sexta-feira, 1 de abril de 2011

Vitórias de Pirro.

Na maioria das vezes, prêmios ou menções honrosas ou qualquer outro tipo de reconhecimento vem acompanhado de bons sentimentos.

Nessa planície lamacenta, ao contrário, apenas somos lembrados pelas nossas ignomínias.

Não é de hoje que essa terra é manchada pelo sangue que escorre do lombo dos escravos que trabalham em canaviais.

O número de autuações cresce a cada ano, o que sugere que a prática não é uma exceção, mas uma "escolha" gerencial.

A prova disso é o triste prêmio que ganhamos. O Comitê Pela Erradicação do Trabalho Escravo no Norte e Noroeste Fluminense, composto por várias entidades e sindicatos, acaba de ser agraciado com a Medalha Chico Mendes, de acordo com o blog Estou Procurando o que Fazer.

Triste prêmio, afinal, se temos um comitê desses, e se esse comitê "ganha" prêmios pelo seu trabalho, é porque alguma coisa está muito errada.

E está.

Há dinheiro público do FUNDECAM financiando infratores, fundo aliás, que é gerido por um representante do setor canavieiro. Estranho conflito de interesses, não?

Há uma secretaria municipal de trabalho que nada vê, nada ouve e nada fala, e sequer age, como ente municipal para unir esforços com outros órgãos estaduais e federais para banir essa prática de nossa terra. Isso tudo em uma prefeitura com um dos maiores orçamentos municipais do Brasil, e da América Latina.


Eu pergunto: Se a lei permite a perda da propriedade das terras em caso de plantio de drogas, por que não adotar a mesma lógica para o trabalho escravo?

Ou será que escravizar gente não é tão grave quanto plantar maconha, por exemplo?

Nessa cidade, determinados tipos de crime SEMPRE compensam.

Parabéns ao Comitê, mas sinceramente, eu preferia dizer que o trabalho deles acabou, o que não é o caso!

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