terça-feira, 17 de maio de 2011

cabral, o paradoxal!

Todos devem aplaudir a iniciativa do governador do Estado do Rio de Janeiro, em permitir a presença de policiais e bombeiros em eventos de combate a discriminação contra pessoas de orientação homoafetiva.

Há um debate menor, que no entanto, pode ser apropriado pelos homofóbicos, mas que de certa forma, merece atenção: Os uniformes vinculam as pessoas a uma função, nesse caso pública.
Será que para expressar sua opinião privada e pessoal sobre qualquer tema, deveriam esses servidores públicos estar com uniforme que identifica um serviço prestado a TODO o público, e não somente quem concorda com as teses ali defendidas?

No entanto, podemos considerar que o combate a intolerância merece todos os esforços, e a união de todos, uniformizados ou não. E que a presença de policiais e bombeiros uniformizados expressa uma mensagem de que o poder público não tolerará tais práticas homofóbicas, dentro ou fora dessas corporações, e mais: em atividades historicamente relacionadas a truculência e a homofobia, a permissão simboliza a garantia de um direito humano a escolha e expressão.
A questão é observar a postura do governante em questões semelhantes, e não apenas as de sua "predileção" ou da conveniência de sua agenda política para construção de uma imagem positiva, principalmente junto a um público específico que tem alto poder de mobilização.

Porque esse mesmo governador que dá sinais de "modernidade" no tratamento às questões de gênero, exibe exagerada truculência no trato político com as demandas desses servidores.
A contradição do governador, na verdade, revela a dubiedade do caráter "carioca", ou seja:
Bom de papo, agradável na mesa do bar, tolerante com certas manifestações culturais, muito mais flexível na questão de gênero(com exceção dos imbecis da Barra da Tijuca, mas ali é "outro mundo"), mas que prega a truculência policial como política de segurança, a exclusão e segregação espacial como solução urbana, e no caso da gestão pública, repete o mantra que emana das organizações globo, de que servidor público é lacaio de rico, e deve receber gorjeta, ao invés de salário digno, para que os laços de dependência se eternizem, junto com os privilégios da casta mais alta.

Como ensina a sociologia, não há representante político ideologicamente distante dos seus representados.

Gays ou héteros, a dignidade do servidor está no respeito às suas opções, mas antes de mais nada, na garantia de condições dignas de sobrevivência e exercício de suas funções.

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