quarta-feira, 25 de maio de 2011

A hipocrisia que alimenta a selvageria 2

Alguns comentários sobre a decisão da presidenta Dilma acerca do MEC e dos vídeos e outros materiais anti-homofobia:

1. Perde a sociedade como um todo, perde a Democracia e o Estado laico, embora alguns digam que o jogo de pressões é legítimo no Estado de Direito. Pode ser,  mas como sempre digo, nem sempre a maioria está certa(será que oito judeus em uma sala podem decidir matar dois palestinos só porque eles estão em minoria?);

2. Perde o ministro da Educação, que teve a coragem de enfrentar o debate, e portanto, diante de tal situação, deveria entregar o cargo, junto com toda sua equipe;

3. Se a presidenta não confia em sua equipe, e é incapaz de delegar decisões desse porte, para quê ministros? Será que Fernando Haddad, depois de anos no governo, inclusive convivendo com Dilma na Casa Civil, não a informou sobre o que faria? Na conta de quem ficará o recuo? Que governo é esse que se dobra ao fanatismo religioso?

Não quero aqui fazer coro aos que identificam nessa e em outras atitudes, uma inflexão conservadora da presidenta, e pior, como antagonista de Lula. Não podemos morder essa isca, até porque Dilma só existe porque existiu Lula, é resultado de um governo que ela foi peça central, e mais, em determinados casos Lula foi tão ou mais conservador que ela, como no caso da PF/Daniel Dantas, nos crimes da Ditadura, etc, etc.

Ninguém vai acertar sempre. Mas há temas simbólicos que refletem a conjuntura de um governo, e nesse caso, Dilma simbolizou que está refém da parte mais conservadora da sociedade, embora esse momento não seja irreversível.

Um infeliz decepção.

4 comentários:

Anônimo disse...

Eu acredito q Dilma recuou momentaneamente, pq é um assunto polemico e a bancada dos evangélicos está tirando proveito da situação encabeçada pelo político local q se aproveita pra aparecer. E é sabido de todos q ele sabe fazer isso muito bem. Parece aquele ex-BBBs( como a personagem de uma novela) q topam qq parada pra ficar em evidência.

douglas da mata disse...

Caro comentarista,

Que foi um recuo eu compreendo, até pela delicadeza do tema.

Eu não compreendo é "rifar" o ministro de educação após tanto tempo, e eu não acredito que uma presidenta como Dilma não estivesse a par das coisas.

Tenho que admitir que isso faz parte da democracia, ou seja, evangélicos elegem deputados e esperam que sua agenda seja defendida pelos representantes.

Mas a presidenta ceder a uma chantagem em uma ação própria do poder executivo é lamentável, e demonstra fraqueza.

Deveriam os evangélicos apresentar um projeto de lei, e através da esfera de poder própria, legislar para fazer valer seus interesses. Ou recorrer a Justiça, se fosse o caso.

Não cabia a Dilma arrefecer, ainda mais se considerarmos os rumores sobre a "troca" do afrouxo em relação ao ministro.

Aponta duas aberrações: os direitos das minorias podem ser moeda de troca, e há muito receio em deixar o ministro falar.

Um abraço.

Igor disse...

Ganham as pessoas de bem e as famílias. O que não é mérito algum de Dilma, que fez apenas sua obrigação ao vetar essa nova bizarra invencionice de Haddad.

douglas da mata disse...

Caro Igor,

O que são as pessoas de bem? São apenas aquelas que comungam sua visão sobre sexualidade?

O que é bizarro? O diferente? O incomum? O outro?

Bom, a respeito de família, é bom você se atualizar um pouco e entender que até as instâncias mais conservadoras (em tese), como os tribunais superiores, já acolheram a idéia de que há várias formas de organizar famílias, e não só o modelo que você conhece.

Dilma decepcionou quem acreditava na sua história de luta pelo estado laico, longe das determinações da agenda religiosa, geralmente, intolerantes e hipócritas.

Os religiosos pretendem impor aos outros aquilo que não praticam. É só observar os desvios éticos dos governantes-pentencostais, e a tolerância da Igreja de Roma com seus padres pedófilos.

Mas, em uma decmocracia, todos têm o sagrado direito de falar asneiras e até acreditar nelas.

Um abraço e grato pela participação.