segunda-feira, 9 de maio de 2011

Fukushima resistiu!

O pavor nuclear, em grande parte, provocado pelo catastrofismo midiatico, começa a dar sinais de arrefecimento, e depois de uma tragédia daquelas proporções, já é possível analisar o real perigo que usinas nucleares oferecem, bem como julgar a eficiência dos planos de emergência e as medidas para evitar a propagação dos danos, mesmo diante de desastres, como o que aconteceu no nordeste japonês.

Uma coisa é certa: Se é verdade que a usina de Fukushima oferecia riscos, e houve conivência entre governo e os donos da planta, na adoção de protocolos de prevenção, e outros pós-incidente, ficou bem claro que, ainda assim, as usinas do Japão estão em nível de segurança bem alto, uma vez que, dentro de todas as limitações provocadas pelo tremor, e pelo tsunami que veio a seguir, houve relativo sucesso em impedir que a contaminação chegasse a níveis de outros desastres, como Chernobyl, por exemplo.

Essas conclusões servem para análises sobre a conveniência de adotar, ou não, essa matiz energética, seus riscos, custos e impactos ambientais.

De certa forma, o desastre com a plataforma da British Petroleum, no Golfo do México, e que destruiu boa parte do ambiente no sul dos EEUU, e a incapacidade da empresa de conter os estragos em tempo hábil, revelam que os cuidados com a geração de energia nuclear, de fato, estão muito mais adiantados tecnologicamente que os da extração petrolífera.

No fim das contas, não há uma fonte de geração de energia, economicamente viável, e com escala de produção suficiente, que ofereça uma equação onde o risco e o impacto seja próximo ao zero. Trata-se de uma discussão política, balizada por aspectos técnicos, e com viés econômico importante.

Fukushima provou que há usinas capazes de sofrer sérios danos, e resistir. Se os geradores de energia estivessem em um nível elevado, onde a inundação não os atingisse, o bombeamento de água para resfriamento não teria sido interrompido, e boa parte dos problemas não teria acontecido.

O problema são nossas Angras, seu plano de evacuação que prevê a duplicação da Rio-Santos(ainda inexistente), e a pergunta: Ainda que não soframos terremotos e tsunamis, e se as usinas forem atingidas por outros desastres naturais? Resistirão? Como evacuar tanta gente?

Nenhum comentário: