segunda-feira, 9 de maio de 2011

Agradecimentos e reflexões...

Bom, desde que sofri um incidente de trânsito, conforme você pode ler nesse post, tenho recebido várias mensagens de apoio e incentivo, e por isso, me prometi que publicaria algo em agradecimento.
Sempre tive reservas a usar o blog como espaço para experiências particulares, mesmo que consideremos o espaço como uma esfera pessoal, procurei, de certa forma, estimular o debate sobre temas públicos e do interesse coletivo, deixado de citar ou fomentar postagens sobre minha individualidade.

Não critico quem faz escolhas diferentes, e usa o blog como diário pessoal, pois essa é, penso eu, a beleza da blogosfera: As várias possíbilidade e olhares diferentes, que se complementam e multiplicam percepções e entendimentos.

Lógico que nessa caminhada cometi graves erros, e por coincidência ou não, sempre estiveram vinculados a publicar questões pessoais. Talvez por isso, sempre tenha mantido certo afastamento da minha vida pessoa do blog. Os estragos deixaram cicatrizes profundas e irreversíveis, e desde então, tenho procurado evitar novas situações que exponham a mim, ou terceiros na esfera privada.

É um aprendizado.

Bom, mas em relação ao meu incidente de trânsito, ficou a necessidade de justificar o diminuir do ritmo de postagens, e certo fastio de fazê-lo.  Como se a fragilidade da vida, que me foi mostrada em cores bem nítidas, me levasse a considerar fazer outras coisas diferentes.

Vamos às minhas confissões pessoais de ter visto a morte de perto!

Não é uma experiência agradável. E ao contrário do que possam imaginar, com todo respeito a quem acredita, não me tornou religioso, nem me fez acreditar em deus. Sim, porque se eu acreditar que houve alguma intervenção, só me restaria perguntar:
Por que eu?
Afinal, tem um bocado de gente muito melhor, que pode salvar vidas, inventar curas para o câncer, para a AIDS? Ou pior: Como classificar quem merece morrer e viver? Será que um deus se livaria do problema ético de uma escolha como essa? Como?

Prefiro não acreditar!

Foi o bom e velho acaso que me salvou. Ou se quiserem, uma conjunção de probabilidades matemáticas, equações físicas, etc.
Seria sedutor querer acreditar que somos especiais e escolhidos para sermos "salvos", mas, infelizmente para uns, e felizmente para outros, não somos.
É só a vida seguindo seu curso inexorável, para "a única sentença que nos iguala, e marca nossa infeliz existência sobre a terra...porque tudo que é vivo morre...!"
Como disse o personagem Xicó, no Auto da Compadecida de Suassuna.

Assim, a estranha visão do incidente, a lucidez do momento que se prolonga e se repete na minha mente, desde o início, quando o carro descontrolado ia em direção a contra-mão, pronto a atingir outro veículo, minha guinada para evitar o choque, o rodopiar, nesse balé trágico, uma árvore que passou tão perto, a cerca, a ribanceira, o mato pelas janelas que estilhaçavam, o mundo em rotação acelerada, de pernas para o ar, depois de pernas para cima, para o ar, e enfim, de pernas para cima.

Incrível como a adrenalina implusiona a gente. Tudo no lugar, nenhum corte ou lesão, sair do carro, desligar a ignição, os faróis, juntar as coisas, minha bolsa, material de trabalho(meu querido distintivo, minha arma, munição, carteira, etc), retirar minhas roupas da mala, etc, etc, etc. Um ritual que cumpri automaticamente, como se estivesse ensaiado em algum manual de sobrevivência.

Depois, a solidariedade humana dos que passaram no local, logo após o evento, a atendimento profissional dos bombeiros, do BPrV, o apoio dos colegas policiais civis: Douglas José, Cacá, Josemar, Fabrizio, Eltinho, Leandro, Vitipó, Marcelinho, Evérson, Quintanilha, Serjão, Gustavo, delegada Ivana, todos comigo, de um jeito ou de outro, do início ao fim do longo dia, o carinho dos funcionários da Delegacia(Edilamar, Jodrick e Cremilda), o pronto atendimento médico, tanto em São Fidélis com em Campos dos Goytacazes, a paciência e prontidão do reboquista, Sr Wilson, lá de Itaocara, e por fim, o carinho dos leitores, identificados ou não, que de certa forma, me manteve ligado ao blog e a tarefa de publicar algo, ainda que na presença de dores que persistem no ombro, pescoço e coluna.

Óbvio dizer que tudo isso nos afeta e nos torna diferentes. TUDO nos torna diferentes, afinal, nenhum momento é igual a outro, mas saber que vamos morrer é diferente de encarar esse momento com tanta possbilidade. Não há medo! Mas não quero antecipações! Há muito por fazer.

Eu vou por aqui, seguindo meu caminho e junto com vocês, a quem deixo meu obrigado por todo o apoio.

E nunca é demais lembrar:
USEM O CINTO, DIRIJAM COM CUIDADO, SE ESTIVER CHOVENDO, REDOBREM SUA ATENÇÃO!
VIVER, ESSA É A CENA!

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