religiosa. Contraditório e cínico esse argumento, pois as aulas de ensino religioso funcionam como imposição de orientação (o que não deveria acontecer), enquanto a questão homoafetiva é combate ao preconceito e não propaganda de estilo de vida, como fazem com a religião.

5. Enfim, ninguém discute quando a escola aborda temas afetivos relacionados a heterossexuais, mas grita quando a abordagem trata de homoafetividade.

6. E creia meu amigo, nada mudará a opção sexual de seus filhos, nem a sua homofobia, e pior, a história nos ensina que é nesses lares intolerantes que acontecem essas opções.

Mas se você tem tanta certeza quanto a possibilidade de alguém impor ou influenciar escolhas, converse com seus filhos sobre o tema, oriente, e assim, quem sabe, você consiga fazê-los a sua imagem e semelhança.

Um abraço, e mais uma vez obrigado pela participação.

Anônimo disse...

Minha filha não está na escola para aprender "moral e cívica". Lá, espero que os professores ensinem história, geografia, português, matemática, e demais ciências sistematizadas e curriculares. Moral e civismo minha filha vê e vive em casa.

Uppon Avon

Anônimo disse...

Acho que cheguei um pouco atrasado, mas nunca é tarde para um bom debate.
Olha, no meu ver, houve um equívoco na publicação e divulgação desse material. Precisamos educar as nossas crianças para serem tolerantes com as diferenças, respeitar as crenças e os valores dos outros, mas não necessariamente concordar com elas.
Ao ver o conteúdo do material, a impressão que me deu é de que se fazia propaganda a favor da homossexualidade, o que é muito diferente da educação para a tolerância.
Achei muito oportuno o recolhimento do material, pois é necessário um debate com a sociedade antes de se implementar qualquer ação polêmica.

Um abraço
Cláudio

douglas da mata disse...

Ô Cláudio, antes tarde do que nunca!

Veja, eu concordo com a sua noção de tolerância e concordamos também com a manipulação da mídia, que inclusive, é uma das grandes responsáveis por "propor" comportamentos, massificar condutas, nem sempre desejáveis para nossos filhos, embora eu ache que esse poder é limitado, como disse no texto. Uma boa conversa com minha filha sobre os riscos do abuso do álcool é melhor, penso eu, que censurar propaganda de cerveja.
Mas é verdade que ao meio-dia, eu penso que tal veiculação não parece querer proteger nosso filhos(as).
Mas eu nunca ouvi nenhum barulho sobre isso, e creia:Vão clamar pela liberdade de imprensa e escolha e pelo papel da família na educação. Ué, mas e esses valores em relação a educação sexual e tolerância não valem?

É ótimo que a sociedade abra o debate sobre influências, produção de conteúdo, na escola e outras instâncias, como a mídia, por exemplo, mas aí, outra vez, a primazia da hipocrisia e o cinismo.

Veja, eu vou primeiro me ater a questão do debate que antecedeu a publicação:

Foi realizado pelo MEC e pelas bancadas, incluída aí bancada religiosa, um intenso debate no Congresso, e o material foi o consenso possível.
O que fizeram os "fundamentalistas", quando perderam o debate na instância que participaram? Foram para a mídia, para a espetacularização e manipulação de preconceitos, junto com a disposição do PIG de desgastar essa ou aquela ação de governo, principalmente quando gera algum incômodo.
Deslealdade, e um perigo para a noção de Democracia que lutamos para conquistar.

Não há nada demais em religiosos entenderem e pressionarem para que seus propósitos obtenham o consenso do resto da sociedade, e eu já escrevi nesse blog que há uma agenda religiosa que defende valores universais, como direitos humanos, a tolerância, a paz social, etc.

O problema são as imposições pelo grito e pela chantagem, e a pose triunfalista de setores mais estreitos dessas denominações religiosas, justamente os que têm mais problemas com a moralidade pública, corruptos e quadrilheiros que são.

Devemos evitar a imposição a moral privada, uma agenda ética particular através da ação estatal.

E veja, se há problema em fazer propaganda de opção sexual, e o que dizer da propaganda religiosa feita por escolas católicas e protestantes, e até nas escolas públicas (nas aulas de ensino religioso), onde afinal, a Educação, que é uma ação típica do Estado (ainda que concedida a entes privados),e que deveria afastar tais crenças e símbolos?

O que dizer de dinheiro público em festas religiosas e monumentos religiosos?

Bom, quanto a propaganda de opção sexual, permita-me dizer que, ainda que o material tivesse (ou insinue) tal conotação, eu pergunto: como falar então se sexualidade, prevenção e saúde sem mencionar relacionamentos homoafetivos?
Ou só os heteroafetivos têm direito a educação sexual com as imagens que dizem respeito a sua opção?

Enfim, Cláudio, mais uma vez, e quem diz isso não sou eu, mas especialistas (psiquiatras, pedagogos, etc), que falar ou mostrar videos relacionados a um assunto não implica em acionar comportamentos relacionados, não de forma definitiva.

Um abraço, e grato pela participação.